sábado, 30 de maio de 2009

Professores protestam, polícias contabilizam, bloquistas aproveitam

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) estimou hoje em 70 mil as pessoas que percorrem a Avenida da Liberdade na manifestação dos docentes convocada pelos sindicatos do sector, mas a PSP aponta para entre 50 e 55 mil.
Foi uma manifestação impressionante, não só pela altura do ano lectivo em que decorreu, mas também pelo facto de estarem 32ºC. Os motivos do protesto são os mesmos das anteriores manifestações. Quando a ministra da educação julgava ter esvaziado o balão, é novamente contestada por uma grande quantidade de professores. Resta esperar que tenha sido a última da era Maria de Lurdes Rodrigues.
Regista-se que a PSP foi novamente autorizada a divulgar o número de manifestantes. Isto depois de Oliveira Pereira, director-nacional da PSP ter afirmado recentemente que a polícia nunca mais faria essa divulgação.
Outro registo, mas desta vez de sentido contrário, foi o facto de algumas forças políticas, como o Bloco de Esquerda, aparecerem nestes desfiles, que nem abutres, com o intuito de capitalizar o descontentamento alheio. Lá estava Francisco Louçã, no meio dos protestos a distribuir sorrisos e simpatias, e a ver se ganhava mais uns votos. Devia de haver algum pudor neste tipo de acções em períodos eleitorais, pois tratava-se de uma manifestação profissional e não política.

14 comentários:

Anónimo disse...

Francisco Louçã é professor. E no Ensino Superior também há muitos e sérios problemas... :)

Levy disse...

@ anónimo (19:32)

É como diz, mas ele não estava lá como professor.
Nem a manifestação era sobre o ensino superior, nem nós os 2 somos ingénuos... :)

Anónimo disse...

LevY:
ele disse que estava lá nessa qualidade. :)
O BE, nesta legislatura, a par do PCP, foi quem mais esteve atento, na Assembleia e com propostas concretas, aos problemas da Educação. Sei-o... porque para além da troca de emails com os deputados e pelo acompanhamento pela comunicação social, tenho um familiar que foi assessor do BE em questões de Cultura e Educação.

(Anónimo = NP, Mais do mesmo)

Levy disse...

NP,

Acabei de ouvir o Louçã na RTP1 e ele não falou na qualidade de professor. Falou como líder partidário que é.
O BE pode apresentar as propostas que quiser, porque tem sempre o papel do simpático que dá tudo a todos, e não tem a difícil tarefa de governar. O que convém saber ou imaginar é o que faria se tivesse a pasta da educação...
Em relação aos assessores do BE, é natural que digam isso, os dos outros partidos dirão o mesmo...

Anónimo disse...

Bem... eu ouvi-o dizer: "eu sou professor"! :)

José Sócrates é PM e anda a fazer campanha como Secretário Geral do PS, com um candidato dito "independente". Ou seja: as pessoas assumem vários papéis e falam... e nem sempre é fácil ver onde acaba um e começa o outro.

A Democracia não vive só dos partidos "do poder". Os "pequenos partidos" não fazem só o papel de simpáticos... apresentam propostas que, numa Democracia a sério, o Governo capitaliza... se forem boas propostas, como muitas vezes acontece e aconteceu no passado! Infelizmente, não foi o caso deste Governo... como se viu nas diversas discussões do Orçamento, por exemplo, em que o tempo veio dar razão à Oposição.

Explicando melhor a questão do assessor do BE: não foi uma questão de ele me dizer que "fizeram isto ou aquilo"! Falo de documentos e propostas de que tive conhecimento e "em mãos"... e que eu, como outros professores, fomos "chamados" a opinar, antes de serem apresentados na Assembleia.

O BE fez um inquérito, com a participação de largas centenas de professores, onde foi feito um retrato muito fiel do que é a Escola Pública Portuguesa. E a partir desse "retrato"... que o PS, o Governo e o Ministério da Educação nunca se preocuparam em conhecer e compreender... foram feitas propostas concretas. Era disso que falava... :)

NP

Anónimo disse...

Já agora, deixe-me acrescentar que também recebi (via email), para poder analisar, propostas do PCP, PSD e CDS... nomeadamente no que dizia respeito à avaliação. :)

NP

Levy disse...

NP :)

Isso que diz dos papeis é assim, e não devia ser. Por isso critiquei a presença de Louçã na manifestação.
Se ele diz que é professor e está ali enquanto tal, então isso não passa de uma cortina de fumo. Todos sabem que não está lá enquanto tal, mas para capitalizar o descontentamento.
Não acha estranho, entre tantos professores, irem logo entrevista-lo a ele? Que coincidência...

O inquérito do BE conheço-o, porque o li. Reflecte muito bem que se passa na escola. Mas não conseguiu incorporar as opiniões dos poucos que estão de acordo com a política educativa. Alias, até achei estranho no meio de tantos depoimentos transcritos, não haver 1 único que fosse positivo...
Se o clima na escola não fosse de grande insatisfação, o BE nunca faria inquérito nenhum, porque não haveria insatisfação para explorar.

Levy disse...

NP

"propostas do PCP, PSD e CDS"

E essas propostas agradaram-lhe?

Anónimo disse...

Vamos lá ver:

foi ele que pediu para ser entrevistado? Foi ele que chamou a comunicação social? Não me parece... :)

Na antepenúltima manifestação, fui abordado por um jornalista da RTP (Rui Silva), de quem fui colega... :)
Não falei... mas ele ouviu o depoimento de muitos outros colegas! Também deve ter ouvido políticos e outras figuras públicas. Desta vez não foi assim, também? Eu diria que é SEMPRE assim... e manifestações tem havido de mineiros, polícias, enfermeiros, pescadores, etc...

Seja como for, a mim não me incomoda que políticos apareçam nas manifestações, seja lá em que qualidade for. É como irem a uma feira ou à lota do peixe: vão para se inteirarem dos problemas e mostrarem solidariedade!

Incomoda-me mais ver um Primeiro Ministro sair pela porta dos fundos, quando vai a algum sítio e há lá uma manifestação. Incomoda-me mais que a Polícia impeça que sindicalistas entreguem uma carta ao Primeiro Ministro...
Incomoda-me mais ver Ministros e Secretários de Estado a andarem a fazer "campanha" com o erário público...
Incomoda-me mais ver que o PS utilizou uma filmagem, no seu tempo de antena, feita com crianças de uma escola pública, sem autorização dos pais.

Enfim...

Quanto ao inquérito do BE... se calhar o que se passou é que quem era a favor da política educativa não quis responder. Eu, à minha conta, enviei-o a largas dezenas de colegas.

Quanto às propostas dos partidos que mencionei... li-as na diagonal. Lembro-me que a do PSD apontava mais para uma avaliação externa... e para a avaliação da escola... algo assim. Confesso que não as li com a devida atenção... porque as soluções apontadas iam mais no sentido de travar este modelo... e pareciam-me ser "provisórias"! Estarei mais atento às propostas feitas nos programas eleitorais para as eleições legislativas... :)

NP

Levy disse...

Caro NP

Para terminar com a questão do dr louça: acredita mesmo que ele foi lá na qualidade de professor, por questões laborais, e que deu uma entrevista, mas que nada disto teve a ver com questões políticas, nem de capitalização do descontentamento dos professores? E acredita que ele chegou lá a julgar que não ia ser entrevistado?

Claro que é sempre assim. Mas isso são significa que seja correcto. Eu não considero correcto, o aproveitamento político descarado de manifestações profissionais. É a minha opinião.

Tudo isso que o incomoda a si, também me incomoda a mim.

Do inquérito do BE, pode ser isso que afirmou, mas também pode ter sido de outra maneira: só colocaram lá as respostas que lhes convinham. É tão legitimo pensar de uma maneira, como de outra.

Posso fazer-lhe duas perguntas?
- é uma figura pública?
- é membro do BE?

Anónimo disse...

Não vamos discutir mais isso do Louçã. As manifestações, na questão do aproveitamento político, são um campo aberto a todos os partidos, incluindo o do Governo, que teve, na Assembleia, vários deputados quase sempre "do lado" dos professores. Refiro-me a Manuel Alegre, Teresa Portugal, entre outros.
Ontem também a CDU e o CDS lá tiveram elementos. O PS poderia ter pedido ao "professor" Vital Moreira para ir lá explicar, de viva voz, por que razões defendeu tanto estas reformas. Preferiu ficar em Braga... onde, quando começou a falar, muitos dos idosos abandonaram a sala... lol

:):)

Quanto ao relatório do BE... poderei informar-me melhor, fazendo a pergunta directamente ao meu primo... que trabalhou nesse inquérito. Mas "desonestidade intelectual" é algo que não lhe reconheço.

Sou uma figura pública? Não, não sou... no sentido que se costuma dar à expressão. Sou um professor que há 21 anos dá a cara e é uma "figura pública"... no sentido que faz um trabalho que é escrutinado todos os dias pelo "público", ou seja, alunos e suas famílias! :)
E sou um pouco popular... muita gente me conhece e eu conheço muita gente... que, por acaso, ocupa lugares de "maior visibilidade", como o referido jornalista.
E serei uma "figura pública", no sentido que tenho um blogue desde Janeiro de 2004... com quase 88 mil "pages views"! :)

Se sou do BE? Não... não sou! Tradicionalmente até voto em partidos de centro ou de direita... se é que ainda faz sentido fazer esta distinção entre os partidos. :)
Mas nada disso me tem impedido de, por email, contactar deputados de todos os partidos, fazendo-lhes sentir muitos dos problemas que assolam a Escola Pública, com e após estas reformas, a meu ver desastrosas! E eles vão respondendo... incluindo UMA deputada do PS... :)

NP

Levy disse...

NP :)

Estou esclarecido. lol
Mande-me o seu blogue então....

Anónimo disse...

http://nelsonpires.blogspot.com

"Mais do mesmo". No Google costumava ser o 1.º resultado... lol

Levy disse...

Obrigado Nelson, já vou lá espreitar :)