quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Congelamento de construções atrasa a paz

Depois da reunião tripartida de ontem, continua a haver algum cepticismo da parte israelita em relação ao processo de paz. Quer o MNE Lieberman, quer o primeiro-ministro Netanyahu, prestaram declarações nesse sentido.
Para o primeiro-ministro a exigência dos palestinianos de congelar a construção israelita na Judeia antes das negociações de paz, é uma perda de tempo. Segundo ele, essa questão deve ser discutida durante as negociações e não antes.
Esta posição de Netanyahu tem toda a lógica. Israel não deve ceder em nenhum assunto fora do processo negocial. O que os palestinianos estão a fazer é pura chantagem, pois afirmam que só negoceiam depois de satisfeitas as suas exigências. Trata-se de uma irresponsabilidade, pois o povo palestiniano está numa posição de fraqueza, pelo que não é compreensível que a AP coloque obstáculos destes. Infelizmente, os representantes palestinianos têm uma longa tradição de recuar, de não cumprir e de recusar qualquer tipo de compromisso. Com estas atitudes contribuem mais uma vez para destruir as aspirações, de muitos dos seus cidadãos, a um estado independente.

9 comentários:

Cirrus disse...

Bem, concordo com a sua visão, uma vez que, de facto, a AP tem um longo historial de recusas. Negociar com construção de colonatos em curso é o mesmo que julgar um roubo durante a sua concretização. Só se negoceia quando há tréguas, ou seja, quando nenhum dos lados está a prejudicar o outro. Se entende que os colonatos não são um avanço na posição de Israel, bem... cada um vê o que quer... Mas, para mim, é o mesmo que negociar o fim de uma guerra com um dos lados a atirar sobre o outro. Não faz sentido nenhum.

Levy disse...

Caro Cirrus,

A AP não está a ser pragmática. Desta forma está a dar uma desculpa aos que em Israel não estão interessados num estado palestiniano.

Cirrus disse...

Desculpe-me Levy, mas pragmático, mesmo pragmático, era congelar a construção de colonatos. Continuar a construí-los é descartar imediatamente a hipótese de negociar essas terras. Ou seja, não negociar.

Levy disse...

Mas Cirrus,
se Israel fizesse isso, estaria a ceder num aspecto aos palestinianos ainda antes das negociações. Que eu saiba as negociações servem para isso mesmo: para negociar. Pelo que a questão das construções deve ser negociada e discutida, mas num processo que se chame "NEGOCIAÇÃO", e não antes. É muito compreensível que durante as conversações, os palestinianos exijam aos israelitas que parem a construção, como também é que os israelitas exijam o reconhecimento como estado judaico.
Outro aspecto que o Cirrus não está a levar em conta, é que para a solução de 2 estados se concretizar, terá de haver redefinição de fronteiras. Não serão as de 1967, terão de ser equivalentes. E isso só será definido em negociações.
A questão das construções está a ser usada como desculpa para não se avançar. Entre 1948 e 1967 não havia nada disso, e também não havia paz.

Cirrus disse...

Então o que o meu amigo me está a tentar dizer, por outras palavras, é que Israel tenta colonizar o maior número de terras possível antes da negociação, para que depois, na negociação, essas terras palestinianas sejam "devolvidas " aos palestinianos e ficam todos contentes, certo?

Ora isso é que é preparar a negociação, sem dúvida! Já agora, por que não podem ser implementadas as fronteiras de 1967??

Levy disse...

Caro Cirrus,

não sei se leu com atenção o que eu escrevi, mas se for ler, está lá que as fronteiras serão equivalentes. Por isso, algumas cidades árabes que estão actualmente em Israel, podem passar para o estado palestiniano e Israel mantém as maiores cidades da Judeia e Samaria. Não vejo outra solução possível.

Cirrus disse...

Estou de acordo, claro. Mas e os colonatos que estão bem dentro de território palestiniano? Ficam com quem?

Levy disse...

Esses terão de ser desmantelados a começar pelos ilegais que alguns tentam implementar. O ministro da defesa Ehud Barak tem sido particularmente firme nesse aspecto. Além disso, o último governo do Kadima, tornou pouco atractivas fiscalmente algumas zonas, para que dessa forma fossem abandonadas. Conseguiram fazer diminuir a população numa série de sítios. Claro que estas informações não aparecem nos média...

O Cirrus não tem uma posição muito diferente da minha, pelo que li, a diferença é que eu entendo que não deve haver nada cedido, ou alterado fora do quadro negocial. Tão somente. E acho que a AP não está a fazer o melhor pelo povo palestiniano. A AP deveria ser a primeira a querer negociar sem pre-condições...

Cirrus disse...

A ser assim, é um contra-senso construir para destruir a seguir. Penso que é regra de bom senso que as hostilidades parem antes de se entrar em negociações. De qualquer das formas, sentá-los à mesma mesa seria uma vitória considerável. Julgo que, com a força de Obama, as coisas podem andar nesse sentido. Depois... depois logo se verá!