terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tzipi Livni em entrevista à CNN turca


Nesta entrevista ao serviço em turco da CNN, Livni declarou ainda que: "Eu tive muitos encontros com Erdogan, mas mesmo assim, em situações difíceis, fomos capazes de recrutar a Turquia para o nosso lado. A nossa reação à flotilha foi justificada, como é justificado o bloqueio naval a Gaza, mas prender ou deter cidadãos israelitas nos aeroportos da Turquia é inaceitável." 
A líder da Oposição em Israel prestou estas declarações no dia em que a Turquia anunciou a "suspensão total" das relações militares e comerciais com Israel, o último acto populista do primeiro-ministro turco que parece cada vez mais apostado em governar para a rua muçulmana e em incendiar a região.

6 comentários:

zé sequeira disse...

De quem se devem queixar os palestinianos:
Em primeiro lugar, deles próprios. Não conseguiram evitar o mal que grassa um pouco por todos os movimentos de libertação e mantiveram, durante anos, dirigentes (até, e especialmente, Yasser Arafat) corruptos e interessados essencialmente em aumentar a sua conta bancária pessoal. Ao homem que, durante anos, tal como o Che Guevara, viu a sua cara, de barba mal semeada, emoldurada pela kufya, estampada em milhares de t-shirts, nem sequer escapou o triste episódio do casamento com uma loura espampanante que, no fim, se aboletou com parte do dinheiro que, generosamente, países e doadores anónimos colocaram no regaço da Autoridade Palestiniana.
Esse mal-estar foi, certamente, uma das causas do aparecimento de movimentos fundamentalistas, promovidos pelas Causas mais radicais e extremistas do mundo muçulmano, para quem Israel deve, pura e simplesmente, ser varrido do mapa.

Em segundo lugar, dos seus vizinhos e pseudo-amigos árabes, que nunca souberam, na prática, no terreno, derrotar militarmente, apesar da retórica inflamada, o estado de Israel. Além disso, não nos esqueçamos que, entre 1948 e 1967, a zona que hoje é reivindicada como sendo o estado da Palestina, foi governada pelos jordanos, sem que estes lhe tenham outorgado qualquer tipo de autonomia ou independência, o que podiam perfeitamente ter feito. A ocupação, por Israel, em 67, de uma espécie de “terra de ninguém” seria bem diferente se se tratasse de um estado já soberano. Pessoalmente penso que a generalidade dos palestinianos, sendo semitas e não árabes, tendo uma cultura e um islamismo menos presente, basicamente laico, com uma profusão de cristãos bem mais importante que a média dos restantes países da zona, não são propriamente um modelo susceptível de ser muito apoiado pelos que os cercam.

Em terceiro lugar, das suas próprias escolhas, sempre que foram chamados a tomar partido. Lembremo-nos da cobarde actuação dos imigrantes palestinianos, em território do Koweit, quando este foi invadido pelas tropas do Saddam, ficando com o triste opróbrio de terem cuspido na mão que lhes deu de comer. Igualmente criaram, ao longo dos anos, grandes incómodos nos países que os receberam como exilados, nomeadamente na Jordânia e no Líbano, a ponto de terem sofrido massacres punitivos, consequência de abusos perpetrados contra quem os acolheu.

Em quarto lugar, pela estupidez com que dão sistematicamente armas morais aos seus inimigos, ainda por cima sem causarem embaraços de maior, o que, do seu ponto de vista, deveria ser suficiente para arrepiar caminho.
(continua...)

zé sequeira disse...

(... continuação)
Quanto a Israel, apesar de aparecer como um jogador forte, pujante e quase invencível, está numa situação dramática, tanto mais difícil, quanto menos parece que assim seja. Paradoxalmente, a aparente fortaleza, esconde uma fragilidade que pode ser posta em causa, com o passar do tempo, devido a causas endógenas e exógenas. Começando pelas segundas, todos sabemos que, de per si, com a diminuta população, a ausência de recursos naturais, na área da energia, e a hostilidade da generalidade dos vizinhos, a sobrevivência desse estado só é possível porque, simplesmente, não paga o muito que recebe dos Estados Unidos. Ninguém (que não tenha os sentidos embotados) acredita que os tanques, os aviões, a marinha, os sistemas sofisticados de defesa e ataque, os satélites, as armas nucleares, etc… etc… pudessem ser possíveis num país, de tamanho e recursos semelhantes, se fizessem parte do orçamento de estado. Ora a dependência filial de outrem é muito bonita enquanto dura, mas pode desaparecer se as condições de quem suporta se deteriorarem. Dos países emergentes, Israel tem o apoio da Índia (por causa do vizinho Paquistão esta apoia tudo o que seja anti-muçulmano) e de mais nenhum outro. China, Brasil ou Turquia, não falando do gigante indonésio ou das “democracias”, tuteladas pelas “irmandades muçulmanas” que vão provavelmente sair das várias “primaveras árabes”, não são propriamente portadoras de grandes amizades para com o estado judaico. Quanto às primeiras (endógenas), começam já a ser mais visíveis. Com o passar dos anos as gerações, tão “à rasca” como nos outros lados, começam a não ter respeito pelos grandes heróis do passado (Ben Gurion, Moshe Dayan, etc… etc… ), pelas dificuldades dos tempos iniciais, pelos benefícios das Unidades Colectivas de Produção (os célebres Kibutz); a guerra permanente inferniza as suas vidas, obriga-as a um esforço imenso, traduzido num custo de vida incomportável, ao mesmo tempo que vêem uma sociedade cada vez mais refém de extremismos religiosos, sorvedouros de dinheiros públicos, e que lhes começam a dizer muito pouco, incluindo a não displicente “importação” de populações que, sendo, num passado remoto, vagamente judias, acabam por passar a viver mais ou menos “à conta”. Nesse clima não é difícil pensar que a causa da “troca de terra pela paz” tenha cada vez mais adeptos, quando confrontada com a causa do “Grande Israel”. A minha geração passou por isso, quando o incómodo da guerra em África (tocava-nos ir lá malhar com os ossos) passou a pesar mais que a noção do Portugal pluri-continental dos nossos maiores.

Em resumo, a sociedade israelita está perante um dilema terrível: ou continua numa guerra de desgaste (essencialmente interno) e negação da realidade que, pelos ensinamentos da história, sabemos não poder vencer, ou vai pela via inteligente da sobrevivência futura, cedendo de uma forma dramática (do ponto de vista interno) os territórios pré 67, incluindo Jerusalém Oriental, provavelmente em troca do não retorno dos descendentes dos refugiados de 1948.

Infelizmente, para mim que, na juventude, espumei de raiva e, ao mesmo tempo inclinei-me de admiração pela tenacidade de um povo, com a leitura do Mila 18, de Leon Uris, vibrei com a história da aventura do Exodus, abri os olhos de deslumbramento com os feitos agrícolas de quem fez brotar flores do deserto e saltei de alegria com as vitórias dos pilotos dos Mirage da estrela de seis pontas em 67, não acredito que estejam reunidas as condições para que as actuais gerações que comandam Israel, injustamente reféns da cegueira dos que não são capazes de ver mais para além da ocupação sistemática da dita terra prometida, sejam capazes de dar esse corajoso passo, ao fim e ao cabo, antes que seja tarde.

Espero sinceramente estar enganado.

Cirrus disse...

O jogo adensa-se e parece-me estar num nível de dramatismo quase insuportável. Espero que seja possível uma boa solução diplomática, caso contrário o drama poderá ser maior ainda. Para todos.

David Levy disse...

José Sequeira, publiquei os seus comentários. Espero que não se importe. Julgo que a qualidade o justifica.

zé sequeira disse...

Caro David Levy
Como deve ter percebido o lema é "tudo aceita e nada merece". Daí, evidentemente, sem o merecer, aceito e agradeço a deferência.
Cumprimentos.
josé sequeira

cotovia disse...

muito interessante esabedora a ana´lise de J.Sequeira,muito bem.Mas Israel mudou muito, muito. Há muitos anos que vou a Israel com muita frequencia,e vejo com pena como tudo se tem vindo a mdificar.Comprei em jerusalem um livro com este titulo,Cristãoes na terra santa em extnção,ou em mutação ? eu pergunto, não se estará a passar o mesmo com o povo judeu?? os tempos de edias de pureza atc.em todo munde está a esvairse lentamente...só o vil metal vence!!sinal dos tempos,pena