segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais três provocações a caminho

O Crescente Vermelho iraniano anunciou o envio de três navios carregados de ajuda humanitária para Gaza, numa tentativa de quebrar o bloqueio imposto por Israel ao enclave palestiniano.
A acção conta com o apoio do Governo do Irão e dos Guardas da Revolução, que já se prontificaram a escoltar quaisquer frotas que queiram dirigir-se para Gaza.
O Irão parece apostado em tirar o máximo proveito da empolada acção que a marinha israelita levou a cabo no passado dia 31. Mas se a provocação da semana passada teve consequências relativamente menores, o envio de mais três barcos humanitários  poderá ter consequências imprevisíveis e gravíssimas. Basta que a "ajuda" não seja canalizada para o Egipto e que os barcos forcem a entrada em Gaza por mar. Se Israel os deixar passar, para evitar um confronto, será a humilhação total, e mais provocações virão. Se Israel mantiver o bloqueio, pode acender-se o rastilho para algo bem pior.
Aqueles que andaram aos berros a carpir os palestinianos e a diabolizar Israel, podem desde já considerar-se co-responsáveis por tudo o que acontecer.

13 comentários:

Anónimo disse...

Se houver guardas da revolução iranianos à mistura, Israel tem toda a legitimidade para se defender de um acto de guerra. Mais grave seria haver uma tentativa de forçar o bloqueio com escolta da marinha turca.
Estou pessimista, parece haver uma tentativa por parte o Irão, Turquia e respectivos aliados de arranjar pretextos para uma guerra com Israel. Infelizmente, com a Europa varrida por um delírio anti-semita, os EUA completamente passivos, Israel vai estar sozinho.
Mas também acho que Israel vai conseguir dar a volta à situação.
Tudo se conjuga para uma nova guerra no Médio Oriente. Oxalá eu esteja enganado.
F.G.

Anónimo disse...

A guerra não está declarada por pacifistas ou provocadores tentarem atravessar a linha do bloqueio. A guerra foi declarada há muito, inscrita nos colonatos e nas expropriações. E nos cidadãos árabes israelitas, que são cidadãos de segunda. E na construção de um estado JUDEU. O que percorre a europa não é uma vaga de anti-semitismo, conforme explicita o comentário acima: é uma onda de alguma lucidez para com a atitude reprovável de Israel, que, não obstante, ainda encontra algumas almas em Portugal que justificam a chacina a todo o custo. Qual é a solução para pôr termo a tudo isto?

Cirrus disse...

Levy, pode ou não haver soluções. A questão é complexa e há culpas dos dois lados, desde há 60 anos. O que também não é solução nenhuma é tentar responsabilizar quem está a defender a população de Gaza. Não diabolizar Israel, para si é importante. Trata-se de uma Estado. Não tente é diabolizar pessoas como eu. Além de tudo, mal é que eu não lhe fiz nenhum.

David Levy disse...

@ anónimo

- mandar uma frota de barcos, com alegada ajuda humanitária, com escolta militar é que não é solução nenhuma;

- São tão pacifistas como o Hitler;

- Ao menos você admite que é contra a existência do Estado Judeu. Você e o Hamas. Os outros pensam o mesmo, mas não dizem.

David Levy disse...

@ Cirrus

Desculpe lá, mas onde é que eu o diabolizei?
Você nunca me fez mal, nem eu a si.

Para o bem e para o mal, você um moderado. Alias, nem me punha a discutir com um extremista. O seu blogue é pro-palestiniano, eu sei disso, e respeito-o. Por isso e por outras coisas.

Tenho-me limitado a criticar a onda de histerismo que há à volta do incidente da flotilha, e o anti-semitismo que muita gente tem. Nada mais. Para um blogue pro-israel, como o meu, até tenho sido bastante comedido.
Em Israel, o Partido Kadima apresentou hoje uma moção de censura ao governo, por má condução da questão...

EJSantos disse...

CAro Levy, faça Israel o que fizer, será criticada. È arrepiante.

Cirrus disse...

Levy, se me considera um moderado, e apesar das diferenças de opinião, sinto-me lisonjeado. Mas muitas pessoas há que defendem diversas causas sem qualquer interesse. Há quem defenda o Tibete, por exemplo. Há quem defenda os curdos, há quem defenda os habitantes do Darfur. O próprio Levy não menciona todas as causas que por certo compreende e defende. Eu tento escrever sobre muitas delas, e ainda aqui há dias comemorei os Sete Dias de Maio, e foi arrepiante ver que apenas trẽs pessoas os comemoraram comigo. Para o bem e para o mal, esta causa centraliza as atenções. E posso garantir-lhe que a maioria esmagadora das pessoas que a defendem, de um lado e outro, são pacíficas. Não têm culpa de um um punhado de celerados extremistas, que não estão fora da região, como pensa, escalarem para a violência. E sabe que há extremistas dos dois lados, não sabe? Não descarregue, no entanto, essa fúria anti-extremista em pessoas que em nada influem no conflito e que o queriam ver apenas resolvido. É esse tipo de atitude, de parte a parte, que tem servido para alimentar a pira da guerra e os ódios de estimação. Atiremos a quem temos de atirar, deixemos os inocentes de lado. Imagine que os militares tinham deixado passar o navio. Que teria acontecido? Que armas teria recebido o Hamas? A carga já não tinha sido inspeccionada mais que uma vez? Que mal iam aquelas pessoas fazer? Entregar ferros e cadeiras? Obviamente, o bloqueio serve para alguma coisa. E nem ponho em causa a sua legalidade ou ilegalidade. Não podemos é ser cegos, surdos e mudos.

David Levy disse...

@ Cirrus

não percebo onde quer chegar. Onde é que eu descarreguei fúria em alguém?

Aquelas pessoas não aceitaram enviar a ajuda humanitária por outra via. Há uma situação de guerra entre o Hamas e Israel. Israel fez um bloqueio militar (alias, como o Egipto) a um território ocupado pelo Hamas. Julgo que não é preciso dizer mais nada. Também não é preciso dizer que a operação não correu bem. Mas isso não justifica o aproveitamento que tem havido deste assunto para outros fins.

Se os militares tivessem deixado passar o navio, o bloqueio estava levantado, e amanhã barcos como este passariam:

http://lisboa-telaviv.blogspot.com/2009/11/marinha-israelita-apreende-navio.html

João Martins disse...

Esta sugestão recorrente (apresentada acima pelo anónimo) de que um Estado judeu implica um Estado confessional é mais um disparate que, infelizmente, tem feito o seu caminho. O David corrigirá esta minha impressão,mas julgo ser necessário vincar cada vez mais o carácter secular de Israel e do Sionismo, não deixando de assinalar os riscos internos a este nível colocados por algumas minorias com poder desproporcionado.

Anónimo disse...

Se como diz o outro anónimo, a Europa está a ser varrida por uma onda de lucidez, então onde é que estavam os "pacifistas" lúcidos quando o HAMAS massacrou a FATAH, ao tomar o poder em Gaza? Porque só o bloqueio israelita é criticado e não o egípcio?
Se os marinheiros israelitas não tivessem reagido, teriam sido mortos à pancada e à facada. Claro que neste caso já não tinha sido uma chacina.
E que tal se os palestinianos finalmente aceitassem a existência do estado de Israel? Não seria lucidez e realismo?
F.G.

Anónimo disse...

"Se como diz o outro anónimo, a Europa está a ser varrida por uma onda de lucidez, então onde é que estavam os "pacifistas" lúcidos quando o HAMAS massacrou a FATAH, ao tomar o poder em Gaza? Porque só o bloqueio israelita é criticado e não o egípcio?"

Concordo consigo, as posições têm-se extremado na Palestina. Talvez, em parte, pelo facto de o "pacifismo" não conseguir impedir a expropriação de terras, a construção de colonatos, os checkpoints que os humilham diariamente?

"Se os marinheiros israelitas não tivessem reagido, teriam sido mortos à pancada e à facada. Claro que neste caso já não tinha sido uma chacina."

Os militares israelitas abordaram um navio turco em águas internacionais. É essa a "reacção" a que se refere? Um acto - do ponto de vista legal - de terrorismo ou pirataria? Mortos à pancada e à facada? Deve estar a brincar comigo. E que tal dizer mortos "à fisgada" ou "à berlindada"?

O grande problema é que as posições do lado de israel também se radicalizaram, e, ou muito me engano, ou num futuro próximo este apoio incondicional à humilhação diária da população palestiniana e mesmo à chacina de activistas estrangeiros, será vista como um erro fatal por muito boa gente dentro de Israel (na realidade já o é, mas sê-lo-á por uma parte mais significativa da população).

Anónimo disse...

Video sobre os terroristas da flotilla:

http://www.youtube.com/watch?v=g6hBSQnwX9U&feature=player_embedded#!

Anónimo disse...

O vídeo com a execução do "terrorista" americano, em legítima defesa pelos soldados da IDF que lhe enfiou 4 ou 5 balázios na cabeça, pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=Pi6c10ntFZk&feature=player_embedded

À semelhanças com o ataque de Israel ao USS Liberty, o "Bordel do Capitólio" anda nas declarações do direito à auto-defesa, nada mal para um Senado que não acreditou nas declarações dos seus oficiais do Liberty para não ser aberto um inquérito.