sábado, 18 de junho de 2011

Momento Bernadino Soares

O Secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, desdobra-se em entrevistas. Ontem declarou - sem se rir - que os resultados eleitorais são uma ameaça à matriz democrática da escola pública. Dito de outra maneira: para esta repartição do PCP os resultados eleitorais são uma ameaça porque resultam de eleições burguesas - anti-democráticas por definição - e contrariam as posições da Fenprof. Já a escola pública é democrática porque está minada pelo eduquês do PS e pelo sindicalês do PCP. 
Tais conceitos de democracia não são de estranhar, pois vêm de sectores que apelidavam de República Democrática Alemã a antiga Alemanha de Leste e declaram como democrática a Coreia do Norte.

10 comentários:

atascadotijoao disse...

não esquecendo a vida "de luxo" em Cuba ...
As cambalhotas que estes senhores dão !

Só com disciplina e chicote!!!!! disse...

Nos países de leste o ensino era de cinco estrêlas.

Tenho vizinhos ucranianos que ficam abismados com a displicência das familias e dos professores portugueses.

A escola não é recreio nem local para empregar frustados ou incompetentes.

O Crato que veio do PCP-ML e do PCP-R saberá muito bem pôr a classe dos professores na ordem e os paizinhos na ordem como se fazia nas saudosas repúblicas soviéticas.

Eles foram ao espaço e nós, com este ensino, vamos às Berlengas!

David Levy disse...

Sem querer entrar em generalizações, de uma forma geral os alunos de leste são de facto excelentes quando comparados com os portugueses. Com excepção dos romenos. Por isso é mais uma questão de povo, do que de regime.
Quanto à escola não ser um recreio e um albergue de incompetentes, de acordo. É o 1º, mas felizmente não é o 2º. Aliás se apoia Nuno Crato só por ele alegadamente ir meter os professores da ordem, está a perder o seu tempo. A última que veio com essa conversa - Maria de Lurdes Rodrigues - destruiu o ensino.

Quanto às repúblicas soviéticas só são saudosas para si, porque para milhares de pessoas - como esses ucranianos seus vizinhos - elas foram a ruína e a miséria pessoais. Tanto assim foi que tiveram de sair da sua terra. A Europa está cheia de vitimas do comunismo.

André Miguel disse...

O eduquês da nossa esquerda já enjoa. O pior é que a nossa diplomacia, como escrevi há pouco no meu blogue, alinha no mesmo diapasão. Vergonhoso.

Joaquim Simões disse...

"Eles foram ao espaço e nós, com este ensino, vamos às Berlengas!"

No Egipto também se ergueram pirâmides com trabalho... escravo.
No Estado Novo não faltava disciplina nas escolas e era mais fácil leccionar... o que convinha à estreiteza de vistas aos académicos que lambiam as botas ao guru corporativista Salazar.
No outro extremo da Europa, o comunista Estaline tinha o mesmo efeito, enquanto, ao centro, o disciplinador da juventude ariana berrava aos ouvidos de quem lhe abria os ouvidos, a excelência da ciência nazi.
Sem disciplina não há ensino nem aprendizagem possíveis. Mas a disciplina é apenas uma condição indispensável para que ensino e aprendizagem aconteçam, bem como, já agora, para criar hábitos de uma investigação séria. Quem, por exemplo, lê os manuais usados na URSS, com cujas traduções os "camaradas" inundaram o ensino angolano dos primeiros tempos, fica impressionado com a sua pobreza de conteúdos, sobretudo quando se trata de disciplinas de abertura ao mundo e à reflexão científica e filosófica. O que, aliás, teve reflexos bem patentes na incapacidade de inovação tecnológica e artística que a URSS demonstrou, face aos países "do lado de cá".

Anónimo disse...

Estes comentadores querem comparar o competentíssimo sistema educativo soviético (principalmente nas matemáticas, ciências e línguas) com a bagunça do «sistema educativo» português!

É preciso ter descaramento!

Em Portugal as famílias, os professores, os sindicatos, o ministério e os politicos em geral sempre se marimbaram para a educação dos portugueses.

Um vergonha!

Não é por acasdo que chegámos aonde chegámos!

Basta ver os politicos do anterior governo e ver os «novos» governantes para vermos que nunca sairemos da cepa torta!

Ignorantes, manipuladores e estrangeirados!

David Levy disse...

Caro anónimo açoreano

até há 15 atrás o 1º ministro Sócrates e a política socialista para a educação eram o melhor dos mundos. Agora já virou o disco e a educação já é uma lástima. Descaramento é o seu, que durante anos andou a apoiar as politicas socialistas só porque alegadamente "metiam os professores na ordem", e agora vem aqui dizer o contrário e criticar os antigos governantes. Gostava de o ter visto fazer isso antes.
Que lata!

Anónimo disse...

Comentador «açoreano»?

O que o David inventa!

Mas antes açoreano do que marciano!

David Levy disse...

Sim, não se faça de desentendido. O Statcounter localiza-o em Praia da Vitória, Ilha Terceira. E os comentários que introduz coincidem com os que o Statcounter a esse visitante.
Apenas digo "açoriano", porque não se identifica, nada mais. Não se abespinhe. Tenho um enorme apreço pelos Açores e pelos açoreanos, que me acolheram durante 6 anos.

Joaquim Simões disse...

"Estes comentadores querem comparar o competentíssimo sistema educativo soviético (principalmente nas matemáticas, ciências e línguas) com a bagunça do «sistema educativo» português!"

Caro anónimo:
Não comparo, porque são incomparáveis. Cada um deles assenta numa concepção educativa diferente. Em Portugal, desde a reforma educativa do sr. eng. Roberto Carneiro, chama-se educação ao disparate e à vigarice. Na antiga URSS, fora o ensino das ciências, chamava-se educação à endoutrinação - daí o estiolamento das artes, da literatura, do teatro, da filosofia.
Mas a investigação científica alimenta-se também ela da imaginação, isto é, da capacidade de conceber outras hipóteses explicativas relativas a encadeamentos de fenómenos (incluindo os fenómenos sociais) para cuja explicação cabal as teorias aceites num determinado período se mostram insuficientes ou inadequadas. Ora se tiver em atenção que as directivas do Estado soviético aos artistas, segundo os catecismos marxistas-leninistas, lhes impunham uma arte "ao serviço do povo", quer dizer, uma arte "realista" que glorificasse a revolução proletária e o viver das classes trabalhadoras (veja, por exemplo, as obras que compunham as exposições de pintura que a URSS enviava para o estrangeiro nas décadas de 50, 60, 70 e 80), e as escolas reflectiam essa orientação desde o ensino básico, a imaginação para novas formas artísticas nunca foi grandemente estimulada nas crianças, com os consequentes reflexos na idade adulta no plano da investigação científica e da tecnologia. Foi todo um povo que entrou no marasmo. E os alunos que hoje chegam do Leste são, em geral, atentos, aplicados, persistentes (os chineses, ainda mais)e isso, face à rebaldaria generalizada nas escolas portuguesas, torna-os em exemplos de "sucesso". Mas, em geral também, são bastante mais formatados, mais "quadrados", pouco capazes de conceber ou mesmo perspectivar as coisas de diferentes maneiras. E isso, que é extremamente grave, porque vital para a sobrevivência colectiva, não é a confirmação da excelência do ensino soviético, antes a marca iniludível que condena todo um regime e a sua concepção do Homem.