O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, vai estar amanhã em Trípoli para as comemorações do aniversário do coronel Muammar Khaddafi no poder.Um autêntico despudor a forma como o governo português expõe as suas novas amizades. Um dia com Chavez, no outro com Khaddafi, nenhum deles lhe parece causar vergonha ou repulsa.
De Chavez já tudo se disse, mas de Khaddafi o tempo tem jogado a seu favor, apagando da memória colectiva o que é este homem e o que representa. Instalado ilegitimamente no poder desde 1969, Khaddafi lidera uma ditadura que apoiou e patrocinou o terrorismo internacional. Sobreviveu a tudo, quer à queda do muro de Berlim, quer às sanções internacionais. Nada o fez cair. E nada do que fez parece incomodar o primeiro-ministro português, que deixa o seu ministro da defesa comparecer a uma cerimónia que visa precisamente comemorar a tomada não democrática do poder.
A realpolitik obriga a que se tenham relações com determinados estados, mas dai a ir a cerimónias de comemoração vai uma grande distância. O que o ministro português vai fazer, equivale a uma vinda a Lisboa, durante a década de 60, para comemorar o poder de Salazar. Com uma diferença, é que Salazar ao pé de Khaddafi era um menino de coro.
















