segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ziguezague

Parece ser a orientação do Governo israelita em relação ao processo de paz. Contra toda a lógica decretou o congelamento das construções nos territórios da Judeia e da Samaria sem obter rigorosamente nada em troca, e ainda antes do início das conversações de paz. O congelamento foi decretado devido à pressão dos Estados Unidos e  foi uma clara cedência às exigências unilaterais da Autoridade Palestiniana.
Agora, passados 10 meses sobre a paragem das obras e escassas semanas depois início das conversas, o governo de Netanyahu levanta o congelamento. A decisão é desconcertante principalmente devido facto de não  parecer obedecer a qualquer estratégia de fundo, pois Netanyahu insiste em tratar todas as construções por igual, e não parece perceber a importância deste assunto para se alcançar a paz com os palestinianos. Prova disso é o facto de o descongelamento não ter sido alvo de grande discussão a nível interno - nem sequer foi foi unânime dentro do Governo -  nem ter sido usado como moeda de troca nas negociações com os palestinianos.  E como se tudo isto não bastasse, há ainda as ondas de choque  que  esta orientação irá trazer, não só ao nível da imagem externa do país,  mas também ao nível do conflito mediático que este assunto gera.
Em vez desta confusão, seria sensato que o Governo israelita fosse claro para os dois lados (israelita e palestiniano) e levantasse definitivamente o congelamento em áreas que no futuro serão integradas em Israel, como é o caso de Ariel, Gush Etzion/Efrat e todos os outros junto à Linha Verde. Nos restantes locais a proibição de construções deveria continuar para sempre, pois deverão ser integradas no futuro Estado da Palestina. Aos israelitas que habitam nessas localidades deve-lhes ser dada a possibilidade de se retirarem e serem indemnizados. Caso não o desejem fazer, deverão ter a possibilidade de permanecer como minoria judaica num estado árabe, tal como acontece com a minoria árabe em Israel. Este assunto não deve ser tabu e deve ser objecto de discussão e de negociação.
O que Netanyahu está a fazer não obedece a qualquer estratégia, nem favorece o entendimento, pois com esta política ziguezague de congela e descongela está a tratar todas as construções por igual, estando com isso a  assustar desnecessariamente a parte da população que não terá de sair da Judeia e Samaria e não está a preparar a outra parte para a saída.  Mas mais grave que isso, não  consegue passar a ideia da futura partilha de território, condição essencial para uma coexistência pacifica entre árabes e judeus.

5 comentários:

Cirrus disse...

Análise lúcida, caro Levy.

Anónimo disse...

Miguel Sousa Tavares acaba neste momento de afirmar que o grande erro deste primeiro ano do governo de Sócrates foi a "capitulação" perante os professores, em que com esta ministra da educação enovo estatuto, e vou escrever "ipsis verbis" «ficaram todos (professores) a ganhar mais».

David Levy disse...

Caro anónimo,

Eu até já estava a estranhar o MST não vir destilar o seu habitual ódio pelos professores.
Mas mais uma vez mentiu:

- a esmagadora maioria dos professores ainda não viu aumento nenhum no ordenado, pelo simples motivo que o acordo é faseado: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 etc etc, como calcula muito antes disso a bancarrota tratará do assunto. Mais uma vez os professores ficarão com a fama, sem ter o proveito;

- O acordo assinado com os sindicatos, se fosse comprido, é mais desvantajoso para os professores do que a anterior carreira, pelo simples motivo que a subida é muito mais lenta;

- Há 10 anos dizia-se que os professores eram privilegiados, ganhavam muito, etc, etc, uma década depois, com os vários congelamentos, cortes, aumento de contribuições para a ADSE, aumento do IRS, etc etc continuo a ouvir a mesma conversa. Pessoas como o sr "anónimo" só ficarão contentes quando as classe dos professores for uma classe de indigentes.

PS: Pode ver o que escrevi sobre esse acordo entre ME e FENPROF aqui:

http://lisboa-telaviv.blogspot.com/2010/03/o-acordo-que-antes-de-o-ser-ja-o-era.html

Desculpe lá, mas eu devia ser das últimas pessoas a ter de ouvir o que o "anónimo" escreveu.

Anónimo disse...

De facto é estranha esta posição.

Alguem que congela as construções é alguém que está disposto a ceder na politica de assentamentos como base de negociação futura e acordo com os Palestinianos. Quer dizer se a ideia era não ceder nos assentamentos nunca deveria ter lugar um freeze nos mesmo.

Compreendo que Netanyau esteja 'entalado' na sua coligação, mas um lider é isso mesmo, alguém que lidera e não se deixa liderar custe o que custar.

Ainda acredito 'na semana sabatica' pós freeze... acredito que até ao fim desta semana o freeze irá ser relançado a todos os assentamentos que não irão fazer nunca parte de Israel.

Ricciardi

David Levy disse...

@ Ricciardi

Vamos ver. O ministro da Defesa, Barak, também não fica bem na foto, porque foi o único que tentou prolongar o congelamento e ficou isolado dentro do governo...