quarta-feira, 17 de março de 2010

Anti-semitismo, como usar

Sempre que se verifica um aumento da conflitualidade no Médio Oriente, no Ocidente aumentam as discussões sobre o assunto. Há até quem entre em histeria com a questão. No meio de acusações e contra-acusações, o anti-semitismo vem invariavelmente a lume.
Uns consideram qualquer critica a Israel, como anti-semitismo. Usam a expressão para tirar legitimidade a quem discorda das políticas levadas a cabo pelo Estado Judeu.
Outros agem ao contrário, utilizam o  anti-semitismo fazendo-o passar  por críticas a Israel. Está lá todo, mas disfarçado de crítica legítima.
E outros ainda, impregnados pelo politicamente correcto, declaram-se anti-sionistas, mas na verdade são autênticos anti-semitas. Para além de deturparem o conceito de sionismo, que a maioria não faz a menor ideia do que seja, ainda o utilizam como cortina de fumo para  poderem usar o anti-semitismo mais  pérfido que pode haver: o encoberto. Esta última variante está a ser usada em larga escala.

4 comentários:

Paulo Sousa disse...

Aprecio em Israel e nos israelitas, entre outras coisas, a capacidade de rir de si próprios. Essa capacidade não estará desligada do facto de aceitarem ser justamente criticados. Fiquei sensibilizado pelas manifestações em Tel Aviv, legais e permitidas no decurso e contra a operação em Gaza em Janeiro de 2009. Algo simétrico em Gaza seria impensável. Essa será uma das faces do que diferencia Israel dos seus inimigos e que mostra, a quem o queira ver, que o que está em causa no conflito do Médio Oriente não é uma questão regional mas sim civilizacional.
Lamento que os senhores da esquerda alegre, que de manhã se manifestam a favor do casamento gay e à tarde vão a Gaza demonizar Israel, não troquem a agenda e mantenham as palavras de ordem da manhã para a tarde. Seria giro de ver.
Por achar tudo isto sinto-me livre para afirmar que Israel falha na ausência de algo que numa empresa se chamaria Marketing Institucional, pois se mostrasse aos europeus a sua verdadeira essência humanista e ocidental, estou certo que as conversas a que se refere seriam diferentes.

Dylan disse...

Detesto anti-suínos, perdão, anti-sionistas...

Anónimo disse...

Paulo Sousa faz um comentário pertinente. Aquilo que por cá chamamos de comunicação social é a parte mais fraca do lado de Israel. Não conheço por exemplo nenhum canal televisivo internacional israelita enquanto o outro lado tem Al Jazeera e outros canais em língua inglesa.
Claro que os anti-semitas assumidos ou disfarçados dizem que os judeus dominam os media. Mas basta ver a cobertura que a maioria dos media ocidentais fazem sobre o conflito Israelo-Árabe para ver a "amizade" que têm por Israel. É raro ver-se informação balanceada e rigorosa, normalmente é tendenciosa, oculta qualquer aspecto favorável a Israel, empola quando não inventa factos desfavoráveis a este.
F.G:

Levy disse...

@ F.G.

Concordo com o comentário do Paulo Sousa e com o seu. Dou-lhe um exemplo flagrante passado ontem. O Jornal I chamava ao governo israelita "regime hebraico". Podem ver aqui:

http://www.ionline.pt/conteudo/51465-israel-em-maus-lencois-hamas-pede-intifada-washington-pressiona

Israel é uma democracia parlamentar, e o seu governo foi eleito. Todos os ministros são membros da Knesset. Nem todas as democracias ocidentais se podem gabar disso, incluindo a nossa. Imagine-se que alguém chamava oa governo português "Regime lusitano". Ou ao governo do Reino Unido de "Regime britânico". Mas como é com Israel tudo é possível. Hoje "regime hebraico", amanhã "regime sionista" e para a semana "regime nazifascista israelita".