sexta-feira, 12 de junho de 2009

Duas faces da mesma moeda

As urnas encerraram esta noite no Irão, quatro horas depois do inicialmente previsto devido à elevada afluência registada. Os primeiros resultados só devem ser conhecidos amanhã, mas o ex-primeiro-ministro Mir-Hossein Mousavi disse ser o “vencedor definitivo” do escrutínio. Contudo, os apoiantes do Presidente cessante reivindicam para si uma maioria idêntica.
É relativamente indiferente ser um ou outro o vencedor. Ambos representam o mesmo: são duas faces de um regime fascista não democrático, ou de outra maneira, de uma república islâmica totalitária. Os mais desatentos poderão embarcar no conto da democracia, pois os eleitores vão escolher entre os dois, mas a verdade é que a escolha não é democrática: o Conselho dos Guardiões, vetou a maior parte das mais de 400 candidaturas ao lugar. Resta apenas saber qual dos candidatos do regime vai ganhar.

10 comentários:

Anónimo disse...

Ouve lá ó judeuzeco, essa coisa a que chamam "estado de israel", está condenada, é uma questão de tempo até ser riscada do mapa, quanto mais depressa melhor, essa corja a que tu pertences é uma corja que está a mais neste mundo!

Levy disse...

@ anónimo (23:59)

Normalmente não me dou ao trabalho de responder a coisas do estilo que o sr escreveu, mas a sua frase sugere que se risque um país do mapa. Está portanto a sugerir e a defender a eliminação de 7,5 milhões de pessoas. Fica aqui o registo para que se saiba.

Anónimo disse...

O comentário anónimo acima é execrável. Infelizmente, apenas dá razão aos extremismos israelitas (que são de condenar, também).
Por outro lado, e é esse o meu comentário: o estado de Israel é tudo menos democrático (ou é democrático no mesmo sentido que era a Grécia nos tempos antigos: só votam e têm poder de intervenção os «cidadãos»). Os outros, os metecos, não são gente. Logo, mesmo que sejam vítimas de todos os racismos, que sejam silenciados, humilhados e violentados, não interessa: são coisas, não são gente. Ninguém sério, hoje, pode defender um estado confessional (seja ele muçulmano, judeu ou cristão). Ninguém sério pode defender um estado hiper-militarizado (seja ele a Coreia do Norte ou Israel). Ninguém sério pode defender um regime de apartheid violento como existe hoje em Israel.
José Luís Ferreira, Porto

Levy disse...

José Luís Ferreira (00:31)

Agradeço o seu comentário, mas estou em quase desacordo.
Israel é uma democracia parlamentar. Todos os cidadãos têm o direito de votar, inclusive os que não são Judeus. Como sabe, há partidos árabes na Knesset. O estado é laico, apesar do país ser um estado judeu. Judeu, no sentido "povo" e não "religião". Claro que este entendimento, não é comum a todos os israelitas, entre eles há uns quantos, que se pudessem seriam iguais ao Irão.
Dos outros que fala, dos palestinianos, se o entendi bem, apesar de estarem temporariamente privados de muitos direitos, já têm o poder de eleger os seus representantes. Curiosamente escolheram o Hamas, um movimento que não esta nada interessado numa solução dos conflito que os opõe a Israel.
Não sou acrítico em relação ao problema, e por isso, já defendo há muito tempo uma solução de 2 estados: um judeu e um árabe. Precisamente, para que essas situações que refere não se verificarem.
Mas como não sou acrítico, para um lado, também não o sou para o outro. E por isso estou em total desacordo com a maioria dos seus comentários. Denotam claramente anti-israelismo.
Muitas pessoas, como o José Luís, limitam-se a disparar numa direcção, que é invariavelmente a mesma, sem nunca exercerem a mesma critica as elites palestinianas, e sem nunca defenderem abertamente a solução de 2 estados. Parece que a única coisa que vos move é serem contra Israel.

Anónimo disse...

Meu caro Levy,

Até meio, estava a gostar da sua resposta ao meu comentário. Depois, caiu na armadilha com a qual todos os defensores do estado de coisas acabam por se defender: acusar os outros de unilateralismo, quase, quase a acusar de anti-semitismo ou coisa que o valha.
É um pouco idiota dizer isto, mas é verdade: tenho vários amigos israelitas e, por acaso (ou não), nao tenho nenhum palestino.
Aquilo que eu não confundo é as pessoas israelitas com a retórica do poder em Israel, nem os palestinos com os seus governantes. Há-de perceber, meu amigo, que por detrás de uns e outros, estão pessoas. Se os palestinos votaram no Hamas (e, curiosamente, ninguém respeitou essa vontade «democrática»), os israelitas votaram no Lieberman, que é exactamente igual (e ainda não vi ninguém decretar sanções a Israel por causa disso).
Eu não defendo a solução de dois estados. (posso também dizer-lhe que não defendo realmente nada porque não conheço a situação com a profundidade que a defesa de uma posião exigiria de mim). Assim, de fora, defenderia um só estado livre para todos. Sem distinção de raça ou religião (ou povo, como diz, numa asserção exclusivista que confirma aquilo que digo!!) Abomino todas as formas de domínio político que se baseiam na exclusão. Eu gosto de viver onde me apetecer, sem olhar para o nariz, para um pouco mais ou menos de pele na pila, para a cor da pele ou para a língua-mãe de cada um. Infelizmente, tanto as pessoas como o meu amigo como os radicais de todas as cores acabam por ser mais parecidos com o anónimo do primeiro comentário do que aquilo que gostariam.
Abraços fraternos
José Luís Ferreira

Anónimo disse...

De qualquer forma, tem toda a razão naquilo que diz relativamente às eleições iranianas.
jlf

Levy disse...

José Luís,

Começo pela parte final do seu comentário, onde diz que não defende nenhuma solução, porque não conhece a situação. Pergunto então, para quê comentar uma coisa que não se conhece? Para responder à pergunta, basta-me ir onde diz que eu cai numa armadilha: o unilateralismo, de que se diz acusado. Se não sabe do assunto, e não tem opinião, e vem aqui comentar na linha que comentou, fica obviamente colado ao unilateralismo. Eu explico melhor: o sr, como muitos outros, começam o discurso a criticar os israelitas, com razão em algumas coisas, sem razão noutras. Quando se chega a solução possível para o conflito, já não lhes interessa falar nisso e discutir as lideranças e a actuação palestiniana ainda menos. Só interessa, enquanto for para criticar Israel, dai para a frente zarpam todos. Se isso não é unilateralismo, o que será unilateralismo.
Neste conflito, ninguém está isento de críticas, pelo que, falar nele e criticar umas das partes é unilateralismo, ou anti-israelismo.
Em relação ao anti-semitismo, esteja descansado, que eu não sou dos que atira com isso para cima das pessoas.
Eu percebo a sua posição em relação às organizações políticas dos povos, mas o mundo é como é, e não são lirismos desses que vão devolver a liberdade que diz reclamar para os palestinianos.

Apesar das óbvias discordâncias, gostei de debater consigo. Apareça sempre. Será bem vindo.

Abraço

Anónimo disse...

Uau! Que capacidade de leitura!
De facto, para que é que eu me vim meter aqui?

José Luís Ferreira

Levy disse...

Você lá saberá porquê...

Anónimo disse...

Como bom judeuzeco, és um aldrabão, um mentiroso, um manipulador. No meu primeiro comentário não defendi a eliminação de 7,5 milhões de pessoas como sugeres. Se fosse esse o caso tinha-o dito com todas as palavras. O que defendo é que a coisa a que chamam "estado de israel" seja riscada do mapa e o mais breve possivel. Os 7,5 milhões de judeus que vivem na Palestina ocupada que aprendam a nadar que o unico sitio seguro para essa corja na zona é Chipre.