segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O que dizem os outros - A eterna credulidade ocidental

A Tunísia já caiu. Entrou em fase revolucionária e, como em todas as revoluções, começa pela fase dos moderados. Os moderados vão ser destruídos pela dinâmica. Falam em paz, em liberdade e harmonia, mas quem fez a revolução não foi nem gente pacífica aspirando à liberdade, nem gente que pretende a harmonia. É uma revolução e quem comanda as revoluções são homens violentos, radicais e defensores de soluções extremas. O mesmo no Egipto. Continue a ler no Combustões.

10 comentários:

fiat lux disse...

Engraçado! O Kissinger dizia coisa semelhante do 25 de Abril.
Devíamos ter continuado com a ditadura para lhe acalmar os medos?

David Levy disse...

Por uma unha negra não acertou. Isto esteve quase a ficar nas mãos dos comunas...

fiat lux disse...

Acha? Pois o Carlucci parece que não...
E acabei de ouvir o General Loureiro dos Santos. Tem que lhe mandar um bilhete a convidá-lo a passar por aqui, o homem anda às aranhas. Ler teorias de quem sabe ajuda a abrir os olhos.
Bem hajam.

David Levy disse...

Não ouvi o que ele disse. Mas se calhar é melhor ser o fiat a mandar os bilhetes, afinal o entendido no assunto é você...

fiat lux disse...

Ele a mim não precisa de me ouvir, sabe muito mais do que eu teria a dizer-lhe. Mas como aqui se desenvolvem teorias tão completas em como as democracias árabes são indesejáveis para o vosso sossego, talvez ele gostasse de ouvir uma segunda opinião antes de vos prejudicar.

David Levy disse...

As democracias árabes são desejáveis, ditaduras da Irmandade Muçulmana é que não. Julguei que já tinha percebido isso, mas pelos vistos não...

fiat lux disse...

Pois não parece que tenha dito isso. Disse que sim, mas... Nós primeiro, eles depois. São livres de escolher se escolherem como nós queremos.
Gosto desta democracia democrata.

NanBanJin disse...

Caro Levy:

Como certamente saberás, sou um leitor assíduo do COMBUSTÕES e, sem que no conheçamos pessoalmente, nutro pelo Miguel Castelo-Branco (MCB) uma imensa estima e admiração — trata-se, sem dúvida, de alguém a quem, independentemente de quaisquer pontos de vista pessoais que nos aproximem ou façam divergir, reconheço extraordinárias qualidades, e em especial, um dom raro no que se refere ao uso da palavra.

Nos últimos tempos, tenho acompanhado a escrita de MCB no seu espaço e tenho-me abstido de tecer quaisquer comentários à sua análise aos mais recentes eventos no Norte de África.
Longe de mim, pretender vir aqui usar est'outro espaço de comentários de um blogue que tomo, também, por referência maior, rebater seja o que for que haja noutra sede sido escrito ou afirmado por MCB.
Mas em qualquer circunstância, creio não ferir ninguém se aqui disser que, em larga medida, discordo profundamente daquilo que MCB tem escrito sobre o tema em apreço.

A esse respeito não me irei alongar no esmiuçar de uma certa retórica — mais uma vez o afirmo: não é este o lugar, e julgo correcto da minha parte, em qualquer circunstância não o fazer por este meio.
Assim queira a providência um dia, eventualmente, trazer-me ao encontro de MCB em pessoa, e caso o tema venha a conversa, terei muito gosto em, com o próprio 'vis-à-vis', discutir as questões levantadas por este recente processo político a Sul do Mediterrâneo e espero, nessa altura, que assim possa(mos) ver uma série de observações melhor esclarecidas.

Em todo o caso, gostaria só de dizer que não me revejo minimamente na perspectiva de MCB aqui citada.
Naturalmente partilho de um olhar marcado por um forte suspeição no que a um certo Islão e suas gentes se refere — por tudo o que já neste e noutros espaços de minha referência se escreveu e debateu —, porém, no que se refere ao Egipto e, quiçá, com maior grandeza de razão na Tunísia (e maior ainda noutros lugares, caso iguais ventos por lá soprem), muito do que se passou foi em larga medida, e a meu ver, da mais espontânea natureza, e não haverá que duvidar minimamente disso.
Se a canalha sanguinária, barbárie mobilizada, que em horas destas sempre aproveita para saltar das suas tocas, acaba sendo instrumentalizada por quem só merece o nosso maior e mais impassível desprezo, é um risco que a História nos ensinou a contemplar sem abdicar da mais elementar temperança.

Estar sempre a querer ver a mão pérfida deste ou daquele maligno gigante por detrás de todos e de tudo o que neste Mundo sucede, é vício do qual só posso desdenhar.
Com todos os defeitos que (preguiça das generalizações, essas tentadoras...) possamos identificar nas gentes do Islão, ainda assim, aos povos da Tunísia, Egipto e de onde mais calhe certa ira correr às ruas, só lhes desejo a felicidade, a prosperidade a que têm direito, um futuro condigno para os seus filhos e a quem mais lhes suceda e, sobretudo, a Paz.

O que mais as tempestades no horizonte ocultam, só Tempo o dirá.

É o que eu penso.


Um Grande Abraço Amigo,
d'outro Oriente,

Luís F. Afonso, NBJ

David Levy disse...

@ Luís Afonso

Obrigado pelo teu comentário. Obviamente que não fere ninguém, e encaro-o como uma manifestação de discordância, que julgo natural e bem-vinda.

Abraço :)

cotovia disse...

gostei de ver a temperança de NANBANJAN, assim deveriamos ser todos nós os chamados civilisados...



COTOVIA