terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Onde é que você estava no 25 de Abril?

«Não podemos esperar pela recuperação económica para reduzir o défice orçamental», disse o governador do Banco de Portugal.
Constâncio está de saída, ao que parece para um exílio dourado, mas só agora reparou que o governo socialista deixou crescer um défice orçamental gigantesco. Durante meses, assistiu em silêncio à degradação das contas do estado. Com isso deu a sua caução a todos os disparates feitos pelo governo, desde a justificação apresentada pelo primeiro-ministro para o crescimento do défice, "promover o investimento público para acelerar a recuperação económica", até aos sucessivos anúncios do fim da recessão. A tudo isto Constâncio disse zero. Agora, com o maior dos à vontades, vem contrariar tudo aquilo que caucionou, admitindo não só que o aumento do défice não provocou a recuperação económica, como também que a recuperação económica não existe. O que andou Constâncio a fazer durante o ano de 2009? Onde é que ele esteve? Poder-se-ia dizer que andou a supervisionar a actividade bancária, mas pelos casos que se conhecem, não foi com isso que ocupou as tardes. Constâncio passou este tempo todo a fazer um grande favor ao Governo (coisa alias que já faz desde o famoso défice de 6,83%): não só anuiu na loucura despesista dos socialistas, como agora aparece a preparar o terreno para as correcções difíceis que terão de ser feitas.
José Sócrates só corrige as contas do Estado depois de mandar o Governador do Banco de Portugal dizer que é preciso corrigi-las. Constâncio, como bom pau mandado que é, tem-lhe feito a vontade.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Campeões do abandono escolar

Um em cada quatro alunos que abandona a escola secundária no Luxemburgo é português, revela um estudo do Ministério da Educação luxemburguês, acrescentando que o abandono escolar entre os alunos portugueses aumentou 5%.
Este estudo deixa bem patente duas coisas. A primeira é o manifesto desinteresse com que os portugueses encaram a escola, sempre esquivos ao estudo e ao trabalho; a segunda é que ainda não chegaram ao Luxemburgo as medidas educativas do governo Sócrates: computadores, planos de recuperação, planos de acompanhamento, projectos curriculares de turma, projectos curriculares de agrupamento, competências gerais e específicas, adaptações curriculares, diferenciação pedagógica, programas educativos individuais, estatuto do aluno, estatuto do professor, provas de recuperação, planos de desenvolvimento, área de projecto, estudo acompanhado, formação cívica, educação sexual, "escola inclusiva", enfim todo um mundo de pedagogice que enterrou definitivamente o ensino em Portugal.
Se o governo do Luxemburgo adoptar as mesmas medidas que o governo de Sócrates adoptou, os alunos portugueses regressarão, mas nessa altura deixará de haver escola. Existirá o que em Portugal tem esse nome mas não o é: um gigantesco depósito de alunos indisciplinados, cheio até a cima de papeis com frases bonitas e títulos pomposos, onde o trabalho, o estudo, e os conteúdos disciplinares, são remetidos para uma pequena linha de rodapé. Um mero pormenor.
Por enquanto o Luxemburgo ainda goza das vantagens do abandono escolar, pelo menos lá, os "cábulas" não andam a atrapalhar o transito.

Missão inacabada

Ariel Sharon entrou em coma há 4 anos, acabou dessa forma dramática a sua longa carreira. Uma carreira dedicada a servir Israel, primeiro como militar e depois como político.
Enquanto militar, Sharon participou em todas as guerras até à do Yom Kippur. Na da independência, em Maio de 1948, ficou gravemente ferido na Batalha de Latrão, lançada para furar o bloqueio a Jerusalém. Na Campanha do Sinai (Outubro de 1956) distinguiu-se ao comandar os para-quedistas na Batalha de Mitla. Mais tarde, na Guerra dos Seis Dias (1967) e na do Yom Kippur (1973), dirigiu de forma brilhante o sector sul do exercito.
A passagem para a política ocorreu em 1973, com a formação do Partido Likud. Numa famosa conferência de imprensa, Ariel Sharon rasga o cartão de militante do Mapai (trabalhista) e apela a formação do Likud. A politica israelita nunca mais foi a mesma. É eleito deputado em 1974, e nomeado ministro da Agricultura em 1976, no governo de coligação Trabalhista-Likud. Depois da vitoria eleitoral do Likud (1978), sobe a ministro da Defesa (1981) para um conturbado mandato de dois anos, marcados pela operação Paz na Galileia, a única guerra que comandou politicamente. Foi de seguida demitido, como consequência das conclusões da comissão de inquérito às operações levadas a cabo no Líbano, mas voltaria ao governo um ano depois, como ministro do Comercio. Sol de pouca dura, pois com o regresso dos trabalhistas ao poder, Sharon mal teve tempo de aquecer o lugar. Desde essa altura, até ser eleito primeiro-ministro, em Fevereiro de 2001, as entradas e saídas do governo sucedem-se ao ritmo dos ciclos eleitorais: é ministro das Obras Públicas e do Ordenamento do Território (1990-1992), ministro das Infra-Estruturas (1996) e ministro dos Negócios Estrangeiros (1998).
No cargo de primeiro-ministro, Sharon protagonizou uma das maiores reviravoltas de sempre na política israelita, ao concretizar a retirada unilateral da Faixa de Gaza. Tal atitude, valeu-lhe um motim interno no seu partido, o Likud, facto que o fez sair e fundar o Partido Kadima.
O Partido Kadima é talvez o maior legado que Sharon deixa a Israel, pois é a materialização das suas ideias em relação ao futuro do país: continuar a ser um estado judaico e uma democracia. Sharon percebeu que se Israel quiser manter estas duas condições, não pode governar e ocupar outro povo. Essa foi a principal linha condutora da sua actuação enquanto chefe do governo, para isso, avançou não só com a retirada da Faixa de Gaza, mas também com a construção de um muro de protecção entre Israel e os Territórios, embrião da futura fronteira entre os dois estados.
O acidente vascular cerebral que sofreu há 4 anos, para além do drama pessoal e familiar que provocou, teve como principal consequência a indefinição da posição israelita nas negociações com os palestinianos, e o consequente retrocesso da linha de rumo que havia traçado. Ariel Sharon deixou a meio uma ideia de país, que só outro visionário como ele poderá levar a cabo. É uma ideia inacabada, e inacabada deverá continuar, pois no governo de Israel já não há gente assim.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Situação explosiva

Cavaco vê aquilo que muita gente vê. Mas num país governado por uma cigarra, de pouco adianta. A propósito, por onde andará ela?

Israel do passado

Tel Aviv depois de uma chuvada, 1952

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010

Bom ano de 2010 a todos os leitores do Lisboa - Tel Aviv.

Pior frase do ano pela pior figura da década

José Sócrates, numa acção de propaganda do Programa "Novas Fronteiras", Porto, 22 de Julho de 2009.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A guarda pretoriana

Os reformados tornam-se nos novos peritos em "professores" e "avaliação de professores". A julgar pelas intervenções desta tarde na Opinião Pública da SIC Notícias, devem andar a tirar um curso sobre o assunto. Repetiram até a náusea os insultos e as mentiras que o Governo de Sócrates usou para combater os professores. A inveja social de algumas pessoas, em relação a determinadas classes, é cada vez mais a guarda pretoriana dos socialistas.
Pelo menos em duas coisas o Governo consegue atingir os seus objectivos: mediocrizar a sociedade e atirar os portugueses uns contra os outros.

Fotos da década que termina no final de 2010

Soldados israelitas choram a morte do seu companheiro Alex Mashavky, Beersheba, 7 de Janeiro de 2009

Ataque terrorista palestiniano na central de autocarros, Tel Aviv, 17 de Abril de 2006

Rapaz israelita furioso com a desocupação da Faixa de Gaza, Sinagoga de Gush Katif, 18 de Agosto de 2005

Israelitas enfrentam a polícia durante a desocupação da Faixa de Gaza, Neve Dekalim, 18 de Agosto de 2005

Haredim luta contra uma escavadora, Kibbutz Regavim, 14 de Abril de 2005

Polícia israelita num tumulto junto ao muro de protecção, Judeia, 20 de Junho de 2004

Ariel Sharon tenta ver por uns binóculos ainda tapados, Tel Aviv, 7 de Janeiro de 2003

Polícia israelita e palestiniano enfrentam-se, Jerusalém, 13 de Outubro de 2000

Ehud Barak empurra Yasser Arafat, Cimeira de paz de Camp David, 11 de Julho de 2000
Fotos da Reuters.

Central dessalinizadora de Hadera prestes a arrancar

Será a maior central dessalinizadora do mundo, situa-se em Hadera e está prestes a começar a sua actividade. O Ministério da Saúde já aprovou a qualidade da água e em breve a central começará a bombear água dessalinizada para a Mekorot, a companhia nacional de água de Israel.
Esta nova central vem reforçar as outras duas já em funcionamento, a de Ashkelon e a de Palmachim, e irá aliviar em muito o problema das reservas de água do país, pois terá um capacidade de dessalinização de 300 milhões de metros cúbicos/ano.
A reserva mais aliviada será o Lago Kineret (Mar da Galileia), de onde todos os dias são retirados 1,7 milhões de metros cúbicos de água, que escoam através do Aqueduto Kineret-Negev. Este famoso aqueduto foi em parte responsável pelo florescimento da agricultura israelita, pois está conectado com os sistemas de rega mais avançados do mundo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O que dizem os outros

Um blogue a seguir: o Socratinices. Um autêntico arquivo do pior que o socretinismo fez a Portugal.

Grandes ícones da propaganda socretina

Os tão gabados estádios do Euro 2004, aqueles que eram um "investimento público" decisivo e necessário ao desenvolvimento do país, começam a apresentar os balancetes. O Estádio de Leiria é um deles: orçado inicialmente em 19,5 milhões de euros, já vai em 90 milhões. Como se isso não bastasse, tem despesas de manutenção na ordem de 5 mil euros/dia, quase 2 milhões/ano. Ninguém em Portugal é julgado no pelourinho?

Afinal Gaza também tem fronteira com o Egipto

E tem mar, aeroporto e tudo quanto há. Se calhar até um muro por ali se encontra.

Grandes ícones da propaganda socretina

1 milhão e 250 mil euros foi quanto o Estado investiu, há mais de um ano, naquilo que dizia ser um projecto pioneiro, em termos mundiais, no campo das energias alternativas. O Parque de Ondas da Aguçadoura foi propagado aos quatro ventos e teve direito a ministro. 15 meses depois o resultado é este.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Partido Kadima rejeita entrada no governo

O Partido Kadima rejeitou por unanimidade a proposta de Benjamin Netanyahu para se juntar à coligação governamental. O partido considerou a proposta arrogante e acusou o primeiro-ministro de falta de honestidade.
A proposta de Netanyahu tinha claramente como propósitos cindir o maior partido israelita, e depois enfraquecer a parte que entrasse no governo. Aparentemente teve o efeito contrário: não só o Partido Kadima se uniu em torno da rejeição da proposta, como dentro do Partido Likud já há quem se demarque de Netanyahu. É o caso de Michael Eitan, que declarou que este tipo de manobras não fazem sentido e não são saudáveis, nem para o Estado de Israel, nem para a democracia.
Depois de ter visto a sua posição favorecida, devido a tentativa de emissão de um mandato de captura por parte de um juiz inglês, Tzipi Livni saiu mais uma vez reforçada ao conseguir fazer frente a mais um ataque que visava a divisão do seu partido. Tal feito, reforça-a não só perante o país, mas também perante os adversários internos, como é o caso de Shaul Mofaz, número dois do Kadima.

Propaganda x realidade

Música de Israel


Knesiyat Ha'sechel (The Mind Church), Tnu lilishtot

domingo, 27 de dezembro de 2009

O abraço do urso

O primeiro-ministro Netanyahu propôs ontem à líder da oposição, Tzipi Livni, a entrada do Partido Kadima no governo. A proposta contemplava a oferta de 2 ministérios a este partido: Livni teria uma pasta relacionada com a segurança, e Shaul Mofaz (número 2 do Kadima) seria ministro sem pasta.
Trata-se de mais uma manobra de Netanyahu para dividir o maior partido politico israelita. Desde que iniciou funções tem tentado, sem sucesso, cindir o Partido Kadima. Já por várias vezes propôs a entrada da líder da oposição no governo, chegando a oferecer-lhe 7 ministérios. A estratégia é simples: Livni entra, mas quem continua a mandar é ele. Desta forma Netanyahu concentra em si todos os poderes, e alberga de baixo das suas asas todos os líderes políticos israelitas: Livni, Barak, Lieberman e Yishai.
Por que não deve Livni aceitar integrar o Governo? Por vários motivos, a começar pelo facto de ter sido a mais votada nas eleições de Fevereiro. Ter o maior grupo parlamentar e não liderar o Executivo é um absurdo que poderá ter como consequência o desaparecimento do partido Kadima e o legado deixado por Ariel Sharon.
Só há duas maneiras de escapar ao abraço do urso: ou lidera firmemente a oposição, de maneira a poder substituir Netanyahu quando o governo dele cair, ou entra no Governo e influencia as políticas de maneira a que o centro de gravidade se desloque da direita para a esquerda. Ambas são difíceis de atingir e Livni poderá ter de escolher o menor dos males.

Distraiu-se

A ministra da saúde está preocupada com a saída dos profissionais de saúde do sistema público para o privado e afirma que vai trabalhar para aumentar o ânimo e a motivação dos funcionários do Serviço Nacional de Saúde.
É a primeira vez que Ana Jorge fala de um assunto que não seja a Gripe A, as vacinas, e o número de espirros que os doentes infectados dão. Deve ter sido distracção. Se a moda pega, ainda veremos o primeiro-ministro a esquecer-se das intrigas palacianas em que anda metido, e a começar a governar.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Boas Festas


Os funcionários do Aeroporto de Lisboa dão show. Ah ah ah. Achado aqui.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O que dizem os outros

Há um plano para imbecilizar as novas gerações?
Há sim. E esse plano tem sido desenhado e aplicado pelo Banco Mundial, OCDE, Comissão Europeia, Governo, ministros da educação, DGIDC, IGE, DRE, escolas e departamentos de educação e editoras de manuais escolares.
O plano persegue dois objectivos: tornar a educação pública mais barata e fornecer mão-de-obra dócil, conformada e ignorante para uma economia centrada em serviços rotineiros, com pouco valor e sem nenhuma criatividade. No mercado mundial globalizado, é esse o papel que cabe a Portugal no concerto das Nações.
As escolas e os departamentos de educação colaboram de duas formas: baixando os níveis de exigência à entrada dos cursos de formação de professores e oferecendo curricula carregados de generalidades e transdisciplinaridades vazias de conteúdos. Ganham espaço nos planos de estudos coisas como estas: matemática criativa, matemática contextual, matemática para a vida, estudo da comunidade e outras irrelevâncias.
O Governo e os ministros da educação colaboram no plano afogando os professores em burocracia com o objectivo de impedir que eles pensem, façam autoformação científica e esqueçam a sua missão: transmitir a herança científica, artística, tecnológica e humanista às novas gerações. Em nome da defesa de uma falsa inovação educativa, as escolas são afogadas em constante legislação e permanentes reformas curriculares. Cada nova reforma introduz mais confusão e cria obstáculos ao cumprimento da missão do professor.
As editoras de manuais escolares colaboram no plano pondo no mercado livros de textos cheios de bonecos e com um nível de aprofundamento dos conteúdos cada vez mais baixo. Em vez dos manuais serem repositórios de conteúdos apresentados de forma rigorosa e didacticamente apropriada ao nível etário dos alunos, são monumentos ao eduquês, à novilíngua e à imbecilidade.
A IGE, a DGIDC e as DRE colaboram no plano impondo planos de recuperação e de acompanhamento e respectivos relatórios que, regra geral, não passam de repositórios do eduquês acompanhados de mentiras piedosas sobre a recuperação de alunos que necessitariam de abordagens mais directivas e ambientes escolares menos relaxados.
Por Ramiro Marques, no ProfBlog.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Israel do passado

Jerusalém, neve na Rua Ben Yehuda, década de 50.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cretinismo quinzenal

De 15 em 15 dias os portugueses assistem a um exercício de puro cretinismo por parte do primeiro-ministro. No dia em que vai debater à Assembleia da República, José Sócrates faz invariavelmente o mesmo: não só não responde a nada do que lhe é perguntado, como ainda tem tempo para lançar cortinas de fumo sobre a sua governação.
No debate de hoje brindou mais uma vez os deputados com dois assuntos pré-fabricados: "os dois orçamentos" e a "irresponsabilidade da oposição" em aprovar quebras de receita.
O primeiro não existe, pois orçamento só há um, o de 2009, que foi rectificado com os votos da Oposição. Não se percebe por isso, por que é que nenhum deputado levanta a voz para perguntar ao primeiro-ministro que orçamentos são esses, e de que assunto está ele a falar.
O segundo existe, mas as quantias em causa referem-se a 2 dias de aumento do buraco orçamental, que sobe a uma ritmo de 1,6 milhões de euros por hora. Algo de errado se passa na Assembleia da República, pois os deputados deixam-se responsabilizar por um aumento de 80 milhões de euros no défice, mas não responsabilizam o governo e o primeiro-ministro por um buraco de 14 000 milhões.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Livni na BBC


Tzipi Livni em declarações à BBC, a propósito da tentativa de emissão de um mandato de captura de que foi alvo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Chiu!

Não critiquem, não comentem, não falem e nem sussurrem sobre qualquer assunto do Governo, se não os socialistas ficam ofendidos e ainda atiram com a toalha ao chão. Todos quietos, não se mexam!