sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Uma excepção chamada Açores

Há neste momento muita gente indignada com o regime de excepção que o Governo Regional dos Açores aprovou para não cortar nos vencimentos dos funcionários públicos regionais. Só quem não conhece os Açores é que pode estranhar uma excepção destas. Quase tudo na região é excepção: o IVA é mais baixo, o IRS é mais baixo, o IRC é mais baixo, as transferências para as autarquias são mais altas, os subsídios são mais altos, e até no que toca ao aperto do cinto, os funcionários açorianos têm beneficiado de vantagens. A mais conhecida é a contagem integral do tempo de serviço congelado entre 2005 e 2008.
Todas estas especificidades têm sido possíveis não só porque o Governo Regional é desde 1996 da mesma cor do da República, mas também porque o Presidente, o sr. Carlos César,  tem actuado de forma muito discreta e tem sabido construir uma imagem de bonomia e boa disposição, bem ao estilo de Mário Soares. A Região Autónoma dos Açores tornou-se assim numa região de dependentes do Estado, mas sem as hostilidades que se costumam gerar em torno da Madeira e de Alberto João Jardim. Na prática  ambas funcionam da mesma maneira, e com os mesmos vícios, só que a Madeira dá muito mais nas vistas que os Açores.  
Os Açores e a Madeira basearam a sua autonomia na extorsão continua dos sucessivos governos da República, que - vá-se lá saber porquê -  não têm sido capazes de lhes fechar a torneira. Não é pois por acaso que quer Alberto João Jardim, quer Carlos César (e antes Mota Amaral), sejam sucessivamente reeleitos. Todos eles apenas se têm ocupado da parte simpática e popular da governação: fazer obra e distribuir isto e aquilo. Nunca tiveram de tomar uma medida impopular, nunca tiveram de fazer um corte de despesas, nunca aprovaram uma redução de benefícios.
O regime de excepção agora aprovado para os Açores é uma consequência natural da gestão autonomista e socialista do arquipélago, e apenas deu nas vistas devido à situação de aperto orçamental em que o país está. Não fosse isso, e seria mais um benefício em prol da autonomia, e em relação ao qual ninguém levantaria objecções. 

12 comentários:

Herberto Dutra disse...

Coitado deste jovem autor.

Não conhece os Açores, nem o Povo Açoriano, nem a História dos Açores e não hesita em exercitar vulgares judiarias sobre um território que Portugal tanto deve.

Foi sempre os Açores que libertou essa nesga de terra à beira-mar plantada dos vários totalitarismos e opressões.

Não fosse os Açores Portugal teria caído em 75 numa ditadura comunista.

Os Açores não precisam de Portugal, ó meu jovem.

E já que v. Exª é de origem israelita fique a saber que a existência de Israel muito se deve a este território espalhado no Atlântico Norte.

Quer como português, quer como judeu, V. Exª devia ter mais consideração pelos Açores.

Não se cospe no prato onde se come.

David Levy disse...

Caro Herberto Dutra

Deixo-lhe só umas notas soltas, pois os seus fracos argumentos não merecem mais:

1º ao contrario do que diz, conheço perfeitamente os Açores, pois vivi ai mais de 6 anos, e em ilhas diferentes.

2º não rebateu um único dos meus argumentos, pelo contrário limitou-se a dizer que eu não conheço os Açores e que e que estou a exercitar "judiarias".

3º o facto de os Açores terem dado um grande contributo para a história de Portugal, não impede que se possa criticar uma decisão do Governo regional dos Açores e a "autonomia" açoriana. Era só que faltava que agora não se pudessem criticar. Fazer uma critica destas não é desrespeitar os Açores. O artigo não foi sobre o Povo Açoriano, foi sobre a gestão do Arquipélago dos Açores.


4º Não percebo o que é que a existência de Israel tem a ver com artigo que eu escrevi. São dois assuntos distintos.


5º Não sou de origem israelita;

6º Dizer que os Açores não precisam de Portugal e que são o prato de Portugal é que é um argumento sem sentido, divisionista e até desrespeitoso, próprio de quem só quer ser português para receber dinheiro.

provocação disse...

E uma coisa que acho escandalosa, o salário mínimo é mais alto. Lá já recebem 500 euros há algum tempo. Pergunto-te quantas pessoas sabem disto? Pouquíssimas.

David Levy disse...

@ Provocação

Tem razão. E os reformados também recebem um subsidio de insularidade.
E o tempo de serviço dos funcionários públicos dos Açores ter sido contado para a progressão na carreira, também é desconhecido aqui.
No Continente esse tempo de serviço foi simplesmente apagado.

Anónimo disse...

David respondeu com calma e educação,gostei.Cotovia

Anónimo disse...

gostei da sua resposta educada, é assim que deve ser. cotovia

Herberto Dutra disse...

Caro David Levy:

Simplesmente critiquei a sua reserva mental em relação aos Açores e a sua falsa convicção que os Açores «vivem à custa» do Continente.

Durante 500 anos Portugal, sob a Côroa ou sob a República», exploraram e esfolaram estas ilhas até ao tutano.

Não é por acaso que os Açorianos sempre voltaram para a linha do horizonte a Oeste e para o Mundo Novo (Estados Unidos, Canadá e Brasil) pois a «pátria-mãe» era ingrata e madrasta.

Quando Portugal não quiser» os Açores, é só dizer...

OBS: Politicamente sou contra a governação do Sr.César, mas estou solidário para com as medidas votadas pelo nosso parlamento.
Quanto ao Presidente de Portugal criticar estas medidas é dum cretinismo total, pois o mesmo nunca comenta as medidas tomadas na AR contra os contribuintes portugueses nem criticou o escândalo de não tributar os dividendos das empresas do regime, enquanto aceita que se corte no abono de família de famílias pobres.

Fiquem vocês com as suas leis, os vossos deputados, o vosso primeiro-ministro e o vosso presidente, e sejam muito felizes!!!

David Levy disse...

Caro Herberto,

não se ponha a adivinhar as minhas convicções e as minhas reservas mentais.

O que o senhor está a fazer é a debitar a cartilha separatista. Ela é típica de gente que diz que o Continente explora as ilhas, e que vive à conta das ilhas, e que os Estados Unidos é que é bom, e os vossos deputados e os nossos deputados, etc etc, como lhe disse, vivi ai bastante tempo, ouvi essa conversa muitas vezes.
Lamento a forma desprezível com que o sr se refere aos continentais, mas percebo-a, porque se encaixa na lógica separatista e independentista da FLA/PDA.

Gostava também de lhe dizer que o sr não é porta-voz dos açorianos e não gosta mais dos Açores do que eu. E é por gostar muito dos Açores que critico a política assistencial do sr César, que transformou o arquipélago numa região que vive de subsídios e cheia de subsidio-dependentes. Acho isso terrível. No Continente acontece o mesmo em muitas regiões. E se critico aqui, também tenho todo o direito de criticar ai. Isso e tudo o que me apetecer criticar.
Por isso não cole as minhas criticas ao "anti-açorianismo" que eu não dou para esse peditório.

Herberto Dutra disse...

Os Açores estão sob esta economia assistencial por duas razões:

1. Por ter que seguir as lei das República que como se sabe rebentam com qualquer economia;

2. Por estar integrada na União Europeia, uma estrutura burocrática e sovietizada e que obriga os produtores a trabalharem à base de quotas ou então pagam para não se fazer nada.

Com soberania, os Açores pertenceriam sem dúvida ao 1º dos primeiros mundos.

Seguindo Lisboa e Bruxelas, os Açores vão ser transformados a m/l numa «reserva natural de índios».

Cumprimentos,

David Levy disse...

@ Herberto

Está a ver? acabou por concordar comigo em tudo.

Cumprimentos :)

Anónimo disse...

Se uma legislação é injusta, ao serem feitas excepções torna-se monstruosa, por agravar o erro.
É o que eu penso.

Mil ideias disse...

Estas medidas tomadas pelo sr. Carlos César com a benção do nossos primeiros: Aníbal e Sócrates são duma revolta que choca qualquer um! Será por isso que tanto temem a vinda do FMI?Uma coisa é certa a crise vai chegar só a alguns!!