sexta-feira, 12 de março de 2010

Bater no fundo

L.V.C., ex-professor da Escola EB2/3 de Fitares.
Agora todos falam da indisciplina nas escolas. Até há algum tempo atrás esse assunto era uma coisa de chatos e de velhos do Restelo, avessos aos amanhãs que cantam,  da escola moderna, democrática e progressista, que foi sendo construída em cima da velha escola opressora e salazarenta.  Foi preciso acontecerem duas tragédias, para algumas pessoas abrirem os olhos.
Podem abri-los à vontade, mas já não vão a tempo, pois o sistema educativo está todo armadilhado. O problema da indisciplina já é muito antigo e tem vindo a agravar-se nos últimos anos. Como? Com a desautorização sucessiva dos professores e o seu contínuo achincalhamento  perante (e pela) opinião pública; com a invasão das escolas por enxurradas de leis líricas e inoperacionais; com a  visão lúdica da escola, que incute nos alunos a ideia de que o estudo não é para levar a sério; com  a desresponsabilização de alunos e pais, e a proporcional culpabilização dos professores; com o facilitismo, que permite a fuga ao trabalho e ao esforço, sem que com isso haja chumbos ou penalizações; com a psiquiatrização excessiva do ambiente escolar; e com a infantilização das aulas, ditada pelas iluminárias das ciências da educação. Todos estes motivos têm vindo a ser cavados no sistema, ano após ano, governo após governo.
Não será, por isso, com alterações pontuais à lei que o problema diminuirá. A indisciplina só tenderá a desaparecer, quando o sistema educativo se libertar das ideologias  políticas e educativas, que o puseram neste estado. Como a sociedade portuguesa maioritariamente as apoia, a escola continuará degradar-se e a ser, cada vez mais, um depósito de alunos mal comportados.

10 comentários:

Ramiro Marques disse...

Levy
Sabotaram o ProfBlog.

João António disse...

A retirada de autoridade aos professores foi uma das grandes medidas socretinas . Talvez agora se comece a perceber a miséria de ensino que temos !
Transcrevi o seu texto Tasca. Agradecido.
Bom fim de semana.

Levy disse...

@ Ramiro

Fui ver agora e não consegui ver. Diz que não tenho acesso. Como é que isso é possível??? Quem é que fez uma coisa dessas? Estou basbaque.

mariaGaby disse...

Dizer que estou 100% de acordo com o que tu escreves e dizes, não é preciso. Já o sabes das nossas conversas de todos os dias.
Quero só acrescentar que o que tenho ouvido nos media me tem revoltado imenso: todos os gurus aparecem a dizer que os professores devem fazer acções de formação que os prepare para "gerir situações/ambientes disruptivos" ! Não há pachorra! Nessas acções vão ensinar artes marciais? É que só lá vai assim!!
Triste país este!

Levy disse...

@ Gaby

Dizer o que esses gurus dizem, é aceitar a indisciplina como sendo normal, e compactuar com ela. Há uns que também sugerem que haja mediadores de conflitos entre professores e alunos mal comportados, como se o professor fosse parte do conflito, e estivesse ao mesmo nível do fedelho. Assim tipo mesa negocial: o stor deixa-me gritar na aula, e eu não lhe furo os pneus ao carro.

FÁBIO disse...

infelizmente esta é uma realidade que está cada vez mais presente em nossos cotidianos. a base de um bom cidadão, que proclama o desenvolvimento interior e para tudo o que está a tua volta, nasce dentro de uma escola. onde boa parte das crianças, e dos jovens adquirem uma boa formação. o que será da vida destes com o andamento que o ensino público está a ter e o caminho que está a tomar!? uma realidade, um facto, que estamos a assistir, de braços cruzados. a degradação do ensino nas escolas.

Anónimo disse...

Acções de formação, só se for de Krav maga!
Gostava de ver estes teóricos a dar aulas a uma turma de selvagens, perdão de alunos com problemas comportamentais!
F.G.

Levy disse...

@ F. G.

Eu também gostava de os ver. A maioria desses teóricos nunca meteram uma pé dentro de uma aula.

@ Fábio

Prepare-se porque ainda vai ser pior.

luisj disse...

mas por estas coisas os sindicatos não marcam greves, só pelos vencimentos. fuck off!

Levy disse...

@ luisj

os sindicatos estão impregnados de eduques até à medula. O sindicatos apenas têm sido um rosto do problema.