quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Eliminem-se os professores...

... e o défice descerá de 8,5% para 5,5% do PIB. A julgar pelos cálculos que Pedro Adão e Silva apresenta no Diário Económico, a massa salarial dos professores representa 3% do PIB, o que, segundo este ilustre "politólogo", é uma pesada factura para um país tão bem gerido como Portugal. Para não variar, só fez as contas que lhe deu jeito fazer. Não referiu que os professores, para além de serem quase todos licenciados e serem a maior classe profissional, representam 2,7% da força laboral do país. A maior classe, e uma das mais qualificadas, representa 2,7% dos empregos e recebe 3% do rendimento. Um nítido exagero.
Mas destes números não quis saber Pedro Adão e Silva. Limitou-se a seguir a moda: cada vez que se fala em carreiras de professores, as carpideiras do regime saltam a terreno, para debitar as mentiras do costume. Miguel Sousa Tavares, Emídio Rangel, e agora Pedro Adão e Silva, estão sempre à espera da oportunidade para emitir a sua sentença de alegados entendidos em educação e/ou economia. Invariavelmente concluem sempre o mesmo: os professores trabalham pouco e ganham muito. Nem vale a pena complicar de mais, porque tudo se resume a isso.
Esta é uma das terríveis consequências da política de hostilização dos professores, seguida pelo governo Sócrates. Mas não só. É também o resultado da excessiva exposição que os sindicatos, e alguns professores, fazem da carreira docente. Os líderes sindicais, que surgiram a anunciar o acordo celebrado com a ministra da Educação, são disso exemplo. Deveriam ter revelado um pouco mais de sobriedade e recato, para não expor uma classe inteira aos disparates dos comentadores anti-professores. Deveriam saber que há muita inveja na sociedade portuguesa contra esta profissão, e que em tempos de crise as invejas são ainda mais exacerbadas. Principalmente quando são promovidas pelos demagogos do costume.
A juntar a isso, acresce ainda o facto de a palavra "acordo", colar imediatamente aos professores a palavra "privilégio". O que é um perigo, pois nem o acordo é o que parece, como depressa muitos professores perceberão, nem há garantias que daqui a 2 anos ainda esteja em vigor. Mário Nogueira e outros, às vezes parecem esquecer-se que estão a lidar com o Ministério do Faz e Desfaz, que governa o País dos Invejosos.

4 comentários:

Maria Ribeiro disse...

GRANDE POST, LEVY!
Esperemos que os Profs ,pelas mãos de Mário Nogueira, não adormeçam, à sombra da "bananeira" daquele ministério, que eu sinto que continua com o veneno da cobra anterior...
Não sei porquê, mas a nova Senhora não me convence...
E sim, é verdade! estamos num país onde a inveja é a mãe de todos os outros pecados..
BEIJO DE
LUSIBERO

Levy disse...

Obrigado Maria,

não serve é de nada, porque efectivamente não somos nós que mandamos.

Bj

manuel gouveia disse...

Finalmente alguém defende o mesmo que eu! Temos que apostar nos salários baixos, para isso não precisamos de educação!

Para educarmos as elites temos as escolas estrangeiras que temos por cá e onde o Sócrates tem os filhos...

Professores para a rua já!

Maria Ribeiro disse...

ISSO MESMO, Manuel Gouveia! Qualquer dia deixamos de ter eleições, como em Angola, de tal maneira isto se transformou num feudo "deles"...
LUSIBERO