quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Jerusalém

Israel aprovou a construção de 900 casas no bairro de Gilo em Jerusalém. Em qualquer outro lugar do mundo, tal aprovação seria completamente ignorada. Mas não neste caso, Israel é o único país que tem constantemente a imprensa e os governos internacionais a ingerirem-se nos seus assuntos de natureza municipal. A Casa Branca, por exemplo, já se mostrou "consternada" com a construção das novas habitações.
Para além de não se indignar com outros assuntos, a administração Obama ainda não percebeu um facto básico: Jerusalém é a capital de Israel, e todos os aspectos referentes a gestão da cidade são assuntos do Estado de Israel. Com estas interferências, a Casa Branca não só se intromete na política interna de outro país, como insiste em querer tornar árabe uma cidade que é judaica, e em ignorar completamente a história recente da região.
Jerusalém foi abandonada à sua sorte pela comunidade internacional em Maio de 1948. Na altura, tal como hoje, a maioria da população era composta por Judeus. Apesar disso, o plano de partilha da Palestina previa para Jerusalém um estatuto de cidade internacional. Não passou das previsões: enquanto que a Agência Judaica aceitou esse estatuto, a Assembleia Geral das Nações Unidas rejeitou três propostas que visavam colocar a cidade sob a sua administração. Na linha da frente da rejeição surgiram os estados árabes, que contra toda a demografia da época, insistiam em decretar Jerusalém como árabe. As Nações Unidas não assumiram as suas responsabilidades como estava previsto. Os árabes, exultantes com a derrota das propostas, decretaram que a guerra resolveria a situação (e que expulsariam os Judeus). Foram cumpridos os desejos de ambos e Israel conquistou a cidade, primeiro uma parte (em 1948), depois o resto (em 1967).
Se a História tivesse decorrido de outra maneira, e os estados árabes tivessem ganho as guerras e expulso os Judeus, como prometiam, toda a discussão em torno de Jerusalém não se verificaria. A conquista árabe seria vista como consequência de uma guerra e por isso com benevolência e naturalidade. Como foi o contrário que aconteceu (com excepção da expulsão dos árabes, que não se chegou a verificar), todos os dias há declarações criticando a soberania israelita.
Os que abandonaram Jerusalém e os que os que a queriam tomar ilegitimamente, surgem agora muito indignados como a construção de casas em determinados bairros. Deveriam ter pensado nisso em 1948.

4 comentários:

tratados disse...

Caro Levy,

Acho que, do ponto de vista intelectual, não está a ser totalmente honesto. O problema com Jerusalém não terminou em 1948 - aliás, ainda hoje não terminou. Mas se quiser usar uma data como referência, essa, como muito bem sabe, terá de ser Junho de 1967, e não Maio de 1948. A sua observação acerca das preocupações do mundo em relação às construções em Jerusalém fazem sentido mas apenas em relação a Jerusalém Ocidental; Jerusalém Oriental não é Israel.

Um abraço,

Bruno Martins

Levy disse...

Mudar a data de referência para 1967 em nada altera a questão de fundo. Na altura, os árabes diziam da parte ocidental, o que o Bruno diz hoje da parte oriental. Que não era Israel. Acontece que Jerusalém, toda ela, é Israel. E não há lei nenhuma, ou autoridade que possa dizer o contrário, porque Jerusalém para além de ser maioritáriamente judaica, foi uma cidade pela qual todos se desresponsabilizaram, excepto Israel. Que a tomou na guerra.
Recordo-lhe que os palestinianos nem sequer existiam enquanto povo, quer em 1967, quer em 1948. Havia árabes...

Abraço.

manuel gouveia disse...

Percebo! Nós por cá também insistimos que a Amadora é Portugal, quando todos nós sabemos que é a maior cidade africana no continente europeu...

Range-o-Dente disse...

Chapelada.

RoD