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| A primeira-ministra Golda Meir numa visita ao kibbutz Ein Gedi, 1971 |
domingo, 2 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Tarde demais
O FMI não se vai embora daqui tão cedo, principalmente depois de ter enterrado quase 78 mil milhões de euros em Portugal. Se estes valentões do que se lixe a troika! tivessem feito estas manifestações quando o engenheiro levava este país para o precipício, talvez o FMI não tivesse sido chamado. Agora é tarde demais. O mesmo se aplica a certas greves no Estado: já não vão a tempo, porque nada podem contra a força gravítica do buraco orçamental.
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Circo no metro
Metro de Lisboa, linha vermelha. Um grupo de jovens fazia uma enorme algazarra, gritando, falando alto, agredindo-se na brincadeira, pondo os pés em cima dos assentos e ocupando o corredor de circulação da carruagem. Os passageiros portugueses ou afastavam-se ou ignoravam a cena. Um turista estrangeiro, com ar de apoiante da gauche bloquisto-socialista, sorria e parecia achar imensa graça às palhaçadas. Há sempre público para o circo e o circo só vinga porque alguém o aplaude.
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Competitividade
Israel mantém o 19º lugar numa lista de 60 países. Portugal ocupa o 46º, caindo 5 lugares. Até ao último ainda faltam 14.
Porque sim
Ainda não analisaram, mas vão votar contra. Porque são contra a austeridade, as políticas erradas e a destruição da economia. Mas continuam sem dizer o que colocavam no lugar da austeridade, que políticas certas implementariam e como iriam construir a economia. Mais valia dizerem que votam contra porque sim.
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Isto não vai acabar bem
Vai ser bonito de ver. Principalmente se chegar a entrar por julho e aqueles que agora são muito defensores da greve começarem a ter vontade de entrar de férias. Haverá muitas coerências rachadas.
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Professores
40 e só 40
Direção de turma + secretariado de exames + elaboração de provas + coordenação disciplinar + 5 programas diferentes para lecionar + avaliação docente. Que cheguem depressa as 40 horas.
domingo, 26 de maio de 2013
Prossegue a intervenção militar estrangeira na Síria
Prossegue a uma intervenção militar estrangeira na Síria: o grupo terrorista grupo xiita libanês Hezbollah entrou oficialmente no conflito.
Após a operação militar israelita de há 3 semanas houve uma pequena gritaria e algumas pessoas ameaçaram rasgar as vestes em protesto, por alegadamente Israel não ter legitimidade para intervir noutro país - parece que há umas leis da ONU que proíbem isso. Agora, que se trata de uma entrada declarada na guerra por parte de um grupo militar estrangeiro, nada se vai passar. Só quando o Hezbollah arrastar Israel diretamente para o conflito é que o direito internacional será novamente proclamado.
Recorde-se que o Hezbollah é aquela organização que deveria ter sido desarmada a seguir
ao conflito de 2006 com Israel, que age como partido político dentro do Líbano, mas tem
um exercito próprio paralelo ao exército libanês.
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O Sionismo e Jerusalém - Parte 4
Dos conflitos de
1929 até ao pós-Segunda Guerra Mundial
Apesar dos progressos que estavam a ser
feitos, tanto do ponto de vista político (com a declaração Balfour e a criação
de instituições nacionais judaicas) como do ponto de vista da colonização do
território (com o estabelecimento de novas cidades e colónias), surgiram as primeiras dificuldades no terreno: os árabes da Palestina começaram a
opor-se à pretensão judaica de estabelecer um Lar Nacional na sua pátria
ancestral.
A animosidade árabe contra o sionismo surgiu ainda antes da Primeira Guerra Mundial, mas foi em 1920 que se iniciaram os
primeiros protestos violentos contra a imigração de judeus. Os mais graves
ocorreriam em Jerusalém, onde o Bairro Judeu foi atacado. O mesmo aconteceria
em Maio de 1921 com ataques a vários bairros judeus de Jerusalém e novamente ao
Bairro Judeu em Novembro14. Em 1928 a hostilidade dos árabes contra
os judeus subiu de tom, pois surgiu entre os árabes a preocupação de haver
pretensões judaicas em relação a Monte do Templo. As preocupações da população foram
levadas a sério pelo mufti de Jerusalém que reivindicou a imposição de
restrições ao culto judaico no Muro das Lamentações.
Em 1929 a situação agravou-se. Nesse ano
as orações dos judeus junto ao Muro das Lamentações continuaram a desencadear os
protestos dos árabes e no verão a crescente tensão entre ambas as comunidades originou
um ataque de uma multidão árabe contra judeus desarmados na Cidade Velha. O ataque despoletou uma onda de violência por toda a Palestina,
causando mais de 200 mortos. Estes graves confrontos foram o culminar de uma
série de tensões e conflitos entre as duas comunidades e alteraram
significativamente a relação entre elas.
Os confrontos de 1929 acabaram por contribuir
para uma mudança significativa na abordagem sionista em relação a Jerusalém
porque aceleraram a discussão judaico-sionista acerca da posse da cidade e
colocaram-na no topo da agenda sionista. A partir desta data o movimento sionista
começou a aceitar que Jerusalém não era apenas um lugar sagrado e religioso
para o Povo Judeu, mas também um lugar político, ideológico e até simbólico15.
Os confrontos com os árabes foram importantes para modificar a abordagem sionista em relação a Jerusalém, mas não foram o único fator: a vontade da rua judaica era superior à dos líderes políticos sionistas dominantes, pois a cidade sempre tivera uma enorme importância para o Povo Judeu; e o movimento sionista passou a ser menos monolítico com o surgimento do Sionismo Revisionista (de Vladimir Jabotinsky) que era oposto ao dominante sionismo de inspiração socialista. O Sionismo Revisionista tinha em relação Jerusalém uma pretensão muito mais vincada que o Sionismo Socialista, que era mais cauteloso em relação à cidade. Os Revisionistas davam uma grande importância a Jerusalém e defendiam a posse judaica dos Lugares Sagrados, nomeadamente do Muro das Lamentações.
Os confrontos com os árabes foram importantes para modificar a abordagem sionista em relação a Jerusalém, mas não foram o único fator: a vontade da rua judaica era superior à dos líderes políticos sionistas dominantes, pois a cidade sempre tivera uma enorme importância para o Povo Judeu; e o movimento sionista passou a ser menos monolítico com o surgimento do Sionismo Revisionista (de Vladimir Jabotinsky) que era oposto ao dominante sionismo de inspiração socialista. O Sionismo Revisionista tinha em relação Jerusalém uma pretensão muito mais vincada que o Sionismo Socialista, que era mais cauteloso em relação à cidade. Os Revisionistas davam uma grande importância a Jerusalém e defendiam a posse judaica dos Lugares Sagrados, nomeadamente do Muro das Lamentações.
Na década de 30 os conflitos entre a
comunidade judaica e a comunidade árabe continuram, atingindo um ponto máximo
em 1936 com a Grande Revolta Árabe. Em 1937 a agitação crescente na Palestina
forçou os britânicos a nomearem uma comissão para averiguar as causas dos
conflitos. A comissão foi presidida por Lord Peel e ficaria conhecida como a
Comissão Peel.
A Comissão Peel, depois de efetuar os
seus estudos no terreno, publicou o relatório onde pela primeira vez é proposta
a partilha da Palestina entre árabes e judeus. O relatório aponta para a
criação de dois Estados, um árabe e um judeu, e uma zona sob controlo
britânico. Segundo a proposta da Comissão Peel, o Estado Árabe ficaria com o
Negev, com a Samaria, com parte da Judeia e com a cidade de Jaffa. O Estado Judeu
ficaria com a Galileia, com a Planície de Hadera, com a cidade de Tel Aviv e
com um enclave a sul de Jaffa. Jerusalém, Nazaré e o Corredor de Jerusalém
ficariam sob controlo britânico.
A proposta não agradou nem a árabes nem a
judeus. Os árabes rejeitam completamente a divisão do território e defendem o
fim da Comissão Peel e do Mandato Britânico. Os judeus aceitam o princípio da
divisão do território, mas não na área proposta pela Comissão Peel16.
Neste sentido, e perante a perspetiva de perderem a totalidade da cidade,
elaboraram[uma
proposta detalhada de partilha de Jerusalém. A proposta atribuiu ao Estado Judaico
a parte Ocidental da cidade e exclui a maioria da zona Oriental. Locais com a
Cidade Velha, o Muro das Lamentações, o Monte do Templo, o Cemitério do Monte
das Oliveiras e outros bairros mais isolados ficariam fora da zona judaica. O
único lugar da zona Oriental que surgia incluído na Jerusalém judaica era o
Monte Scopus17. Assim, e apesar de nunca excluírem
completamente a sua pretensão em relação à totalidade de Jerusalém, os Judeus
veem-se forçados a recorrer ao pragmatismo da divisão para tentarem ficar com pelo
menos uma parte da cidade. É certo que esta proposta de partilha surgiu num
contexto de discordância em relação à Comissão Peel – na qual o Estado Judaico
não teria qualquer soberania sobre Jerusalém – mas denota as preferências da
Organização Sionista. Aparentemente a Organização teria tendência para preferir
incluir o Monte Scopus (onde estava localizada a Universidade Hebraica), apesar
da sua problemática localização, em vez de lugares como a Cidade Velha ou o
Muro das Lamentações. A preferência pelo Monte Scopus deveu-se a dois fatores:
ser estratégico em relação às posições árabes e britânicas e os líderes
sionistas ainda estarem muito empenhados em construir alternativas simbólicas
dentro da cidade judaica que privilegiassem a Jerusalém moderna que queriam
edificar, em oposição à Jerusalém antiga.
A proposta de partilha acabou por não
ter qualquer consequência prática e no período que se seguiu até 1939 os
conflitos agravam-se. Nesse ano os ingleses publicam um Livro Branco na sequência
do qual restringem a imigração de judeus e a compra de terras por eles, com exceção
de uma pequena faixa junto ao litoral.
Durante a Segunda Guerra Mundial o
conflito entre árabes e judeus sofre uma acalmia e a Agência Judaica prossegue com
dificuldade a colonização do território. Nessa altura é feita uma primeira tentativa
de colonizar o Negev. Churchill manifesta a Weizmann a simpatia pela ideia que
os judeus possam ficar com toda a Palestina. Apesar da simpatia vigoravam as
ideias do Livro Branco de 1939 e devido à Guerra a questão da Palestina deixara
de ser uma prioridade para os Britânicos. Só com o fim do conflito em 1945
renasceu a esperança sionista de que o Estado Judaico passasse a fazer parte da
agenda internacional.
Nos anos de 1945 e 1946 os ingleses não
alteraram substancialmente a sua política em relação à Palestina: o Livro
Branco de 1939 continuou em vigor e a ideia de criar um Estado Judaico perdia
entusiasmo quer entre os Conservadores, quer entre os Trabalhistas. Neste
quadro grupos como Irgun e o Stern, ligados ao Sionismo Revisionista,
intensificaram a sua atividade perpetrando atentados contra os ingleses.
Em 1946 o governo trabalhista britânico
desfere um golpe nas aspirações sionistas ao anunciar um novo plano de partilha
– o Plano Morrison. O Plano Morrison dividia a Palestina em três áreas: a primeira, correspondendo a 43% do território do Mandato e incluindo Jerusalém,
permaneceria sob controlo direto britânico; a segunda, 40% do território, seria
uma região autónoma árabe; e a terceira, os restantes 17%, passaria a ser uma
região autónoma judaica. As três permaneceriam sob o controlo britânico Os
judeus rejeitaram imediatamente o Plano Morrison, considerando que a área era muito
reduzida, deixando de fora muitas áreas judaicas18,e não previa a
independência de um Estado Judaico.
No final de 1946 a situação dos Judeus na Palestina era de quase desespero: o Livro Branco restringia a imigração e a chegada dos refugiados que sobreviveram ao Holocausto e a instituição de qualquer entidade soberana tardava - situação agravada pelo anúncio do Plano Morrison. Perante este cenário, os líderes sionistas - Weizmann e Ben-Gurion – recorrendo a um extremo pragmatismo, prepararam-se para aceitar a partilha do território, mesmo que tal implicasse um Estado Judaico numa área menor do que aquela que era reivindicada.
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No final de 1946 a situação dos Judeus na Palestina era de quase desespero: o Livro Branco restringia a imigração e a chegada dos refugiados que sobreviveram ao Holocausto e a instituição de qualquer entidade soberana tardava - situação agravada pelo anúncio do Plano Morrison. Perante este cenário, os líderes sionistas - Weizmann e Ben-Gurion – recorrendo a um extremo pragmatismo, prepararam-se para aceitar a partilha do território, mesmo que tal implicasse um Estado Judaico numa área menor do que aquela que era reivindicada.
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Notas
14 - GILBERT, Martin, História de Israel, p.64-66
15 - ZAIDA, Sufian Abu, The Zionist Approach to Jerusalém from 1897-1937
16 - GILBERT, Martin, História de Israel, p. 109.
17 - PAZ, Yair, The Zionist Movement and East Jerusalem.
18 - GILBERT, Martin, História de Israel, p.161.
15 - ZAIDA, Sufian Abu, The Zionist Approach to Jerusalém from 1897-1937
16 - GILBERT, Martin, História de Israel, p. 109.
17 - PAZ, Yair, The Zionist Movement and East Jerusalem.
18 - GILBERT, Martin, História de Israel, p.161.
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sábado, 25 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Podia ter-lhe chamado estivador ou professor
Palhaço foi o que lhe veio à cabeça, mas podia ter-lhe chamado professor (do secundário) ou estivador. Tudo profissões pelas quais Miguel Sousa Tavares tem elevada consideração. O que estes escritores fazem para venderem livros.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O Estado Socialista
O líder da oposição acaba de ter mais uma brilhante ideia, bem ao estilo do pensamento mágico que domina o Partido Socialista: transformar em capital social as dívidas das empresas ao Estado. Diz António José Seguro que é para as salvar e que não custará um cêntimo aos contribuintes.
A viabilidade económica da coisa salta à vista dos mais atentos, tal como os milhares de boys que seriam necessários para administrar tanto capital social. Mas para a maioria não é assim tão evidente: estas loucuras são sempre anunciadas de forma muito apelativa e simples, para que os tolos as engulam à hora do telejornal.
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A doxa
Depois de se receber grande parte do dinheiro denuncia-se o acordo. Portugal é um país cheio de gente séria e responsável, que só chegou à bancarrota por causa dos malvados dos políticos.
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sábado, 18 de maio de 2013
Não há no Governo um Dr. Portas que os defenda?
Salários da Função Pública com corte de 4%. O Jornal Expresso só se esqueceu de referir que se trata de mais um corte a somar a todos os outros e que os funcionários públicos não têm um ministro de Estado & dos Negócios Estrangeiros que os defenda. O cisma do funcionalismo público pelos vistos não incomoda ninguém.
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O Sionismo e Jerusalém - Parte 3
Do início da
Primeira Guerra Mundial até 1928
Notas
9 – MONTEFIORE, Simon Sebag, Jerusalém, a biografia, p.457,458.
PARTE 1, PARTE 2
A
atitude do movimento sionista em relação a Jerusalém começou a mudar no
início da Primeira Guerra Mundial. Em 1914 a Organização Sionista Mundial mudou
o Escritório Sionista (também conhecido Eretez Yisrael Office) de Jaffa para
Jerusalém. A transferência da sede
sionista para Jerusalém indicia que por esta altura o movimento sionista já pretendia
a posse da cidade e lhe conferia um estatuto de capital, embora ainda não o
afirmasse de forma explícita. O facto de Jerusalém ser o maior núcleo
populacional judaico em todo o território da Palestina não terá sido também alheio
a esta mudança.
Na sequência da declaração Balfour (1917), na qual o Governo Britânico se declarou favorável ao estabelecimento na Palestina de um Lar Nacional para o Povo Judeu, é criada a Comissão Sionista para a Palestina (1918), que à semelhança do sucedido com o Escritório Sionista, também se instalou em Jerusalém. O seu presidente, Chaim Weizmann, passou a assim a residir na cidade, sendo o primeiro grande dirigente sionista viver permanentemente na Palestina e particularmente em Jerusalém. Weizmann ficou impressionando com estado da cidade e com as condições em vivia a população judaica.
A mudança física, e já ideológica, para Jerusalém, foi possível não só pelo quadro criado pela Declaração Balfour – que para além do reconhecimento do direito a uma Lar Nacional na Palestina, permitia a criação de instituições nacionais judaicas – mas também pelo facto de a Grã-Bretanha ter conquistado a Cidade Santa em finais de 1917. A conquista de Jerusalém transferiu para a cidade a sede do poder na Palestina, acrescentado importância política à importância religiosa9.
Chaim Weizmann foi um dos grandes impulsionadores da mudança de atitude do movimento sionista em relação a Jerusalém, porque percebeu melhor do que Herlz e outros dirigentes seculares, a importância de Jerusalém e a forte ligação existente entre os judeus e a cidade. Weizmann sempre entendeu que era importante fortalecer essa ligação e bateu-se ao longo de sucessivos congressos sionistas por um projeto que viria a influenciar a abordagem do movimento sionista face a Jerusalém: o da criação de uma universidade hebraica no território da Palestina.
A ideia de criar uma Universidade judaica na Palestina já existia desde o início do século XX e rapidamente passou a fazer parte do pensamento dos sionistas. As discussões que originou dentro do movimento sionista, sobre a sua necessidade e localização, influenciaram a mudança de atitude dos dirigentes sionistas face à cidade de Jerusalém. Em 1914 dá-se um importante passo quando apoiantes do plano de criação da universidade hebraica conseguem a opção de compra de um terreno no monte Scopus em Jerusalém, adquirindo assim a primeira parcela de terreno para a Universidade Judaica em Jerusalém10. A transação só viria no entanto a acorrer em Janeiro de 1918, após a Declaração Balfour e a conquista britânica de Jerusalém.
O processo de construção da Universidade decorreu entre 1918 e 1925 e esteve relacionado com o reconhecimento gradual da importância de Jerusalém. Com uma Universidade daquela dimensão Jerusalém tornou-se mais judaica e ao mesmo tempo mais secular e moderna – facto que foi de encontro às características dos líderes sionistas mais reticentes em relação à cidade. Não foi por acaso que em 1919 a Comissão Sionista reivindicava já uma parcela de território para a estabelecimento do Lar Nacional Judaico que se estendia pelas duas margens do rio Jordão e na qual Jerusalém configurava11.
Em 1919 e 1920 Jerusalém passou a ser uma preocupação da Comissão Sionista e do seu novo presidente, Menachem Ussishkin. Ussishkin receava o isolamento dos judeus de Jerusalém se não se estabelecessem uma série de colónias judaicas entre Jerusalém e a costa. Assim, a colonização desta zona, que viria ser conhecida como o Corredor de Jerusalém, tornou-se numa das prioridades da Comissão Sionista12 e demonstra que no início dos anos 20 já era ideia dos sionistas integrar Jerusalém no futuro Lar Nacional Judaico.
Em 1921 o 12º Congresso Sionista decidiu criar um Executivo Sionista que substituiu a Comissão Sionista, e manteve-o em Jerusalém. Um ano depois, em 1922, a Liga das Nações confere aos britânicos um mandato para administrarem a Palestina e confirma a promessa britânica de criação de um Lar Nacional Judaico na Palestina. A Liga da Nações aceita também a criação de uma Agência Judaica para servir de autoridade à população judaica da Palestina. O Mandato Britânico, como ficou conhecido, é estabelecido em 1923 e fez de Jerusalém a sua capital. Devido à falta de meios a Agência Judaica só seria formada em 1929, pelo que na prática, e até essa data, a autoridade para os judeus na Palestina continua a ser exercida o Executivo Sionista. A Agência Judaica, uma vez formada, estabeleceu-se também em Jerusalém.
Apesar de todos estes eventos terem contribuído para uma mudança de atitude em relação a Jerusalém, o Executivo Sionista ainda era algo ambíguo em relação à totalidade da cidade, continuando a preferir as zonas mais novas, principalmente no oeste, em detrimento dos locais históricos e sagrados e dos habitados maioritariamente por judeus sefarditas pobres que eram completamente desligados da ideologia dominante no movimento sionista13.
_________________________________Na sequência da declaração Balfour (1917), na qual o Governo Britânico se declarou favorável ao estabelecimento na Palestina de um Lar Nacional para o Povo Judeu, é criada a Comissão Sionista para a Palestina (1918), que à semelhança do sucedido com o Escritório Sionista, também se instalou em Jerusalém. O seu presidente, Chaim Weizmann, passou a assim a residir na cidade, sendo o primeiro grande dirigente sionista viver permanentemente na Palestina e particularmente em Jerusalém. Weizmann ficou impressionando com estado da cidade e com as condições em vivia a população judaica.
A mudança física, e já ideológica, para Jerusalém, foi possível não só pelo quadro criado pela Declaração Balfour – que para além do reconhecimento do direito a uma Lar Nacional na Palestina, permitia a criação de instituições nacionais judaicas – mas também pelo facto de a Grã-Bretanha ter conquistado a Cidade Santa em finais de 1917. A conquista de Jerusalém transferiu para a cidade a sede do poder na Palestina, acrescentado importância política à importância religiosa9.
Chaim Weizmann foi um dos grandes impulsionadores da mudança de atitude do movimento sionista em relação a Jerusalém, porque percebeu melhor do que Herlz e outros dirigentes seculares, a importância de Jerusalém e a forte ligação existente entre os judeus e a cidade. Weizmann sempre entendeu que era importante fortalecer essa ligação e bateu-se ao longo de sucessivos congressos sionistas por um projeto que viria a influenciar a abordagem do movimento sionista face a Jerusalém: o da criação de uma universidade hebraica no território da Palestina.
A ideia de criar uma Universidade judaica na Palestina já existia desde o início do século XX e rapidamente passou a fazer parte do pensamento dos sionistas. As discussões que originou dentro do movimento sionista, sobre a sua necessidade e localização, influenciaram a mudança de atitude dos dirigentes sionistas face à cidade de Jerusalém. Em 1914 dá-se um importante passo quando apoiantes do plano de criação da universidade hebraica conseguem a opção de compra de um terreno no monte Scopus em Jerusalém, adquirindo assim a primeira parcela de terreno para a Universidade Judaica em Jerusalém10. A transação só viria no entanto a acorrer em Janeiro de 1918, após a Declaração Balfour e a conquista britânica de Jerusalém.
O processo de construção da Universidade decorreu entre 1918 e 1925 e esteve relacionado com o reconhecimento gradual da importância de Jerusalém. Com uma Universidade daquela dimensão Jerusalém tornou-se mais judaica e ao mesmo tempo mais secular e moderna – facto que foi de encontro às características dos líderes sionistas mais reticentes em relação à cidade. Não foi por acaso que em 1919 a Comissão Sionista reivindicava já uma parcela de território para a estabelecimento do Lar Nacional Judaico que se estendia pelas duas margens do rio Jordão e na qual Jerusalém configurava11.
Em 1919 e 1920 Jerusalém passou a ser uma preocupação da Comissão Sionista e do seu novo presidente, Menachem Ussishkin. Ussishkin receava o isolamento dos judeus de Jerusalém se não se estabelecessem uma série de colónias judaicas entre Jerusalém e a costa. Assim, a colonização desta zona, que viria ser conhecida como o Corredor de Jerusalém, tornou-se numa das prioridades da Comissão Sionista12 e demonstra que no início dos anos 20 já era ideia dos sionistas integrar Jerusalém no futuro Lar Nacional Judaico.
Em 1921 o 12º Congresso Sionista decidiu criar um Executivo Sionista que substituiu a Comissão Sionista, e manteve-o em Jerusalém. Um ano depois, em 1922, a Liga das Nações confere aos britânicos um mandato para administrarem a Palestina e confirma a promessa britânica de criação de um Lar Nacional Judaico na Palestina. A Liga da Nações aceita também a criação de uma Agência Judaica para servir de autoridade à população judaica da Palestina. O Mandato Britânico, como ficou conhecido, é estabelecido em 1923 e fez de Jerusalém a sua capital. Devido à falta de meios a Agência Judaica só seria formada em 1929, pelo que na prática, e até essa data, a autoridade para os judeus na Palestina continua a ser exercida o Executivo Sionista. A Agência Judaica, uma vez formada, estabeleceu-se também em Jerusalém.
Apesar de todos estes eventos terem contribuído para uma mudança de atitude em relação a Jerusalém, o Executivo Sionista ainda era algo ambíguo em relação à totalidade da cidade, continuando a preferir as zonas mais novas, principalmente no oeste, em detrimento dos locais históricos e sagrados e dos habitados maioritariamente por judeus sefarditas pobres que eram completamente desligados da ideologia dominante no movimento sionista13.
Notas
9 – MONTEFIORE, Simon Sebag, Jerusalém, a biografia, p.457,458.
10 – GILBERT, Martin, História de
Israel, p.46.
11 – BARNAVI, Élie, História Universal
dos Judeus, p.203.
12 – GILBERT, Martin, História de
Israel, p.63.
13 – PAZ, Yair, The Zionist Movement and East Jerusalem,
PARTE 1, PARTE 2
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sexta-feira, 17 de maio de 2013
Israel do passado
Maio de 1950: tem início a Operação Ezra e Nehemiah (também conhecida com Operação Ali Baba) que transportou por via aérea entre 120 a 130 mil judeus iraquianos para Israel.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Haredim contra a reforma do alistamento militar
30 mil haredim manifestaram-se hoje em Jerusalém contra a reforma do alistamento militar. O protesto teve lugar em frente a um centro de recrutamento e rapidamente resultou em confrontos com a polícia, ferindo oito agentes. Em causa estão as propostas de reforma da lei do alistamento militar que estão a ser trabalhadas pelo Comité Peri.
O alistamento dos judeus haredim no IDF é um assunto muito polémico e sensível em Israel. Tradicionalmente estes judeus, como estudantes das Yeshivas, estavam isentos de cumprir o serviço militar obrigatório. Em 2012 o Supremo Tribunal declarou inconstitucional a lei que lhes concedia a isenção. Depois disso foram feitas várias tentativas sem sucesso para aprovar legislação que equipare o serviço militar dos haredim aos dos restantes cidadãos de Israel. Mais recentemente, em abril, um comité ministerial dirigido pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Yaakov Peri, começou a trabalhar numa nova proposta e anunciou que apresentaria na Knesset um projeto de lei para que todos os cidadãos dividam igualmente a carga do serviço militar.
Se fosse 'neoliberal' estava no Index
A ideia peregrina de pôr os jovens a lerem a Constituição nas escolas só surgiu porque a Constituição é socialista. Se a Constituição fosse 'neoliberal' a esquerda demagoga e populista já a teria banido e colocado no Index.
A deputada Heloisa Apolónia, que é uma das paladinas contra o excesso de trabalho que os professores atualmente têm (e que é real), pelos vistos não tem o mínimo pudor em lhes arranjar mais uma tarefa: a do ensino ideológico.
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quarta-feira, 15 de maio de 2013
Pallywood
Fotografia do ano da World Press Photo pode ser uma fraude.
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