The Idan Raichel Project, Shalomot Shel Acherim
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O que dizem os outros
"Há mais de um ano que a principal linha de actuação da política externa israelita é enfatizar a ameaça nuclear iraniana e, assim, alastrar a percepção da ameaça a outros países, de modo a envolvê-los nessa “sua” luta. Claro que esta luta, em rigor, não é só sua, mas é também claro que em mais lado nenhum do mundo a percepção da ameaça é tão latente. A percepção é maior, mas será a ameaça, em si, também maior?
Ahmedinejad tem feito a sua parte neste processo de crescimento de tensão. As percepções de ameaça são fenómenos sociais muito complexos, e em Israel são extremamente exacerbados – mas com mais justificação do que por vezes se faz crer. Em “1967: Israel, the War and the Year that Transformed the Middle East”, Tom Segev relata de forma impressionante o clima vivido em Israel desde os finais de 1966 até ao início de Junho de 1967, às vésperas da Guerra dos Seis Dias. Era uma atmosfera de medo socialmente transversal, com um crescimento progressivo que fez com que, nos primeiros dias de Junho desse ano, o ataque preventivo israelita fosse já mais provável do que o ataque dos vizinhos árabes. Nestes processos de escalada, uns embarcam, outros não.
Netanyahu tem tentado convencer Obama da ameaça iminente que um Irão nuclear representa. Obama sabe disso, mas as soluções que adopta são diferentes das que Netanyahu deseja. Mas se fosse outro o Presidente americano? Em que ponto da escalada de tensão estaríamos agora, quando o tempo passa e Teerão avança no processo de nuclearização? A avaliação das posturas dos dois líderes vai para além da frase da praxe ”o futuro o dirá” – porque as atitudes de um líder moldam os acontecimentos. Esperemos que Obama esteja certo."
Por Bruno Oliveira Martins, no Blogue Tratados.
Netanyahu tem tentado convencer Obama da ameaça iminente que um Irão nuclear representa. Obama sabe disso, mas as soluções que adopta são diferentes das que Netanyahu deseja. Mas se fosse outro o Presidente americano? Em que ponto da escalada de tensão estaríamos agora, quando o tempo passa e Teerão avança no processo de nuclearização? A avaliação das posturas dos dois líderes vai para além da frase da praxe ”o futuro o dirá” – porque as atitudes de um líder moldam os acontecimentos. Esperemos que Obama esteja certo."
Por Bruno Oliveira Martins, no Blogue Tratados.
domingo, 18 de outubro de 2009
Shalev apresenta queixa à ONU
A Embaixadora de Israel na ONU, Gabriela Shalev, formalizou na passada semana uma queixa junto do Secretário-Geral daquela organização, por alegada violação da resolução 1701 por parte do Hezbollah.
Na queixa, a embaixadora refere que a recente explosão de uma casa no sul do Líbano, junto da qual foram fotografados camiões a carregar material militar, e a descoberta de um depósito de armas, demonstram claramente que a organização terrorista libanesa está a armazenar armas ilegalmente.
Outra das reclamações apresentadas, prende-se com o facto de o Hezbolah estar a utilizar aldeias e casas de civis para manipular armas e outros equipamentos militares, estando com isso claramente a utilizar civis como escudos humanos.
Gabriela Shalev reclamou ainda que deveria ser investigado se o exercito libanês está a colaborar na reorganização do Hezbolah, responsabilizando ainda o governo do Líbano por todos os incidentes ocorridos no seu território.
É curioso verificar que este tipo de queixas raramente tem eco na maioria da imprensa ocidental, preferindo alguma dela dar cobertura a outro tipo de incidentes.
Outra das reclamações apresentadas, prende-se com o facto de o Hezbolah estar a utilizar aldeias e casas de civis para manipular armas e outros equipamentos militares, estando com isso claramente a utilizar civis como escudos humanos.
Gabriela Shalev reclamou ainda que deveria ser investigado se o exercito libanês está a colaborar na reorganização do Hezbolah, responsabilizando ainda o governo do Líbano por todos os incidentes ocorridos no seu território.
É curioso verificar que este tipo de queixas raramente tem eco na maioria da imprensa ocidental, preferindo alguma dela dar cobertura a outro tipo de incidentes.
sábado, 17 de outubro de 2009
Tudo gente muito recomendável
O Conselho dos Direitos Humanos da ONU aprovou as conclusões do Relatório Goldstone, que acusam Israel de ter cometido crimes de guerra nas operações levadas a cabo na Faixa de Gaza no início deste ano.Votaram contra as conclusões: Estados Unidos, Itália, Holanda, Hungria, Eslováquia e Ucrânia.
Votaram a favor: China, Rússia, Egipto, Índia, Jordânia, Paquistão, África do Sul, Argentina, Bahrain, Bangladesh, Bolívia, Gana, Indonésia, Djibouti, Libéria, Qatar, Senegal, Brasil, Ilhas Maurício, Nicarágua e Nigéria.
A votação deste relatório é um bom exemplo de como há coisas que ultrapassam o decoro. Ver a China, a Rússia, ou a Indonésia, a condenar outro país por alegados crimes de guerra, ou ver os países árabes a julgar direitos humanos, seria anedótico, se não fosse grave.Votaram a favor: China, Rússia, Egipto, Índia, Jordânia, Paquistão, África do Sul, Argentina, Bahrain, Bangladesh, Bolívia, Gana, Indonésia, Djibouti, Libéria, Qatar, Senegal, Brasil, Ilhas Maurício, Nicarágua e Nigéria.
O objectivo é só um: condenar Israel. Para isso nomeia-se uma "investigação", que conclui aquilo que os proponentes declararam previamente. Depois é só fazer a votação, que é ganha facilmente pois os proponentes são maioritários, e deliberar contra o "investigado", que neste caso é Israel. Neste e nos outros todos, pois Israel é o alvo quase exclusivo da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Esta comissão é composta maioritariamente por países árabes e por ditaduras de 3º mundo, sempre diligentes a defender os seus irmãos palestinianos. É apenas mais um caso em que a ONU é utilizada de forma completamente parcial e a favor de umas das partes, contribuindo com isso para a sua cada vez maior descredibilização.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Separação
é o nome da série da televisão pública turca que está a deteriorar as relações entre Israel e a Turquia. Num excerto revelado pelas televisões israelitas, um militar encurrala uma menina palestiniana que tem apenas tempo para esboçar um sorriso antes de ser atingida no peito. Noutro, um recém-nascido é morto nos braços do pai. Há também imagens de pelotões de fuzilamento, de tanques a avançar sobre multidões e de velhos espezinhados nas ruas. O ministro dos negócios estrangeiros israelita, Avigdor Lieberman, já acusou a televisão e o governo turcos de incitamento ao ódio.
Recentemente outras duas situações azedaram a tradicional amizade entre Israel e a Turquia: no início desta semana o governo turco impediu a participação do exercito israelita nas manobras da NATO previstas para o seu território, e no ultimo Fórum Económico Mundial, o primeiro-ministro Erdogan fez uma manobra demagógica provocando uma discussão com o Presidente Shimon Peres.
Recentemente outras duas situações azedaram a tradicional amizade entre Israel e a Turquia: no início desta semana o governo turco impediu a participação do exercito israelita nas manobras da NATO previstas para o seu território, e no ultimo Fórum Económico Mundial, o primeiro-ministro Erdogan fez uma manobra demagógica provocando uma discussão com o Presidente Shimon Peres.
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Sócrates finge estar disponível para coligação
Como se esperava, o primeiro-ministro indigitado continua a seguir a estratégia da manhosice. Depois de ter passado quatro anos a governar com truques e manobras, volta agora a repetir a receita na formação do novo governo. Primeiro finge-se humilde e dialogante, depois recebe os partidos da oposição a quem propõe coligações, farto de saber que eles não as aceitam, e agora surge como o paladino da estabilidade e da responsabilidade, acusando os adversários de não estarem disponíveis para a "estabilidade política".Quando se está fingir, o fingimento tem de ser total. Como o PS não tem a menor intenção de se coligar com ninguém, finge-se disponível para se coligar com todos. Isso por si só é suficiente para ser aferir a credibilidade deste partido. Resta saber quando é que os portugueses se vão fartar deste tipo de malabarismos.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Acabou a anestesia
Está a acabar a anestesia que atinge Portugal desde o início de 2009. Dia após dia, vai sendo revelada a verdadeira situação da economia portuguesa. Desde as previsões do FMI que atiram o país para o último lugar da tabela dos países avançados, passando pelo procedimento levantado pela Comissão Europeia por défice excessivo, e acabando no reinício dos despedimentos em massa e na divulgação de passivos gigantescos nas empresas públicas, nada corresponde à propaganda difundida pelo governo.
No Partido Socialista, em vez de se trabalhar para inverter a situação, está a ser montada a estratégia para passar as responsabilidades para a oposição. O primeiro-ministro indigitado, que antes escondia a sua incompetência com propaganda, vai agora escondê-la vestindo a pele de vítima.
No Partido Socialista, em vez de se trabalhar para inverter a situação, está a ser montada a estratégia para passar as responsabilidades para a oposição. O primeiro-ministro indigitado, que antes escondia a sua incompetência com propaganda, vai agora escondê-la vestindo a pele de vítima.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Livni ao ataque
Na abertura da sessão de Inverno da Knesset, a líder da Oposição, Tzipi Livni, proferiu um discurso onde desferiu fortes criticas ao governo de Benjamin Netanyahu.Livni acusou o primeiro-ministro de ter apenas dois objectivos: sobreviver no Governo e não fazer nada. Acrescentando depois que o processo de paz está num impasse porque o Executivo está deliberadamente a protelar as decisões que têm de ser tomadas, e porque o primeiro-ministro tem humilhado os palestinianos e atacado o maior aliado de Israel, os Estados Unidos, isolando com isso o país na cena internacional.
A líder do Kadima acusou também Netanyahu de anti-sionismo e de cobardia política, por o primeiro-ministro não avançar claramente para uma solução de 2 estados, desvirtuando assim a natureza judaica do Estado de Israel.
Os histéricos deputados do Likud reagiram de forma violenta, tendo interrompido várias vezes o discurso, quer com protestos verbais, quer com ruído nas bancadas.
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domingo, 11 de outubro de 2009
Obrigar como?
"Com a atribuição do prémio Nobel da Paz, Barack Obama tem a obrigação de conseguir a paz na Palestina, obrigando Israel a aceitar a criação de um Estado palestiniano nos territórios ocupados e obrigando os palestinianos a aceitar a existência e a segurança de Israel. "
Vital Moreira, na Causa dele.
Fala-se em Barack Obama e algumas personagens, como Vital Moreira, entram em convulsão. Delírio completo. Desta vez, e a propósito da atribuição do Prémio Nobel da Paz ao presidente americano, VM resolveu especular sobre a "paz na Palestina". Especulação essa, que revela uma coisa e esconde outra.
Fica-se a saber que para VM, a atribuição de um Nobel da Paz serve para obrigar o laureado a fazer aquilo que ele [Vital] entende que deve ser feito. Seria no mínimo ridícula esta pretensão, se não soubesse já que não é para a levar a sério, e que se trata apenas de uma tentativa de justificar uma atribuição que não tem pés nem cabeça.
Fica-se sem perceber qual a forma defendida por VM, e que Obama deve usar, para obrigar israelitas e palestinianos a fazerem a paz. Será à bomba?
Vital Moreira, na Causa dele.
Fala-se em Barack Obama e algumas personagens, como Vital Moreira, entram em convulsão. Delírio completo. Desta vez, e a propósito da atribuição do Prémio Nobel da Paz ao presidente americano, VM resolveu especular sobre a "paz na Palestina". Especulação essa, que revela uma coisa e esconde outra.
Fica-se a saber que para VM, a atribuição de um Nobel da Paz serve para obrigar o laureado a fazer aquilo que ele [Vital] entende que deve ser feito. Seria no mínimo ridícula esta pretensão, se não soubesse já que não é para a levar a sério, e que se trata apenas de uma tentativa de justificar uma atribuição que não tem pés nem cabeça.
Fica-se sem perceber qual a forma defendida por VM, e que Obama deve usar, para obrigar israelitas e palestinianos a fazerem a paz. Será à bomba?
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sábado, 10 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Se até o Yasser Arafat o recebeu...

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Pobres e bem agradecidos
Poucas são as vozes, que contra o politicamente correcto e contra a ideologia dominante, se atrevem a questionar e a criticar o "Rendimento Mínimo". Nem toda a gente tem a coragem de desmontar do "Estado-Social" que está a ser construído pelos socialistas em Portugal. É cada vez mais impopular fazê-lo porque o número de dependentes é cada vez maior.
O "Estado-Social" promovido pelo partido do Governo assenta numa visão assistencialista e pouco responsabilizante. O objectivo é muito simples: votos. Os socialistas sabem perfeitamente que quanto mais coisas derem às pessoas, mais votos têm. E também sabem que quem controla os subsídios, controla os votos. Este é um dos grandes princípios do PS.
O outro está em curso nas escolas: nivelar por baixo, desresponsabilizar, infantilizar, facilitar. Só assim se consegue formar uma massa de gente acrítica que permita aos socialistas a manutenção do poder. O objectivo é apenas esse. Para isso, não hesitam em queimar uma geração inteira na escola e em criar um país de necessitados.
Pobres, ignorantes e bem agradecidos.
O "Estado-Social" promovido pelo partido do Governo assenta numa visão assistencialista e pouco responsabilizante. O objectivo é muito simples: votos. Os socialistas sabem perfeitamente que quanto mais coisas derem às pessoas, mais votos têm. E também sabem que quem controla os subsídios, controla os votos. Este é um dos grandes princípios do PS.
O outro está em curso nas escolas: nivelar por baixo, desresponsabilizar, infantilizar, facilitar. Só assim se consegue formar uma massa de gente acrítica que permita aos socialistas a manutenção do poder. O objectivo é apenas esse. Para isso, não hesitam em queimar uma geração inteira na escola e em criar um país de necessitados.
Pobres, ignorantes e bem agradecidos.
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Ada Yonath
A israelita Ada E. Yonath ganhou o prémio Nobel da Química. A distinção foi atribuída simultaneamente a dois outros cientistas americanos e deveu-se ao facto de os três terem estudado a estrutura dos ribossomas através de um método denominado cristalografia de raios-X, e ainda por terem cartografado cada um dos centenas de milhares de átomos que constituem esta estrutura existente no interior das células.Ada nasceu em Jerusalém a 22 de Junho de 1939 no seio de uma família pobre, que nem dinheiro tinha para os livros escolares. Apesar disso, conseguiu licenciar-se em Química em 1962 e concluir o mestrado em Bioquímica em 1964, ambos pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Em 1968 doutorou-se em cristalogafia pelo Instituto Weizmann, onde ainda hoje é professora. Depois, fez dois pós-doutoramentos, um no Mellon Institute de Pittsburgh em 1969, e o outro no MIT em 1970.
Ada Yonath já declarou ao jornal Haaretz que se sentia muito feliz com a distinção, o mesmo acontecendo com o Presidente Peres e o primeiro-ministro Natanyahu, que manifestaram o seu enorme orgulho pela atribuição deste prémio a uma cientista israelita.
O número de prémios Nobel ganhos por Israel está agora em nove: três para a Química (Yonath, 2009; Aaron Ciechanover e Avram Hershko, 2004), três para a paz (Yitzhak Rabin e Shimon Peres, 1994, e Menahem Begin, 1978), dois para a Economia (Aumann, 2005, e Daniel Kahneman, 2002) e um para a literatura (Shmuel Yosef Agnon, 1966).
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Emigrantes colocam o BE fora da maioria
Apurados os votos dos círculos da emigração, a contabilidade eleitoral fica encerrada. O PSD conseguiu 3 dos 4 mandatos, cabendo o outro ao PS. Assim, a Assembleia da República terá a seguinte composição:
PS 97 deputados (-24)
PSD 81 deputados (+7)
CDS 21 deputados (+9)
BE 16 deputados (+8)
PCP 15 deputados (+1)
Com esta distribuição o PS e o BE, juntos, não formam maioria absoluta. Uma excelente notícia.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O que dizem os outros
A criação do estado de Israel é um dos resultados quase únicos no século XX de uma pura vontade política e de um movimento político, o sionismo, assente nessa vontade. Não haveria Israel se dependesse apenas da geopolítica, dos interesses das grandes potências, da realpolitik. Pelo contrário, embora os EUA fossem simpáticos para o novo estado, e a URSS permitisse algum apoio militar chegado na 25ª hora, a criação de Israel num processo duplo de guerra civil (que opunha judeus e palestinianos) seguido de um confronto militar com as potências árabes, em particular o Egipto, a Jordânia, o Líbano, o Iraque e voluntários e apoio saudita e iemenita, dependeu sempre dos judeus e da sua organização para-nacional, o Yishuv, e das suas organizações militares, como o Haganah. Contra tudo e contra todos, em particular contra os britânicos, aliados dos jordanos (a Legião Árabe na Transjordânia era a única força militar capaz que combateu contra o Haganah, dirigida por oficiais britânicos) e dos egípcios, e depois contra a ONU que sempre permitiu aos invasores militares de um estado que nascera sobre a sua égide aquilo que negava aos seus defensores e que várias vezes impediu Israel de obter vitórias significativas sob ameaça de intervenção militar... britânica.
O livro de Benny Morris é um excelente balanço desta guerra fundadora que permitiu a Israel existir, e apresenta o estado da arte na documentação sobre os aspectos do conflito que ainda hoje são controversos como a questão dos refugiados. Morris mostra como a "limpeza" das aldeias árabes dentro do território de Israel não foi deliberada no início e só se tornou inevitável devido a considerações militares, tornando-se depois numa política seguida sempre de forma hesitante, ao contrário do "expulsionismo" árabe que queria deitar os judeus ao mar. Igualmente se analisa o modo como os inimigos de Israel usaram a questão dos refugiados como arma política, recusando qualquer esforço de integração e condenando essas populações a uma situação de miséria em guetos suburbanos nos países limítrofes.
Mostra igualmente que os israelitas e palestinianos (menos os exércitos regulares árabes) cometeram vários massacres, mais os israelitas do que os palestinianos, mas como consequência do facto de as oportunidades serem maiores do lado judaico, devido ao facto de as ocupações de colonatos judeus pelos irregulares palestinianos terem sido escassas. Mostra igualmente como é que se evoluiu de uma guerra sem prisioneiros, (durante os dias finais do mandato britânico não podia haver campos de prisioneiros e as execuções eram comuns) conduzida por milícias, para uma guerra mais convencional em que a Convenção de Genebra passou a ser respeitada.
Morris acentua e bem a parte de jihad no conflito, a total e completa incapacidade do mundo islâmico em aceitar a existência de Israel, assente em considerações religiosas e históricas, que explica as enormes dificuldades que, mesmo os dirigentes árabes mais moderados (como o rei hashemita Abdullah, que acabou por ser assassinado o destino de todos os conciliadores como Sadat), tinham em lidar com a intransigência absoluta face à existência de Israel. A sua análise das duas culturas distintas, a do sionismo, pró-ocidental, com elementos de laicidade, um discurso próximo do socialismo europeu, e a pura incapacidade árabe de aceitar sequer uma negociação (o que comprometeu a posição árabe no plano diplomático face a um estado cuja existência era legal e reconhecida pela ONU), é fundamental para se perceber os dados actuais do conflito que, em muitos aspectos, continuam os de 1948.
José Pacheco Pereira, no blogue Abrupto, sobre o livro de Benny Morris, 1948. A History of the First Arab Israeli War, New Haven e Londres,Yale University Press, 2008.
José Pacheco Pereira, no blogue Abrupto, sobre o livro de Benny Morris, 1948. A History of the First Arab Israeli War, New Haven e Londres,Yale University Press, 2008.
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Israel
domingo, 4 de outubro de 2009
Cortes na despesa em Israel
O primeiro-ministro Netanyahu e o ministro das finanças Yuval Steinitz preparam-se para anunciar um corte de 2% nos orçamentos da maioria dos organismos em Israel. Segundo o ministério das finanças, os cortes afectarão todas as áreas com excepção da segurança, da defesa e da educação. Os pagamentos aos deficientes e aos sobreviventes do Holocausto também não serão afectados.O motivo apresentado prende-se com a necessidade de aumentar as dotações do Ministério do Interior em mais 1500 milhões de shekels (270 milhões de euros) e do Ministério da Saúde em mais 500 milhões de shekels (90 milhões de euros), este último para reforçar o programa de combate à gripe A.
Esta alteração orçamental foi feita de forma a não aumentar a despesa total, assim será feito um corte numa parte dos sectores, para compensar os aumentos necessários noutros. O governo pretende seguir a política de não aumento da despesa, que foi definida no início, e que culminou com aprovação pela Knesset, em Julho, de um Orçamento de Estado para 2 anos.
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Diz que não sabe de nada
José Sócrates diz que desconhece tudo sobre um dos mais delicados casos de corrupção que esperam julgamento. Em resposta às perguntas que o tribunal lhe dirigiu o primeiro-ministro põe-se fora de jogo e diz que nada tem a ver com o assunto.O caso do regadio da Cova da Beira teve origem em 1997 com denuncias que acusavam José Sócrates de ter recebido 750 mil euros para favorecer a empresa HCL na construção da Estação de Tratamento dos Resíduos Sólidos da Associação de Municípios da Cova da Beira. O caso ganha contornos mais suspeitos, porque a pessoa que liderou todo o processo de adjudicação da obra à HCL foi António Morais, professor de quatro das cinco cadeiras que permitiram a José Sócrates licenciar-se em engenharia em 1996. Este processo arrasta-se na justiça desde 1999, tendo inclusive originado um pedido de buscas da PJ à residência de Sócrates, que não se chegou a verificar por recusa do MP.
Espera-se que a Justiça seja célere e que se apure a verdade, pois é bastante prejudicial para um país ter um primeiro-ministro sob suspeita, não só neste caso, mas também no da licenciatura e no do Freeport.
Isso é o que se espera, mas não será o que vai acontecer. Neste caso, como em quase todos, não se chegará a conclusão nenhuma. Por um lado, porque o poder político criou o poder judicial de maneira a que este não funcione, por outro, porque quem faz determinadas aldrabices sabe fazê-las. Se não soubesse, não estaria onde está.
Espera-se que a Justiça seja célere e que se apure a verdade, pois é bastante prejudicial para um país ter um primeiro-ministro sob suspeita, não só neste caso, mas também no da licenciatura e no do Freeport.
Isso é o que se espera, mas não será o que vai acontecer. Neste caso, como em quase todos, não se chegará a conclusão nenhuma. Por um lado, porque o poder político criou o poder judicial de maneira a que este não funcione, por outro, porque quem faz determinadas aldrabices sabe fazê-las. Se não soubesse, não estaria onde está.
sábado, 3 de outubro de 2009
Os truques do costume
Há duas semanas, António Costa enviou uma carta aos trabalhadores da Câmara de Lisboa a dizer que serão aumentados em Novembro. O Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa classifica a carta de "eleitoralista", ao passo que o director de recursos humanos da CML diz que é "prática corrente". Aumentos custarão cerca de três milhões à autarquia.
Fiel à mais pura tradição socialista, António Costa utiliza os meios do Estado para fazer propaganda política. Anunciar aumentos aos funcionários da CML a 1 semana das eleições não passa de eleitoralismo e de baixa política.
Para além destes truques eleitorais, o candidato do PS à CML tem ainda proferido tiradas de mau gosto e num tom jocoso em relação ao adversário Santana Lopes, o qual acusou de colocar "a diversão à frente da saúde" (a propósito da futura instalação do IPO de Lisboa.) Estas atitudes são no mínimo criticáveis em alguém que se quer fazer passar por ter um nível superior ao de PSL. Mostram precisamente o contrário.
O ainda presidente da câmara de Lisboa, parte para estas eleições com uma enorme vantagem, não só porque está no poder, mas também porque vestiu o papel de "comentador" no programa quadratura do círculo, onde teve todo o tempo de antena para debitar as posições oficiais do PS e do Governo. Apesar disso, revelou muito de si, pois conseguiu passar semanas a defender o indefensável, a mentir descaradamente e a distorcer factos.
António Costa julga-se em vantagem e age como tal, caso contrário haveria mais pudor em usar a autarquia em proveito próprio e mais consideração para com os adversários.
Para além destes truques eleitorais, o candidato do PS à CML tem ainda proferido tiradas de mau gosto e num tom jocoso em relação ao adversário Santana Lopes, o qual acusou de colocar "a diversão à frente da saúde" (a propósito da futura instalação do IPO de Lisboa.) Estas atitudes são no mínimo criticáveis em alguém que se quer fazer passar por ter um nível superior ao de PSL. Mostram precisamente o contrário.
O ainda presidente da câmara de Lisboa, parte para estas eleições com uma enorme vantagem, não só porque está no poder, mas também porque vestiu o papel de "comentador" no programa quadratura do círculo, onde teve todo o tempo de antena para debitar as posições oficiais do PS e do Governo. Apesar disso, revelou muito de si, pois conseguiu passar semanas a defender o indefensável, a mentir descaradamente e a distorcer factos.
António Costa julga-se em vantagem e age como tal, caso contrário haveria mais pudor em usar a autarquia em proveito próprio e mais consideração para com os adversários.
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O único vídeo de Anne Frank
O filme data de 22 de Julho de 1941, e mostra ao 9º segundo Anne a inclinar-se no parapeito de uma janela para ver uma noiva que passava na rua.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Por esta é que ninguém esperava
Portugal desceu quatro lugares (de 28º para 32º) na lista dos países menos corruptos, elaborada pela Transparência Internacional (TI), obtendo 6,1 pontos, contra os 6,5 do ano passado. A lista é liderada pela Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia, com 9,3 pontos, pois são os países onde há menos corrupção. A Somália surge no fim da lista com 1 ponto.
Mais um bom exemplo de como Portugal está a avançar no bom caminho para se tornar um país de 3º mundo.
Mais um bom exemplo de como Portugal está a avançar no bom caminho para se tornar um país de 3º mundo.
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Avançar Portugal
A Eslováquia vai ultrapassar Portugal em termos de rendimento por habitante no próximo ano, deixando a economia nacional no último lugar da tabela de 33 países avançados.
Esta previsão foi avançada ontem pelo FMI. Segundo esta organização, o PIB per capita português deverá ser de 15288 euros em 2010, contra os 15465 euros da Eslováquia, e Portugal crescerá uns anémicos 0,4%, podendo chegar a 2014 com o crescimento mais baixo da zona euro (+1,3%).
O Governo bem se pode ir desculpando com a crise internacional, que de nada adiantará, a crise atinge todos, mas mesmo assim os outros países progridem e Portugal não. Nunca o lema do Partido Socialista esteve tão desfasado da realidade.
Esta previsão foi avançada ontem pelo FMI. Segundo esta organização, o PIB per capita português deverá ser de 15288 euros em 2010, contra os 15465 euros da Eslováquia, e Portugal crescerá uns anémicos 0,4%, podendo chegar a 2014 com o crescimento mais baixo da zona euro (+1,3%).
O Governo bem se pode ir desculpando com a crise internacional, que de nada adiantará, a crise atinge todos, mas mesmo assim os outros países progridem e Portugal não. Nunca o lema do Partido Socialista esteve tão desfasado da realidade.
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Gilad Shalit está vivo
Israel libertou esta manhã 19 prisioneiras palestinianas em troca de um vídeo, que recebeu do Hamas, e no qual se prova que o soldado Gilad Shalit está vivo.O vídeo já foi difundido pelas estações televisivas israelitas e foi transcrito na integra por alguns jornais:
"Olá, eu sou Gilad, filho de Noam e Aviva Schalit, irmão de Hadas e Yoel, que vive em Mitzpe Hila. Meu número de ID é 300097029. Como podem ver estou a segurar nas minhas mãos o Palestina jornal, de 14 de Setembro de 2009, publicado em Gaza. Estou a ler o jornal, para poder encontrar informações sobre mim, na esperança de encontrar alguma informação sobre a minha libertação (...). Estou à espera do dia da minha libertação há muito tempo. Espero que o governo actual de Benjamin Netanyahu não desperdice a hipótese de finalizar um acordo, para que eu possa finalmente ser libertado. Gostaria de dizer à minha família que os amo e que tenho saudades deles e anseio pelo dia em que voltarei a vê-los novamente. Papa, Yoel e Hadas, vocês lembram-se do dia em que me visitaram na minha base nos Golã em 31 de Dezembro de 2005. Nós andamos à volta da base e vocês tiram -me fotografias no tanque Merkava e num dos tanques antigos que estão na entrada da base. De seguida, fomos a um restaurante numa das aldeias drusas e no caminho tiramos fotografias na beira da estrada com o Monte Hermon coberto de neve em segundo plano. Quero dizer-vos que me sinto bem, de boa saúde, e os Mujahadeen do Izzadien al-Qassam estão a tratar-me muito bem. Obrigado e adeus".
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