terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O sapo

Por onde andariam estes indignados  há um ano quando José Sócrates deixava falir o país e ocupava as tardes em acções de propaganda eleitoral? Muitos andaram a bater-lhe palmas e até foram ao cúmulo de votar nele três vezes. Ninguém lhes ouviu um lamento. Mas agora com Cavaco Silva a exigência é outra: bastou o Presidente ter feito uma declaração inapropriada, para imediatamente montarem um circo de protestos em volta disso. 
Esta onda de indignação só vem confirmar uma coisa e demonstrar outra: os portugueses só se mexem quando o que está em causa é acessório e há muita gente que até hoje não engoliu o sapo de haver em Portugal um Presidente da República de direita. Trata-se portanto de uma regurgitação e nada mais do que isso.

4 comentários:

Dylan disse...

Aquilo que Cavaco disse passa claramente todas as fronteiras políticas. Não é disso que se trata, não tem a haver com a direita ou a esquerda como o Levy quer fazer querer. Não foi uma declaração inapropriada, foi uma declaração vergonhosa à qual espero que acabe por pagar bem caro.

David Levy disse...

@ Dylan

Isso é o que se chama fazer uma tempestade num copo de água. A declaração foi mal feita e por isso inapropriada, Cavaco já devia saber o país onde está e não dizer tal coisa. Mas dai até ao circo que está montado vai uma grande distância. Só falta crucificarem o homem.
Tem a ver com a direita e com a esquerda: mostre-me alguém de direita que ande no meio desta 'onda'.

Dylan disse...

Marcelo Rebelo de Sousa.

O Raio disse...

"quando José Sócrates deixava falir o país"

Bom, o país não está falido, está com problemas causados, segundo a própria imprensa alemã da altura, por o Governo de Sócrates ter sido obrigado a pedir ajuda para se tentar evitar que o problema chegasse a Espanha.

Por outras palavras, estamos a sacrificarmo-nos para salvar a Espanha e a Europa.

Depois Sócrates deve ter sido dos políticos mais atacados em Portugal. Houve indignados a granel...

Por fim, as declarações de Cavaco mostram uma total insensibilidade social incompatível com o cargo que ocupa.

Num país em que a reforma média nem chega ao ordenado mínimo, dispor de mais de vinte ordenados mínimos por mês e queixar-se de que não lhe chega é o cumulo! Pessoalmente nem acho que se trate de insensibilidade social, pessoalmente acho que é um caso simples de estupidez.