quarta-feira, 10 de março de 2010

A culpa foi do professor que não se desviou da cadeira

O professor agredido ficou de muletas e psicologicamente abatido.  O aluno agressor continua, impávido e sereno, a frequentar as aulas como se nada se tivesse passado. Se a agressão não fosse notícia, levaria, quanto muito, um raspanete. Nada que o maçasse. Uma vez que a situação  foi relatada  pelos jornais,  haverá a instauração de um processo disciplinar. Uma montanha de papeis terá de ser movida pela directora de turma, que é a instrutora do processo, e simultaneamente  a maior castigada nesta situação.
Durante a fase de instrução serão ouvidas as 15 testemunhas, o agredido, o agressor, os encarregados de educação, o cão, o gato e o periquito do aluno, e ainda o sociólogo, o psicólogo, o animador, e o pedagogo, todos eles da escola, ou caso nela não existam, das delegações do PS ou do BE que estiverem mais próximas. Todos alegarão o mesmo de sempre: o aluno não tem culpa de nada, porque é uma vítima inocente da sociedade capitalista; a agressão não passou de uma resposta a uma ordem opressora;  e quem vai para professor tem de saber motivar as crianças,  centrar o ensino nos seus desejos e ansiedades, e ter agilidade para se desviar de objectos em movimento. Principalmente mesas, cadeiras e sapatos.
A instrução irá ainda apurar que, no dia da agressão, o professor corrigiu os testes a vermelho, facto por si só traumatizante para a turma, e se esqueceu de dar os bons dias aos alunos.
Assim, com os representantes do eduquês em maioria, concluir-se-á que o aluno agressor não pode ser responsabilizado, e que o professor agredido é que não cumpriu com as regras de boa educação.  Ao docente ser-lhe-á recomendado que, da próxima vez, seja mais rápido a desviar-se  da cadeira e que frequente uma formação para melhorar as suas competências de relacionamento inter-pessoal.

9 comentários:

Ramiro Marques disse...

Levy
È mesmo isso que acontece na maior parte dos casos.

Levy disse...

@ Ramiro

e é uma vergonha. Se a maioria dos pais soubesse o que se passa nas escolas, fariam uma revolução.

RioDoiro disse...

Já lá canta:

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2010/03/culpa-foi-do-professor-que-nao-se.html

Abraço

Levy disse...

@ RioDoiro

Cante à vontade, lol, fiz depois uma pequena modificação, mas nada de essencial.

Abraço

João António disse...

Meu caro esta assino por baixo, letra por letra.
Estamos a viver tempos em que um anel foi roubado, e a culpa é do dono que o trazia na mão!
Abraço

NanBanJin disse...

É mesmo assim, meu Caro Levy. Sem tirar, nem pôr.
Acredita: o estado da educação no nosso país, foi um dos argumentos que me levou a ponderar ir embora daí o quanto antes.

Por vezes dou por mim a pensar no que é que os 'Pedagogeiros' daí pensariam se visitassem as Escolas daqui, onde quem limpa as salas de aula, os corredores e a escola em geral, são os próprios alunos — regra básica de disciplina, que nem cabe na cabeça de seja quem fôr, daqui, questionar.

Grande Abraço do Japão,
L.F. Afonso, NBJ

Levy disse...

@ Afonso

Mas só cá vai ficar o que não presta.

Sobre as escolas dai, já vi alguns documentários, e é um diferença abissal. Os alunos estudam a tabuada no jardim infantil, coisa que aqui é impensável. Nem na universidade a sabem, quanto mais.
Se implementasse essa regra da limpeza, seriam precisos 2 milhões de funcionários para guardar 2 milhões de alunos, caso contrário haveria guerra de esfregonas e baldes.

Abraço

Mariagaby disse...

E não haveria serviços de urgência de hospitais para dar conta de tanta esfregona enfiada pelos olhinhos "ramelosos" das criancinhas! Já para não falar dos paizinhos que iriam logo aparecer para ir ao focinho dos profs que não tinham conseguido colocar-se, a tempo, à frente da criancinha para levar com a esfregona em vez do infante!!!
Triste país este!!!

Levy disse...

@ gaby

para lá caminharemos.