sábado, 1 de setembro de 2012

Falhanço atroz

Já ninguém se lembra, mas há pouco mais de um mês a Fenprof  previa um cataclismo na colocação de professores. Todos os dias fazia anúncios alarmantes de milhares de professores contratados no desemprego e de outros tantos efetivos sem horário. A realidade apesar de má não confirmou estes números, tendo os prognósticos da Fenprof uma taxa de erro de 74% nos contratados e de 86% nos horários zero (5 147 contratados sem horário e 1 872 docentes dos quadros com horário zero). 
Claro que agora, conhecidos os resultados, nenhum jornalista pergunta a Mário Nogueira onde estão os 13 mil horários zero e os 20 mil contratados desempregados que ele várias vezes anunciou, pelo contrário limitam-se a amplificar mais uma vez os comentários calamitosos que tece aos resultados do concurso, mesmo que tais resultados nada tenham que ver com os vaticínios anteriores da Fenprof.
O desemprego dos docentes é uma situação muito grave, mas não é com gritarias e com empolamentos que ela se resolve. Infelizmente mais uma vez confirmou-se que tem sido apenas esse o contributo da Fenprof.

20 comentários:

Anabela Magalhães disse...

Estes números são horríveis. Fico contente por estares fora deles, David!

DL disse...
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DL disse...

Anabela,

Não gostei do teu comentário, porque ele está de acordo com a prática instituída em Portugal de que não se pode criticar o PCP ou a Fenprof sem se ser imediatamente acusado de alguma coisa. Neste caso de estar fora da desgraça. Como estou fora da desgraça, não posso criticar os erros de previsão da Fenprof, porque se o fizer vai parecer que considero que os resultados do concurso são bons. Ora não escrevi isso em lado nenhum, o que está escrito é que não foram a hecatombe que a fenprof andou a propagar. De 13 mil horários zero, ficam menos de 2 mil, de 20 mil contratados desempregados ficaram 5 mil. É mau? É! Mas nós podemos ser livres de fazer estas comparações sem ter felicitações desse género. É um erro terrível confundir criticas à fenprof com criticas aos professores.

Frederico Gastão disse...

Calma DL, não sei onde foste buscar esses números, até o Ramiro faz melhor! Ficaram 43 mil professores contratados sem colocação na contratação inicial.
E se a FenProf coloca os números por alto é mesmo para pressionar o governo, faz parte do jogo. É como na questão das greves. O sindicato dá um número e o governo outro. Foi isso que, na questão dos horários zero, fez o ministro mexer-se com as tais medidas que permitiram retirar os professores do concurso. A tarefa de um sindicato é defender os interesses daqueles que representa.

Luís Palma de Jesus disse...

pois é. E dá para confiar em quem? os agentes políticos vivem e gostam de viver na confusão. vivi estes dias todos em ansiedade e suspeitando de aldrabice em todo o lado...

Luís Palma de Jesus disse...
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Luís Palma de Jesus disse...

li o público que começa título e subtítulo de modo confuso.

DL disse...

@ Frederico Gastão

Veja lá se percebe:

- Os dados vieram via Jornal Público, que cita dados oficiais.

- Não ficaram 43 mil professores contratados sem colocação. Ficaram 43 mil candidatos sem colocação. Ser candidato não é o mesmo que ser contratado.

- Dos professores que estavam contratados em 2011/2012, 5147 deixaram de o ser. Muito longe dos 20 000 que a Fenprof anunciava. Os outros 38 mil candidatos não eram contratados. Já estavam fora do sistema, uns eram desempregados, outros recém licenciados que concorriam pela primeira vez.

- A Fenprof apenas inflaciona os números para arregimentar os professores contra o Governo. A Fenprof não defende os interesses dos professores, mas sim os interesses do PCP.

- A tarefa dos sindicatos é defender o interesse daqueles que representa, logo a defesa de interesses particulares. Nada a opor, mas ao Governo cabe a defesa do interesse geral e não é do interesse geral ter professores com horário zero e muito menos dar emprego aos 51 mil candidatos ao lugar de professor.

DL disse...

O Luís Palma de Jesus é colega?

Anabela Magalhães disse...

:(
Já pensaste que se a FENPROF não tivesse feito barulho, na verdade foi o único sindicato a reagir à hecatombe, os números agora poderiam estar prenhes de repescados?
E os números são horríveis, sim!
E fico contente por tu não estares incluído neles. Nem eu...
Mas tenho consciência de que foi pura sorte a nossa... e isso não me agrada nada. Nunca gostei de jogos de sorte ou azar...
Bjs

Luís Palma de Jesus disse...

DL, sou mais um colega paranóico ;) ...com tempo suficiente para ser (politicamente) desconfiado de tudo e de todos.

E assim, na análise educativa e na, digamos, solidariedade entre docentes, só confio em 2 fontes:
http://profslusos.blogspot.pt
http://www.arlindovsky.net


Frederico Gastão disse...

DL

Há muitos erros no que diz. Você não é professsor, pois não? Só assim se compreende... ou então é afeto ao governo

Logo digo-lhe quais são!

DL disse...

@ Frederico Gastão

- Julga que eu não sou professor porque está habituado ao pensamento único que não permite escrutinar o PCP/Fenprof. Alguém que os critique é porque não é professor. Incrível esse pensamento;

- Não tenho afeto nenhum pelo Governo. Mas também não lhe tenho ódio;

- Cá fico à espera que me diga quais são os meus erros. Até fiquei espantado por não ter já dito quais são.

Anónimo disse...

Portugal tornou-se ingovernável por dois factores: (1) cada vez que se quer reformar algo, aparece imediatamente um coro de gente a declarar que está tudo bem; (2) os governos para tomarem medidas que nos afectam a todos, é suposto definirem essas medidas através do "diálogo prévio" com sindicatos, comissões e qualquer tipo de "associação de forças vivas" do sector, mesmo que as forças vivas sejam apenas um indíviduo que só diz inanidades... Esta situação conduz a um paradoxo (se está tudo bem como é que o país está neste estado???) e a uma ditadura travestida de democracia (mandam as pessoas ou organizações que não se submetram a sufrágios universais e directos - exs ordem dos médicos, ordem dos advogados, essa aberração do sindicato dos magistrados, etc, etc, etc).
A situação a que se chegou com o concurso de professores, resulta (a) de anos e anos a formar licenciados em coisas que não interessam ao menino jesus e para quem a docência é apenas a alternativa ao call cente ou à caixa de supermercado ou pura e simplesmente ao desemprego, (b) do estado manter empregos artificiais, uma vez que a taxa de natalidade é das mais baixas do mundo, (c) do estado não se ter reorganizado cada vez adquiriu instrumentos de gestão tecnologicamente mais avançados. A hecatombe surge assim de uma vez, quando no sector privado anda assim à mais de 3 anos - os mais de um milhão de desempregados surgiram de onde? Mas suponhamos que todos candidatos são empregados como professores. Fica a pergunta: onde é que se arranja dinheiro para pagar mais estes ordenados? com mais um imposto especial sobre o ordenado de Dezembro ou de Maio?...

Frederico Gastão disse...

DL

Não disse quais são os erros porque já eram duas da manhã quando vi a resposta ao meu comentário.

As minhas observações são estas.

1. Não acredites em tudo que lês nos jornais. A maior parte são escritas à pressa e sem um conhecimento das matérias de que se está a falar o que leva ao cometimento de muitos erros. Se és professor já deves ter lido muitos testes dos alunos onde isso acontece.

2. Desconfia dos dados oficiais. Pega nas listas com os resultados dos concursos e faz as tuas contas.

3. Sobre a observação que fizeste de que ser candidato não é o mesmo que ser contratado digo o seguinte:
Neste concurso concorriam dois "tipos" de professores. Os vinculados e aqueles que, não sendo vinculados, se candidatam a um lugar nas escolas públicas ocupando a situação de contratados. Foi nesse sentido que utilizei o termo "contratados".
São estas ambiguidades semânticas que te levam a dizer falaciosamente que só cerca de 5 mil professores contratados o ano passado é que não obtiveram colocação. Esses números dizem apenas respeito à parte do concurso das renovações de contratos. Mas existem muitos outros candidatos que concorrem sem ser à renovação de contratos que já tinham tido contratados em anos anteriores. São pessoas como tu dizes friamente "que não estão no sistema", mas de quem o sistema se tem servido vergonhosamente. A FenProf também se referia a estes. E também se referia certamente àqueles que concorriam pela primeira vez, habilitados com formação profissional dada por universidades públicas, pagas pelo estado, e que agora mandam para o desemprego. São todos professores que estão em situação precária.

4. Dizes que eu tenho pensamento único mas logo dás um tiro no pé ao vir falar no PCP e na FenProf. Na situação grave que o país atravessa só te dá para aí, a tua obsessão é esta. Isto é ridiculo porque sabemos que o pãntano em que estamos é o resultado da governação da corja incompetente do PS e do PSD.




DL disse...

@ Frederico Gastão

O comentário 1 chega a ser enternecedor:"não acredites em tudo o que lês nos jornais". Obrigado, vou ter mais cuidado da próxima vez.

Em relação ao 2 julgava que ia fazer a contas e corrigir os dados que apresentei, mas pelos vistos não. O Frederico vem aqui dizer que os dados não são de fiar, mas depois manda-me fazer as contas.

Sobre o 3 mais uma vez está enganado. Grosso modo há 3 tipos de candidatos: professores do quadro, contratados e outros. Não sei quantos do quadro concorreram, mas sei que 1872 continuam sem horário, os chamados horários zero.
Em relação aos contratados + outros, os dois juntos são cerca de 50 mil. Desses 50 mil, 12 mil era contratados e 38 mil eram de outro tipo (desempregados, recém licenciados, etc). Dos 12 mil que estavam a contrato em 2011/2012, apenas 7 mil continuaram a contrato, tendo 5 mil ficado de fora. A juntar aos 38 mil que já estavam fora, dá 43 mil sem colocação.
Eu não classifico ninguém friamente: há 38 mil candidatos que não davam aulas. E grande parte deles até foi formado por universidades privadas. O Estado não tem de dar emprego a todos os que têm um curso de professor.

4 - Vejo que és novo aqui. Quase toda a gente que vem ao Lisboa Tel Aviv sabe que o que aqui se diz dos vários partidos. Vir para aqui dizer que eu só critico o PCP é no mínimo uma piada.

DL disse...

Anónimo 2 de Setembro de 2012 10:29

Grosso modo concordo com tudo o que escreveu.

Frederico Gastão disse...

E ele a dar-lhe!

Esses professores que tu dizes que estão fora do sistema são licenciados com formação profissional para serem professores, que foram colocados em anos anteriores para satisfazer as necessidades transitórias e que este ano concorreram à contratação inicial. São pessoas que o ano passado estiveram com horários incompletos, o pouco dinheiro que ganhavam era gasto nos transportes.Estão fora do sistema dizes tu, mas o que é certo é que o sistema se serve deles vergonhosamente.

Seja como for, o que é relevante é que há 43 mil professores em situação precária que se estão borrifando para as tuas divagações.E acrescenta-lhe os contratados que ainda conseguiram colocação este ano mas que para o ano não sabem como vai ser. E os horários zero?
O estado não tem de se preocupar com a colocação dos novos licenciados? Então para que raio lhes dá formação profissional, gastando dinheiro e criando-lhes expetativas? É para emigrarem? Reconhece que isto não tem nada de racional. Até tu és capaz de ver isso!

DL disse...

Foram colocados?? Desde 1997 que oiço a Fenprof falar em cataclismos nos concursos com milhares de professores de fora.

Não são pessoas que no ano passado estiveram com horários completos. Isso é completamente falso. Dos 43 mil que ficaram fora, "apenas" 5 mil estavam colocados no ano passado.

Estou-me absolutamente nas tintas se se estão a borrifar para mim ou não, mas tanto quanto sei não te passaram nenhum mandato para declarares para quem se estão a borrifar.

Volto a dizer: lá porque há 50 mil pessoas com o curso de professor, o Estado não tem de lhes dar colocação. Há milhentas universidades a dar esses cursos e as pessoas são livres de os tirar. Se tirarem na privada acho bem, mas se for na pública já acho mal: o estado não deve andar a gastar dinheiro em cursos de formação de professores que não têm empregabilidade. Nesse aspetos tens razão: não é racional gastar dinheiro a formar professores para depois não terem alunos. Os cursos do Estado devem ser reduzidos.

PS - Se achas mesmo que os 50 mil candidatos a professor têm direito a um lugar, sugiro que te chegues à frente e faças a tua parte: vai a um banco, pede um empréstimo, abre um colégio privado e dá emprego uns quantos. Não fiques à espera que o Pai Estado resolva tudo sozinho com dinheiro dos outros.

PS2 - Eu tenho estado a discutir contigo de boa fé. Por isso expressões como: "até tu és capaz de ver isso" são desnecessárias.

Anónimo disse...

Fred,

És muito interventivo. Não há blog que te escape.