terça-feira, 2 de junho de 2009

Planos de fachada

Mais um grande sucesso da equipa da 5 de Outubro. A sua aposta na burocracia e na produção de papelada em massa, está a dar resultados: o sucesso educativo não pára de aumentar, dos 187.638 alunos sujeitos a planos de recuperação, quase 3/4 conseguiu passar.
O esquema explica-se depressa. O objectivo do ME é ter 100% de aprovações, independentemente das aprendizagens realizadas pelos alunos, então inventou esta 'coisa' chamada plano de recuperação. Assim, fica bem visto e numa posição inatacável: tudo faz para recuperar alunos.
No terreno a 'coisa' não funciona bem assim. Ao aluno que não faz nada, que não quer fazer e que tem raiva de quem faz, elabora-se e aplica-se o plano dito de recuperação. Plano esse, que não é mais que um conjunto de folhas, onde reproduz aquilo que o aluno não sabe, e aquilo que a escola se propõe fazer para o recuperar. A primeira parte era desnecessária, porque o que ele não sabe está a vista de toda a gente, a segunda é um conjunto de estratégias, que na sua maioria já são aplicadas pelos professores, e às quais, na maioria das vezes, o menino resiste porque normalmente dão trabalho. Em resumo, a maioria dos planos não passa de fachada, e apenas serve para ocupar os professores, e para os inibir de serem rigorosos com as avaliações: quantas mais negativas derem, mais papeis preenchem. Um professor que passe os alunos todos, nunca é escrutinado, inquirido e muito menos solicitado para que preencha seja o que for.
Desta forma, e no meio dos milhares de papeis, solicitações, pressões e problemas com que se deparam todos os dias na escola, muitos professores acabam por inteligentemente fazer a vontade ao ministério. Para quê resistir a uma ideologia, porque é disso que se trata, que quer à força que os alunos passem? Qual é neste momento o incentivo que os professores têm para ser rigorosos nas avaliações dos alunos? Os que o fazem, são imediatamente responsabilizados pelo insucesso, penalizados com mais papeis e com exigências de justificação de negativas.
A não ser assim, como se explica que dos 25% de alunos com planos de recuperação, tenham passado quase todos? Um monte de papeis consegue assim tantos resultados? Pobres árvores.

11 comentários:

Anónimo disse...

Como eu concordo contigo.
Pobres árvores. :)

3virgula14 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
3virgula14 disse...

E as provas de recuperação?! Na "minha" escola é caso para dizer: pobres florestas!!! :(

Levy disse...

3,14

Os vendedores de papel agradecem.

3virgula14 disse...

Mas a indústria do papel é pública ou privada?!?! ;)

Levy disse...

@ 3,14

Privada. Apesar de se o ministério da educação o maior consumidor.

3virgula14 disse...

E haverá acções à venda?!?! [Pergunta retórica...só para parvar! Porque não é minha intenção desviar o assunto]

du disse...

Não escreves nada a cerca do meu pequeno comentário. Sei que esta anônimo... mas ... pronto sou a du.
Muito :(

Levy disse...

@ du :)

Obrigado pelo comentário. Não foi por estar anónimo, foi por lapso. O meu comentário sobre os vendedores de papel, era para si e para a 3,14.

3virgula14 disse...

Du :)
Também concordo consigo e com o Levy.
Aliás, todos nós, como professores, sofremos com esta burocracia de preencher tanta papelada. Não pelo trabalho mas pela (in)utilidade...
E muitas das informações contidas nos ditos impressos são preenchidas todos os anos lectivos e se houvesse uma boa gestão de arquivos havia muito trabalho desnecessário quer para professores quer para os DT.
Um bom arquivo, uma boa organização é sempre meio caminho andado para o sucesso. Porque se o professor tiver logo toda a informação burocrática dos alunos esclarecida ganha tempo com o que é verdadeiramente importante: ensinar o mais individualizado possível.

Range-o-Dente disse...

O senso comum diz que caberia ao aluno apresentar, ele próprio, um plano de recuperação que, caso fosse pífio, fosse logo ali chumbado.

Mas os desígnios dos "educadores" são insondáveis.