quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Declaração de guerra

"Navios de guerra turcos irão escoltar qualquer ajuda humanitária turca que seja enviada para a Faixa de Gaza", declarou hoje o primeiro-ministro Erdogan à televisão Al Jazeera.  O líder turco em plena competição com o Presidente iraniano, para ver quem lança as tiradas mais incendiarias de forma a liderar a rua muçulmana.
Um afirmação destas equivale a uma pré-declaração de guerra a Israel. A Faixa de Gaza é um território ocupado pelo Hamas, grupo terrorista em guerra aberta com Israel. O bloqueio naval israelita a Gaza é uma consequência do estado de conflito em vigor. Tentar violar o bloqueio, seja com ajudas humanitárias, seja com escoltas militares às ajudas humanitárias, não passa de uma provocação e de um acto de guerra. Erdogan é um populista perigoso e parece estar à beira de arrastar o seu país para um conflito militar que, a ocorrer, não será uma simples escaramuça. Incendiará o Médio Oriente inteiro.

10 comentários:

Anabela Magalhães disse...

Mau maria! :(

Anónimo disse...

Também podia "chefiar" uma flotilha a Chipree aproveitar para deitar abaixo o muro

David Levy disse...

Ou uma ao Curdistão e erguer uma cerca.

zé sequeira disse...

É claro que Erdogan foi "obrigado" a dizer qualquer coisa, digamos, de indole mais ou menos bélica, após Israel se ter recusado a "pedir desculpa" pelo incidente com a flotilha, dita humanitária. De outro modo ficaria numa situação delicada e os tempos, por essas bandas, não estão para escorregadelas dessas. O perigo para Israel não vem da Turquia, não porque este país - da NATO, não esqueçamos - não tenha algum poderio militar, mas porque esse conflito não faz parte da genética desses dois povos: Judeus e Otomanos, se não são abertamente amigos, têm séculos de convivência, em perfeita simbiose, que não deve ser desprezada.
O perigo para Israel - caso este país não se digne perceber a oportunidade histórica que tem pela frente - virá de outro lado, provavelmente de onde menos se esperaría...
josé sequeira

David Levy disse...

@ Zé Sequeira,

O ministro da Defesa, Ehud Barak, tem mais ou menos a sua opinião. Eu não estou tão certo disso, pois o poder às vezes sobe à cabeça das pessoas. De qualquer das formas, o modo de agir de Erdogan já é em si um rompimento com o que era tradição dos primeiros-ministros turcos. Não sei se com outro primeiro-ministro teria existido uma flotilha a tentar furar um bloqueio naval imposto por um aliado.

zé sequeira disse...

David
Não conhecia as declarações do Ehud Barak. Nem pensava que alguém com o papel que ele tem em Israel as devesse ter tido. Neste momento convém a Israel que, por razões internas, Erdogan possa ter os seus 15 minutos de fanfarronice.
Você também tem razão no que pensa. Nunca sabemos o que se pode passar, quer na cabeça de um político como Erdogan, quer na "rua" turca. À partida penso que a coisa agora vai acalmar. Veremos.

Anónimo disse...

Existe na Turquia uma rotura com o legado de Ataturk, não é preciso ser muito perspicaz para ver isso. O problema é se no futuro alguma organização "humanitária" islâmico esquerdista resolve lançar uma frota em direcção a Gaza, o que fará então o sr. Erdogan?
F.G.

David Levy disse...

@ Zé sequeira,

Ehud Barak não foi tão explicito como você, apenas disse que as relações com a Turquia tenderiam a normalizar e que a fase de crispação passaria.

zé sequeira disse...

David
Assim já estou mais descansado. Tinha o Ehud Barak na conta de, pelo menos, tão bom político como foi militar.
Entretanto, no Egipto, temos o assalto à embaixada de Israel... Isso já me parece mais complicado, até porque nesse país a fase é mesmo de ausência de poder; há poder, mas transitório, hesitante e cada vez com menos capacidade de intervençaõ; e as eleições "livres" ainda podem piorar as coisas. É um fenómeno a seguir com atenção (e preocupação). E, acontecimentos como na Argélia ou na própria Turquia e até, noutra escala, na Cisjordânia, em que as "irmandades" foram mais ou menos "impedidas" de ganhar eleições, estão agora mais complicadas e, ao fim e ao cabo, as "primaveras" são para criar regimes "democráticos", mesmo que, após as eleições, deixem de o ser.
josé sequeira

Anónimo disse...

Existe na Turquia uma rotura com o legado político de Ataturk em busca de protagonismo mas ao mesmo tempo um culto de personalidade pelo mesmo Ataturk. A Turquia neste momento, deixou-se de virar para Europa, excepto quando lhe convém, e pretende assumir o papel fundamental a Oriente em contraponto ao Irão.
JS