terça-feira, 12 de outubro de 2010

Autoridade Palestiniana: um falso desejo de paz

Hoje na abertura da sessão de Inverno da Knesset, o primeiro-ministro Netanyahu propôs os prolongamento do congelamento das construções na Judeia e na Samaria, em troca do reconhecimento por parte da Autoridade Palestiniana de Israel como Estado Judaico.
A resposta não se fez esperar: a AP  declinou a proposta israelita,  recusando-se a reconhecer Israel como Estado Judaico.
A AP segue  a mesma cartilha de sempre: faz constantes exigências, assim que as exigências são satisfeitas, passa às seguintes,  e assim sucessivamente. Foi o que aconteceu neste caso em concreto, onde andou meses a exigir o congelamento, fez-se o congelamento, mas só 1 mês antes deste terminar é que se sentou à mesa das negociações. Decisão estratégica, pois assim poderia imediatamente exigir outro. E foi o que aconteceu. Feita a contraproposta de moratória (em troca do reconhecimento de Israel), recusou outra vez. 
O motivo para este  percurso errático é há muito conhecido: a AP,  para além de ter outras intenções (eliminar Israel e fundar um estado árabe em todo o território da Palestina),  beneficia do actual statu quo, pelo que não está interessada em mudanças imediatas, e muito menos em ter um pequeno estado para governar. Actualmente os líderes palestinianos podem praticar o seu desporto favorito - a vitimização -  e beneficiar de uma situação de poder altamente lucrativa, onde impera a corrupção, e tudo isto sem ter a maçada de alimentar e tratar de 4 milhões de pessoas. Por isso, sempre que Israel propõe alguma coisa, apressam-se imediatamente a recusar. Fazem-no porque sabem que esta atitude passa bem na rua e porque já perceberam que o governo israelita não tem uma estratégia clara para as conversações de paz.
A estratégia de fundo da AP consiste em recusar tudo, e protelar ao máximo o avanço do processo de paz, pois só assim pode desgastar Israel perante a opinião pública mundial - sempre piedosa  do martirizado povo palestiniano - e  extremar o mais possível o seu governo, fazendo a extrema-direita ganhar força. Desta forma a AP consegue que o conflito nunca termine, e principalmente que não se desvirtue. A recusa de hoje tem precisamente esse propósito:  manter as coisas ao nível de 1948, pois tal como agora, o problema era o não reconhecimento de Israel por parte dos árabes e não o contrário. Desde esse tempo que a destruição do Estado Judaico  sempre foi o leitmotiv  dos palestinianos. Tal objectivo nunca esteve tão perto como actualmente. Para  o alcançar contam com uma comunidade internacional favorável, com um Hussein Obama  na Casa Branca, com o extremismo cada vez maior de alguns sectores em Israel, com o Hezbollah, mas principalmente com o Irão. 
Independentemente dos ziguezagues do governo de Netanyahu,  o processo de paz, a manter-se refém da estratégia da AP, será um fiasco, pelo simples motivo de que o Estado de  Israel  não pode fazer a paz com quem não o reconhece, mas principalmente com quem o quer destruir.

9 comentários:

Anónimo disse...

A proposta israelita não era séria, nem ninguém alguma vez esperava que viesse a ser aceite.
Serve de barganha agora, mas só mesmo isso.
Ainda há muito para trabalhar e a AP tem cada vez menos tempo para demonstrar aos que é melhor do que o Hamas.

David Levy disse...

E por que é que não é séria?
O mutuo reconhecimento é minimo necessário para haver dialogo. Se a AP não reconhece Israel como estado judaico, o que é que está a fazer nestas conversações? Alias, se não reconhece Israel, o conflito nunca sairá do mesmo sitio, uma vez que teve origem precisamente ai: enquanto em 1948 Israel aceitou um estado árabe, os árabes nunca aceitaram Israel (como estado judeu). Qualquer coisa que não siga a existência de 2 estados, 2 povos, é pura perda de tempo.
A AP com este tipo de atitudes só está a reforçar os que em Israel qurem tomar posse de toda a Judeia e Samaria - os extremistas.
E o governo israelita faz que não vê.

Bernardo disse...

Do meu ponto de vista, é algo que nesta altura do campeonato e depois de já tantas vezes sentados à mesa das negociações, fez pouco sentido. Principalmente porque este "reconhecimento" implicaria deixar cair a priori a questão do retorno dos refugiados palestinianos, o que dificilmente Abbas poderia concordar.
Aquilo que parece estar a acontecer são uma série de medidas às quais Nethanyau está a dar seguimento como forma de apaziguar as franjas mais radicais do seu governo (i.e. o Ysrael Beitenu de Lieberman), garantindo assim uma manutenção da moratória nas construções (algo que, julgo eu, nos termos do Road Map acordado por Israel e AP, nem deveriam ter tido lugar).
Mais uma vez, a janela de oportunidade está progressivamente a encurtar mas parece-me que para isso muito tem contribuido o comportamento do actual Governo de Israel.

Anónimo disse...

Os países árabes não reconhecem Israel como estado judaico da mesma forma que este não os reconhece como países muçulmanos. É por isso que não é séria a proposta, como a própria oposição israelita o sabe.
É disso que se está a falar e não vale a pena vir com esses jogos de palavras.

David Levy disse...

Caro anónimo,

Desculpe que lhe diga, mas o seu comentário revela uma profunda ignorância.
Israel tem relações diplomáticas com vários países muçulmanos:

- Egipto
- Turquia
- Mauritânia
- Jordânia
- Quirguistão
- Cazaquistão
- Turcomenistão
- Uzbequistão
- Eritreia
- Mauritânia
- Nigéria

Israel aceita, e sempre aceitou um estado árabe na Palestina.

O senhor é que está com jogos de palavras, e recusa-se a reconhecer aquilo que é óbvio: os palestinianos nunca aceitaram Israel e continuam a não aceitar. SE não aceitam, arriscam-se a ficar sem Estado eternamente.

Anónimo disse...

Você treslê e depois avança por caminhos errados.

Israel não é igual a estado judaico,
como estado árabe não é igual a estado muçulmano.

O que a AP não quer reconhecer não é Israel - que já reconheceu... - mas sim o carácter confessional, judaico, de Israel.

E, por falar em ignorância, vá dizer aos nigerianos do sul que são muçulmanos, porque eles julgam que não são.

Anónimo disse...

Desculpem a minha ignorância mas o que é um "Estado Judaico" e em que medida o reconhecimento como tal se diferencia de um mero reconhecimento como um país independente?
Porquê esta formulação? Nunca soube que se reconhecesse Portugal como estado português ou os EUA como estado norte americano por Ex.

David Levy disse...

Anónimo

quem falou estados confessionais foi você. Usou a expressão "países muçulmanos".

Um Estado Judaico não é um estado confessional, é um estado para o Povo Judeu viver. Um Judeu não é apenas uma pessoa que professa a religião judaica. Os Judeus formam um povo, e a maioria é laica....

Apenas enumerei os países com maioria muçulmana. A Nigéria é um deles.

Anónimo disse...

país muçulmano igual a estado confessional
estado judaico não é igual a estado confessional. Certo,
Os judeus formam um povo, os muçulmanos não. Certo.
Se estiver a falar do ponto de vista étnico, é bem evidente que os eslavos, os de origem norte e centro europeu, os sefarditas, os berberes, os de origem da Ásia Menor, os falashas, os de origem indiana, etc, formam um povo etnicamente falando. Os egípcios, ou os libaneses, por exemplo, não. Certo.
Confunde os seus desejos com a realidade.
A Nigéria terá, na melhor das hipóteses, 50 % de muçulmanos.