quarta-feira, 13 de maio de 2009

'Jovem' em discurso directo


Jovem - Não é delinquência, é revolta!

Jornalista - Achas que alguma coisa justifica pôr fogo a carros?

Jovem - Não há outra maneira...

Jornalista - Tu achas bem assaltar?

Jovem - Não acho bem os assaltos, mas se não há trabalho, como é que os rapazes assim não fazem assaltos? Vão-se safando como podem... é os ATM, é os assaltos à mão armada (...) é os carjacking...

Jornalista - Por que é que decidiram por fogo aos carros e aos caixotes do lixo?

Jovem - A gente exprimiu o que a gente sente, dos amigos que perde, dos abusos que fazem à gente...

Jornalista - Eram carros de quem?

Jovem - Até agora de um vizinho já tiraram 2, tanto pode ser o meu, como pode ser o teu amanhã.

Jornalista - Tu querias trabalhar?

Jovem - Eu??!! Claro, trabalhar, jogar à bola, bola então é o que eu gosto mais...

Entrevista à SIC de um 'jovem' do bairro da Bela Vista, Setúbal, ontem. Vídeo aqui.

10 comentários:

Maldonado disse...

Eu vi essa reportagem.
Realmente os jovens em questão são do piorio, pois vê-se mesmo que não têm eira nem beira.
A tal revolta é só deles, dos que estão na delinquência, pois os restantes cidadãos da Bela Vista não se identificam com eles. Aliás, numa passagem da reportagem um dos miúdos diz que só "alguns jovens" é que os apoiam na dita revolta...

Mariagaby disse...

Isto é assim: ou o problema é da sociedade(e entram os sociólogos em acção) ou é psicológico(e entram os inefáveis psicólogos a arengar)!Responsabilidade dos próprios é que nunca é! Tadinhos!

Levy disse...

Caro Maldonado,

Uma concordância e uma discordância.

A concordância cquando diz que eles são uma minoria e que a maioria da população não os pode ver.
A discordãncia quando concorda com a ideia de "revolta". Isso é uma desculpa que lhes dá jeito. E mais jeito dará se a comunicação sociel e os politicos derem cobertura e compreensão à revolta.

Levy disse...

Mariagaby,

O que seria dos sociologos e dos psicologos sem estes jovens?
Como é que é possivel ter havido tantas gerações sem estes profissionais?

J.Carmo Moura disse...

Também passei por situações indescritíveis,na debandada do Ultramar.Não foi por isso que cometi desacatos e não seja hoje um bom profissional.
O remédio está no que vi em Israel:
-Primeiro arreiam nos criminosos e só depois é que perguntam.
Em segundo lugar juntava uma máxima correctíssima dos israelitas:
-Primeiro os judeus,segundo os judeus e em terceiro...os judeus.
E é assim que se defende e sobrevive um povo rodeado de lacraus por todo o lado.
Cá a trampa dos governos capitulam há 35 anos.
Shalom!

Levy disse...

Caro J. Carmo Moura,

Estes desordeiros, não fazem a menor ideia do que foi isso de 800 mil pessoas chegarem a Lisboa com a roupa do corpo. Nem disso, nem de muitas outras dificuldades que as gerações anteriores passaram. Para estes da bela vista e outros, tudo são facilidades, tudo lhes é permitido e tudo lhes é dado. Pertencem à geração com mais oportunidades, andam na escola, mas não fazem lá nada. Porque não querem. Quando dizem que não tiveram hipoteses, estão a mentir. É muito mais facil roubar, insultar e agredir do que estudar.
Em relação a Israel, se não fosse como diz, teriam sido atirados ao mar. E hoje não existia Israel.

Shalom! :)

Mar da Palha disse...

Apenas para complementar algumas opiniões gostava de relembrar o papel dos media na formação desta juventude!!De facto, nunca se viu tanta gente, com tanto talento para a bola...E são estes os ídolos que a juventude conhece,as suas vidas, as suas mansões, os seus carros e nalguns casos o seu analfabetismo mas sempre promovidos a vedetas...

Levy disse...

Mar da Palha,

é verdade. Qualquer coisa sem conteúdo, mas que seja vistosa tem logo a atenção dos média e dos jovens.

Anónimo disse...

"Agente exprimiu ..." AGENTE?!? Agente da polícia? Ou será que quis escrever "A gente"?

Levy disse...

Caro anónimo (17:22)

Obrigado pela correcção. Foi lapso meu. É reconfortante saber que os leitores estão atentos.