sábado, 8 de maio de 2010

Prova de Aflição de Matemática

O GAVE, Gabinete de Avaliação Educacional, é o departamento que trata da auto-avaliação do Ministério da Educação. Entre as suas incumbências, está a elaboração das já famosas provas de aferição, que como o próprio nome indica, servem para aferir. Nos últimos anos têm de aferido invariavelmente o mesmo:  o ensino português é óptimo, os alunos aprendem imenso, o ministério é fantástico, e as ministras são de uma competência exemplar. Se alguma coisa corre menos bem, as provas apontam imediatamente os culpados: os professores. Nunca falha.
Este ano não fugirá à regra,  pelo menos a julgar pela rudimentar prova de aferição de Matemática do 6º ano que exigiu aos alunos portugueses coisas tão complexas como: indicar o nome de uma figura com seis lados; calcular 1/4 de 8 chocolates, a soma 5 com 2, e metade de 75º; mostrar a quantos minutos corresponde a soma de  três quartos de hora com um quarto de hora; e, pasme-se, seleccionar de entre 4 figuras a que tinha 1/3 sombreado a cinzento.
Mas há mais, há mais: quase toda a prova  foi escrita num português esquisito e com uma pobreza de vocabulário impressionante. Começando pela menina Teresa e pelo menino Rui, que deram o mote a quase todas as situações "problemáticas", passando pelos tipos de entrada numa piscina, pelo menino que partiu  um chocolate em oito bocados e comeu alguns dos bocados do chocolate,  e acabando no preço do bilhete da camioneta, tudo parece ter sido escrito por (ou para) analfabetos.
Mas pior do que isto, é ser possível uma prova de Matemática não respeitar sequer as convenções de escrita do euro: nem vale a pena ir ao detalhe de escrever com duas casas decimais, mas pelo menos devia ter o cuidado de colocar o símbolo € à direita dos preços, e não à esquerda como aparece na prova. 
A aferição realizada hoje pelos estudantes portugueses, vem mais uma vez demonstrar que não vale a pena os professores exigirem muito dos alunos, pois o Ministério da Educação rapidamente se encarrega de os desautorizar.

6 comentários:

3virgula14 disse...

Levy também aparecia a irmã do Rui que tem 6 anos e tal como o mano não eram estudantes mas crianças. E acho que ela não andava de camioneta mas brincava com cubos...

E há mais muito mais...esta é daquelas provas que ao releres descobres sempre algo mais...ou seja vai ser "uma aflição clássica!"

3virgula14 disse...

E digo mais...esta prova está digna de um tesourinho deprimente dos Gato Fedorento".

Quem fede afinal???

David Levy disse...

@ 3,14

E então a pergunta 3 que pede para escrever a lápis a base de uma potência. Porquê a lápis?

3virgula14 disse...

Será que era com a ponta de lápis do compasso??? É que se era não se pode apagar!

Ai ai não sejas guloso para comeres uns bocados que afinal foram 1/4... sim porque se diz que foi um menino e não foi o Rui é porque foste tu!!! A mim não me enganas! Seu maroto! Seu obtusangulo. E obtusangulo porque tens um ângulo agudo porque afinal de contas é para te insultar quanto aos ângulos!
E afinal quantas sardas tinha a Teresa? Não sabes né? Nem o Rui sabe porque chegou atrasado!

Vamos rir para não chorar!

MariaGaby disse...

Ó Levy, parece impossível!Então tu não sabes como o PAM tem feito maravilhas pelo ensino da Matemática!? E esta prova está aí para o provar!!!
Mas olha, pela amostragem que vi na minha sala, ( uma aluna estava muito preocupada pq a régua dela só tinha 15 cm e ela precisava de 18 para fazer o triângulo!) nem como o São PAM lá vão!!!
Tal como no caso do Ricardo "Gama", "agente" ri-se para não chorar!

David Levy disse...

Ai a minha cabeça Gaby!! "Atão" não é que me esqueci completamente do Plano Quinquenal da Matemática? Assim já está tudo explicado: não são a provas que são fáceis, o Plano é que é muito bom, e "perímetro" é uma palavra "bué" complicada.

Esse Ricardo é mais conhecido por "Ricardo Farfalha", vá-se lá saber porquê...