quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Congelamento

O governo israelita aprovou ontem o congelamento por um período de 10 meses de todas as construções na Judeia e Samaria. A decisão, tomada em conselho de ministros, teve 11 votos a favor, 1 contra, e 2 ministros ausentes, entre eles Eli Yishai do Partido Shas (ortodoxo sefardita), que boicotou a votação. A medida abrange apenas as novas construções, deixando de fora as já em andamento.
Logo a seguir à aprovação, o primeiro-ministro Netanyahu deu uma conferência de imprensa, onde anunciou a decisão e declarou que "o governo de Israel deu um passo importante em direcção à paz, façamos juntos a paz".
O Partido Kadima, o maior da Oposição, já reagiu favoravelmente à decisão governamental, mas lamentou que a mesma tenha sido tomada em resultado da pressão internacional e demasiado tarde.
Do lado dos palestinianos, já há reacções a esta reviravolta israelita: continuam a recusar voltar à mesa nas negociações, porque o congelamento anunciado não inclui a capital de Israel, Jerusalém. Chantagem uma vez, chantagem sempre, principalmente quando resulta. Israel cedeu desta vez, e já obteve um "não" como resposta, resta saber se continuará a fazer cedências atrás de cedências, sem obter nada em troca. Nem que seja o regresso dos palestinianos à mesa das negociações. Será curioso verificar o que acontecerá se as construções pararem e as conversações não começarem.

4 comentários:

Anónimo disse...

João Bastos

A Relembrar: Os Colonatos violam a lei internacional, situam-se em terra roubada aos palestinianos e a expansão dos mesmos está na ordem do dia. O regime de apartheid de Israel e a consequente limpeza étnica do povo palestiniano não passará impune. O muro de vergonha, muito maior que o de Berlim, os Checkpoints, o derrube de casas dos palestinianos a horas de curfiew e os recentes crimes de guerra cometidos em gaza, serão razões mais do que suficientes para que Netanyahu se sente no TPI como qualquer outro criminoso de guerra. Isto só não acontece porque Israel tem um Lobi poderosissimo nos EUA (AIPAC) que lhes protegem contra qualquer resolução Internacional, quer nas Nações Unidas que por qualquer outro organismo internacional.

Só não vê quem não quer, ou quem se limita a esconder a verdadeira monstruosidade que é a Ocupação israelita, uma das mais longas e violentas da história moderna.

Levy disse...

Caro João Bastos

Nesse caso deve estar satisfeito com a decisão do governo israelita. Encaixa perfeitamente na sua cassete.

Anónimo disse...

João Bastos

Caro Levi, não é uma cassete. É um facto!

Não. Não estou satisfeito, porque este congelamento é virtual. Depois do relatório Goldstone sobre os crimes cometidos em Gaza pela IDF onde 1300 palestinianos foram massacrados com armas proíbidas internacionalmente como fósforo branco e provávelmente urânio emprobecido e onde apenas 13 solados israelitas morreram, e que Israel por todos os meios tentou impedir, este congelamento significa apenas um golpe progandistíco perante a pressão internacional.

Os Colonatos continuarão a ser expandidos, esta é política de Israel desde a NAKBA (a catastrofe). A usurpação de toda a terra palestiniana é política que Israel persegue desde a sua formação. Não existe possibilidade para a criação de um Estado palestiniano, porque isso não se enquadra na política Sionista.

Como se costuma dizer os mapas não mentem:
http://lawrenceofcyberia.blogs.com/photos/maps/landloss.jpg

Se Israel realmente quisesse um processo de paz e a formação de um Estado Palestiniano não teria construído o Muro do Apartheid em que práticamente circula aldeias palestinianas inteiras usurpando ainda, mais território.

LINK:
O Muro da Vergonha
http://documentaries2bseen.blogs.sapo.pt/497.html

abraço Levy; Gosto do teu blogue!

Levy disse...

Caro João Bastos,

agradeço a visita e os comentários.
Como calcula discordo em absoluto deles. Vou tentar argumentar, apesar de isso não ser fácil, porque o João se baseia em posições anti-israelitas, e eu não me baseio em posições anti-palestinianas. As criticas que faço aos palestinianos prendem-se mais com a estratégia que seguiram ao longo do tempo para obterem o seu estado. Não têm sido as melhores...

- Sobre o relatório Goldstone, já aqui escrevi bastante, por isso não vou repetir tudo outra vez. Mas digo o essencial: é um relatório encomendado por países anti-israel, como Cuba, Sudão etc. Isso por si só não fazia grande diferença, se o relatório fosse minimamente credível. Mas não é, porque exclui completamente o Hamas. Nada melhor que um relatório tendencioso para que nada se apure, ou se penalize.
Eu apoiei a Operação Chumbo Endurecido, e considero que Israel agiu em legitima defesa. Não é possível a um pais estar debaixo de ameaças. Mas ao contrário de si, não julgo que existam santos na operação de Gaza. Por isso, não percebo como é que pode citar um relatório que apenas acusa uma das partes.
Fala no fósforo branco, mas não fala nos escudos humanos... assim está a fazer o jogo dos que ocupam a Faixa de Gaza;

- Sobre o congelamento, é natural que ache que é uma manobra de propaganda. Faça Israel o que fizer, pessoas como o João vão sempre dizer mal. Se amanhã Israel evacuasse toda a Judeia e Samaria, o João diria o mesmo.

- o muro de protecção, serviu e serve para impedir a entrada de ataques suicidas. Está a ter um excelente resultado. Pura e simplesmente acabaram. Esse muro servirá também para delimitar a futura fronteira internacional. Sobre os problemas causados aos palestinianos pela construção do muro, têm havido o levantamento progressivo de algumas restrições. São públicas, tenho-as lido nos jornais.

- Sobre a intenções de Israel em relação a um futuro estado palestiniano, as afirmações que faz esbarram na realidade israelita. A maioria dos partidos são-lhe favoráveis. Neste momento não há um estado palestiniano, em 1º lugar porque os palestinianos não o fundaram antes em 1948 e nem durante o período que foi de 1948 a 1967. Em 2º lugar porque entregaram a sua representação a terroristas (OLP, Hamas, etc)que sempre que se procedia a um avanço, recuavam a diziam que não. É o que está a acontecer neste momento: Israel já declarou que quer começar a negociar, a AP recusa-se. As questões da construção, das fronteiras, do futuro estado palestiniano, só podem ser resolvidas à mesa negocial. Se a AP não quer sentar-se e negociar, como julga que vão ter um estado? Em Israel não falta quem não o queira...e se os próprios palestinianos não se mexem...