terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Arik

 Ariel Sharon está em coma há 5 anos.

12 comentários:

R disse...

Esse Sr é assim uma figura um bocado polémica, não?

Era o responsável pelo exército quando se deu a questão do Líbano e dos massacres em 1984 e em 2005 retirou os colonatos de Gaza e a coisa não deu em nada...

Que pensas tu, David?

David Levy disse...

Caro R

Se pensasse mal de Ariel Sharon não colocaria a sua fotografia desta maneira.

Os massacres de Shaba e Shatila, se é a isso que se refere, foram perpetrados por grupos falangistas libaneses. São os libaneses que deve responsabilizar. E já agora se puder explique o que faziam toneladas de armas nessas duas 'pacificas' aldeias.

Sobre os colonatos de Gaza, não o imaginava contra o seu desmantelamento. Com essa surpreendeu-me.

Ariel Sharon é uma figura muito mal conhecida e muito deturpada pela gritaria do palestinianismo militante.

R disse...

Sim, mas Sharon chegou a demitir-se por causa das suas responsabilidades no massacre, né? Os soldados israelitas tinham invadido o Líbano e, estando perto do massacre, deixaram que acontecesse. Se não me engano, Israel apoiava os falangistas. Até ocorreram enormes protestos em Israel por causa desses eventos.

Nem sei que pensar dos colonatos. Pensei que fossem melhorar alguma coisa retirando os de Gaza, mas afinal não...

E não sou totalmente contra os colonatos na Cisjordânia, só não gosto muito da agressividade, racismo, etc de alguns colonos (claro que também não gosto do mesmo em muitos Palestinianos).

David Levy disse...

Sharon demitiu-se pela forma como conduziu a Guerra. Era era o primeiro responsável político. A sua responsabilidade era política.
Quem massacrou foram os libaneses. É um típico caso que em vez de se criticar o ladrão, critica-se o polícia.

Eu fui favorável à retirada de Gaza. E ainda estou convencido que foi a melhor decisão. Naquele conflito todas as decisões têm prós e contras graves, mas julgo que Israel só terá a ganhar com uma cada vez menor mistura com os palestinianos. A ocupação desvirtua o conceito de Estado Judeu e deturpa o sionismo.
E além disso, ficou à vista de todos o que são os palestinianos sem a ocupação israelita.

R disse...

Sim, mas eu não estou a dizer que os libaneses são inocentes. Estou a falar de Sharon enquanto figura no panorama interno israelita. Ainda tenho de ler essa parte no "Israel: A História" (ainda vou em 1927, quase no início do livro!) mas, segundo sei, entrar dentro de outro país que está em guerra civil, para apoiar um dos lados e ficar a assistir enquanto ele comete massacres, é assim qualquer coisa... mais valia não terem entrado, não sei que estavam lá a fazer.

Mas sim, tem razão, a retirada de Gaza é algo que dá legitimidade a Israel. Em todo o caso, o argumento de "retirar os colonatos é trazer o conflito para junto das fronteiras" faz algum sentido para mim... No caso de Gaza acabou por trazer rockets para dentro de Israel, apesar de também ter dado a oportunidade de lançar ataques gerais do exército israelita sem preocupação com civis israelitas.

David Levy disse...

Caro R,

Há ai uma confusão: Israel entrou no Líbano para empurrar a OLP para longe da fronteira, e não para tomar partido na guerra civil libanesa.

R disse...

É como digo, gotta learn ma history!

Cirrus disse...

Há sempre dois lados de uma mesma história, não é verdade? Seja de que forma for, Sharon será sempre recordado por Israel.

David Levy disse...

@ R

Já havia rockets antes da desocupação.
A única política que conseguiu melhorar drasticamente a segurança em Israel foi a construção do muro de protecção. Os atentados terroristas acabaram. Sei que o muro tem muitos inconvenientes, mas que foi eficaz foi.

David Levy disse...

@ R

Não gosto de recomendar livros a ninguém, mas atrevo-me a sugerir-lhe as "Conversas intimas com Ariel Sharon". É o ponto de vista de um amigo, mas desmistifica um bocado a celeuma que se construiu à volta de Sharon.

PS: Ele era amicíssimo da Elizabeth Taylor. :P

R disse...

Não sabia que havia rockets antes. Mas então aumentaram de forma muito significativa com a desocupação, ou não?

Mas sim, o muro foi incrível, já são 2 anos sem ataques. Mas acho que também contribui para isso o evoluir da situação na Cisjordânia, por ex., em que a economia vai recuperando e Israel vai reduzindo os controlos e as limitações de circulação e passagens de bens. :)

Não gosta de recomendar porquê? Há por aí livros tão bons... :)

Eu gostava muito de dizer que sim, que me interessa e que o ia ler, mas já sei que não, desde que entrei para a Universidade que os livros poucas vezes saem da mesinha de cabeceira, e depois começam-se muitos mas para terminar... a lista dos incompletos já vai em mais de uma dezena!

Essa da Elizabeth Taylor deu cabo de mim xD Ai o David a tentar pegar no estereótipo, que riso... eheh ;) Vá, não deixe de tentar, há-de dominar essa arte! xD

Aprendiz disse...

A questão do Líbano é mais complicada do que a imprensa ocidental gostaria que fosse. Houveram muitos massacres na região, grande parte da população cristã sobrevivente está exilada. A ação dos milicianos foi uma vingança de massacres anteriores contra cristãos. A OLP era um elemento estranho no Líbano que desestabilizou a antiga paz entre os muitos grupos. A Síria e agora o Irão apreveitaram a situação e tornaram o Líbano um país subordinado, não um país independente.

De qualquer forma, a ação dos falangistas deveu-se a um cochilo dos israelenses. A demissão de Sharon era o esperado. O chefe das forças armadas é o responsável pelos erros, mesmo que não seja culpado.