segunda-feira, 22 de novembro de 2010

E a Fenprof quanto custa?

Hoje à saída de um encontro com o líder do PSD, o Secretário-Geral da Fenprof, Mário Nogueira,  defendeu a extinção das 5 Direcções Regionais de Educação. A medida, segundo ele, reduziria os custos e não afectaria o funcionamento do sistema, pois a DRE's são estruturas completamente inúteis e que apenas servem para “ter gente do partido e fazer um controlo político das escolas"
Nogueira tem toda a razão, mas infelizmente não tem muita moral para dizer o que disse. E o motivo é simples: ele próprio é uma gordura do Estado, pois apesar de ser sindicalista, nunca  deixou de ser funcionário do Ministério da Educação,  sendo  o seu vencimento  pago por esse mesmo ministério (pela entidade patronal, entenda-se). Este aspecto, aparentemente inocente, fere de morte a legitimidade de Mário Nogueira, quer junto da opinião pública, quer junto daqueles que alegadamente defende. 
A credibilidade da Fenprof seria muitíssimo maior se fossem os associados a custear as suas estruturas, nomeadamente os ordenados dos seus dirigentes. Ser o Estado, através das escolas, a pagar o vencimento dos sindicalistas, para além de fazer crescer a despesa pública, levanta questões de transparência. Quem é que garante aos professores que a Fenprof defende os interesses dos docentes, e não os do Ministério da Educação? Ninguém - como se viu aliás pela assinatura do acordo entre a Fenprof e a Ministra Alçada.  Esse entendimento, apenas beneficiou o Ministério da Educação: a carreira dos professores foi destruída, e a avaliação de desempenho ainda ficou pior do que estava.
Por tudo isto, e já que se está numa de cortes, seria talvez a altura de colocar o sindicalismo fora da folha salarial do Ministério da Educação, e de serem os professores a custear os seus representantes. Desta forma, não só exerceriam um escrutínio mais eficaz sobre as actividades dos sindicalistas, como teriam a certeza de que os sindicatos efectivamente os defendiam. Para além disso, evitariam que os seus assuntos laborais fossem usados politicamente por certos partidos (PCP à cabeça) e ainda faziam com que certos 'professores'  se eternizassem nas direcções dos sindicatos, longe do ensino e dos alunos que tanto dizem defender.
Esta medida não é contra o sindicalismo, muito pelo contrário. A ser aplicada traria uma nova credibilidade aos sindicatos  e faria com que se focassem na sua principal missão: defender os interesses laborais dos seus associados. Os sindicatos são o último refúgio que os professores têm, é por isso do seu interesse que sejam liderados por gente capaz, e que saiba e sinta na pele o que se passa actualmente dentro das escolas.

4 comentários:

provocação disse...

Os sindicatos têm sempre grandes tachos. Não só os da educação, na verdade trocaram-se os ideais pela entrada de dinheiro, e quem der mais consegue virar o leme.

Cirrus disse...

Concordo com o princípio da independência sindical. Penso ser o melhor caminho para defender os interesses dos sindicalizados.

3virgula14 disse...

Bravo, David.

Lura do Grilo disse...

Não podiam eliminar o "Mário Nogueira" (no sentido sindical e corporativo)? Só gosto dele quando está em Cuba.