domingo, 24 de maio de 2009

Netanyahu está numa encruzilhada

O primeiro ministro israelita está numa encruzilhada. Ou avança com o processo de paz, na direcção da formação do estado palestiniano e tem grande parte da sua base eleitoral contra, ou toma uma decisão contrária e fica com mais de metade de Israel e o mundo quase todo contra si.
As decisões que tem de tomar são muito difíceis e o risco de serem mal tomadas é enorme. A começar pelo facto de ainda não se ter percebido claramente a sua estratégia para o processo de paz, se é que tem alguma. Sem uma visão clara e determinada da questão, será muito difícil tomar as opções firmes que se lhe exigem.
Não há uma solução ideal para este conflito, há apenas a possível: manter em Israel as cidades de Ariel, Gush Etzion/Efrat e Maale Adoumim e compensar os palestinianos com territórios noutros locais (Neguev e Galileia).
Resta esperar que Netanyahu caminhe em direcção da solução de dois estados, e que ninguém lhe faça o mesmo que ele fez a Itzhak Rabin e a Ariel Sharon no passado.

11 comentários:

Anónimo disse...

Acho que Netanyahu é um político medíocre e que Israel (e a Palestina, que é afectada) mereceria ter melhor à frente do seu governo.
Mas gostaria de constatar no futuro que me enganei: por vezes, podem surgir boas surpresas de quem menos se espera. Para bem de toda aquela região.

Jorge Lopes

Levy disse...

Caro Jorge Lopes,

eu também estou a espera de uma boa surpresa. Mas duvido que apareça alguma.
Mas sou suspeito, porque eu sou pela Tzipi Livni.

Franco disse...

Não me parece que Netanyahu vá tomar a iniciativa política na questão Israelo-Palestiniana para não atraír a inimizade do Mundo, sendo ele contra a criação dum Estado palestiniano, mas vai tentar contemporizar de forma a que a questão iraniana se agrave e se torne prioritária aos olhos do mundo, tal como já se está a tornar hoje a questão norte-coreana. Isso permitir-lhe-á ver o desenrolar dos acontecimentos mais como espectador do que como actor principal e situar-se do lado dos bons em vez de ser o mau-da-fita. Poderá parecer menos assertivo, mas nesta altura com o Mundo em stress, é seguramente mais inteligente.

Franco disse...

A situação política no Médio-Oriente vai explodir nalgum lado e para os Israelitas será preferível que ela exploda no Irão do que em Israel.

Levy disse...

Franco,

talvez seja como diz, só discordo em dois pontos:
- Israel nunca poderá ser apenas espectadora na questão do Irão. Há um enorme interesse directo na questão e um grande consenso interno em relação a isso, muito maior do que há em relação aos palestinianos.

- Julgo que a inimizade do mundo será atraida se ele nada fizer em relação ao estado palestiniano. Alias, neste momento já é visivel que não está com muita vontade de ir por ai.

Franco disse...

Levy, se ele aceitasse a criação de um Estado palestiniano, seguir-se-ía o desmembramento do Governo israelita, a começar pela direita religiosa, seguida do Israel Beitenu e das divisões dentro do Likud, à parte de isso ser contra a própria ideologia de Netanyahu. Quanto ao Irão não se preocupe, porque um Irão com a arma atómica incomoda muita gente, a começar pelos Estados árabes da região para quem um Irão forte significa revoluções islâmicas nas ruas desses países. Não quer dizer que Israel não deva actuar, mas só o deve fazer depois de outros países o desejarem também. De qualquer modo, você conhece as profecias judaicas para esta altura? Dizem que grandes conflitos ocorrerão fora de Israel, mas que Israel sairá ileso.

Levy disse...

Franco,

eu ligo pouco a profecias:)

O desmembramento do governo é uma possibilidade, mas por motivos ligeiramente diferentes dos que aponta. A oposição à solução de 2 estados vem da União Nacional, da Casa Judaica e de parte do Likud. O Israel Beitenu já se mostrou favorável a isso, e o Shas que não é sionista, também não opõe abertamente.
A direita religiosa, não é aquilo que muitas vezes transparece. É mais plural e diversificada do que se julga e não age em bloco.

Franco disse...

O Israel Beitenu diz uma coisa diferente todos os dias, conforme está ou não sob pressão. O cimento que une este Governo é o nacionalismo e isso implica a não aceitação da criação de um Estado palestiniano. Não digo que estejam certos, mas é assim que são. Quanto a um processo de paz baseado na solução de 2 estados, temo ser um pouco tarde para isso. O Hamas, que neste momento é maioritário nas sondagens palestinianas, é contra a existência do Estado de Israel, o Hezbollah que poderá vir a ganhar as eleições no Líbano também, o Irão que tem vindo a ganhar protagonismo ùltimamente, também. Creio ser esta a altura de confrontar os extremismos e de negociações políticas poder-se-á falar depois. É pena não acreditar em profecias, são uma boa bússola para uma pessoa se guiar nesta altura.Cumprimentos.

Levy disse...

Eu julgo que a criação do estado palestiniano, será feita por um governo que perceba que é mais perigoso para a existência de Israel a situação actual. Há um problema demográfico e moral que está subjacente a isso.
Esses aspectos que refere, são muito importantes e deverão ser tomados em conta. O estado palestiniano a existir, terá de ser criado por um processo muito controlado e muito condicionado. Mas julgo que não é por haver extremismos no horizonte que não se devam fazer as necessárias negociações políticas.

Franco disse...

É díficil fazer a guerra e a paz ao mesmo tempo.Boa noite.

Levy disse...

Assim é. Boa noite :)